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Batalha Interior

quarta-feira, 29 de setembro de 2010.

Já passei por grandes batalhas! Pareciam-me intermináveis e quanto mais eu buscava soluções, a sensação era que me desencontrava ainda mais. Vivi entre o céu e o inferno, em dúvida com a minha própria existência. Senti-me, por inúmeras vezes, deslocada e mal “instalada” neste mundo. À minha volta as pessoas eram estranhas e as coisas absurdas! Questionava-me constantemente se eu estaria no mundo certo ou se as pessoas é que caíam aqui de pára-quedas?

Um dos maiores desafios desta vida é podermos vencer as nossas próprias batalhas. E elas, quase sempre, são travadas em nosso interior, com a nossa consciência... A mesma consciência que nos impede de dormir, que fica de vigia e nos alerta quando algo não está dentro dos padrões. Isso acontece com todos nós! Somos os nossos maiores juízes. Decretamos nossas sentenças e aprendemos a conviver com elas.

Difícil identificar quando o problema está em nós, mal resolvido, e não com as pessoas que nos cercam. Julgar é automático, às vezes até como defesa para não reconhecermos nos outros o que está contido dentro de nós. Culpamos as falhas de todos e as usamos como desculpas para uma vida infeliz. Por vivermos em interação constante, achamos confortável acreditar que apenas os fatores externos nos moldam e determinam o rumo dos nossos passos.

Ironicamente, mesmo obrigando-nos a aceitar a dependência que temos das pessoas, nossa consciência é implacável. Coloca-nos no banco, de castigo, até enxergarmos onde estão os erros. Algumas pessoas conseguem passar por essa prova e serem liberadas do castigo mental. Outros (acho que a maior parte) levam uma vida inteira tentando passar pelo primeiro estágio: reconhecimento dos próprios erros. Enquanto olham pela vidraça, enxergam o mundo todo sujo, mas não percebem que a sujeira maior surge de dentro e não somente do lado de fora.

Examinar a própria consciência e ter a capacidade de descobrir as falhas é um começo para “limpar” a visão que se tem do mundo externo. Nesse processo (que não é fácil), travamos batalhas com as nossas crenças, atitudes e conceitos e, muitas vezes, nos sentimos derrotados por não enxergarmos as respostas. Elas estão diante de nossos próprios olhos e quanto mais duras forem, menor será a aceitação.

A verdade dói! E não dói apenas quando somos apontados, mas muito mais quando nos confrontamos mentalmente com ela. Contudo, há o amadurecimento e ele vem com o tempo. Não podemos ficar de castigo por toda a vida! Quanto mais cedo fizermos a auto-avaliação e detectarmos a origem daquilo que nos aprisiona, mais rápido sairemos desse campo de batalha. Travaremos muitas outras, porque a consciência não descansa, está sempre de prontidão à espera de um pequeno deslize. E enquanto a tivermos, estaremos seguros de que seremos lembrados pelos nossos erros. O cuidado que devemos ter é para que não nos precipitemos e façamos dos alertas sentenças irremediáveis. Tudo se resolve e as batalhas são apenas varreduras dos lixos que se acumulam. São saudáveis, desde que não nos decretemos rendidos e vencidos por elas.

Jackie Freitas

“Dominar a si próprio é uma vitória maior do que vencer a milhares em uma batalha!”

(Buda)

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A Sabedoria da Vida

domingo, 26 de setembro de 2010.

Sabedoria é grátis, mas é também a coisa mais cara que existe porque, na maioria das vezes, nós a adquirimos por meio das nossas falhas, desapontamentos e até mesmo dores. É esta a razão pela qual tentamos partilhar nossa sabedoria, de modo a que outras pessoas não paguem por ela o preço que nós já pagamos.

 Sem falsa modéstia, este talvez seja um dos melhores textos que já li na vida. Foi escrito por Lord Jonathan Sacks - que vive em Londres, Inglaterra publicado sob o título "Letters to the Next Generation". Fiz algumas adaptações agregando a minha visão pessoal sobre o assunto.

Espero que todas as mulheres que lêem os maravilhosos textos aqui publicados compartilhem estas pérolas da sabedoria com outras pessoas, mulheres ou homens, ganhando assim aquela maravilhosa sensação de bem estar com a vida. Perdoem-me as mulheres, mas o texto está redigido da forma masculina, dirigido aos “homens” como Humanidade, onde vocês mulheres se inserem.

  • Nunca tente ser Esperto. Procure sempre ser Sábio.
  • Respeite os outros mesmo que sejam desrespeitosos com você.
  • Nunca busque publicidade para o que você faz. Se você a merece, a receberá. Do contrário, será criticado. De toda forma, atos meritórios nunca precisam despertar para si a atenção de quem quer que seja.
  • Quando você faz o bem aos outros, na realidade, o benefício é seu. Sua consciência e auto-respeito se sentem recompensados pela oportunidade.
  • Não busque atalhos no que você fizer. Não há êxito sem esforço, nem realizações sem um trabalho árduo.
  • Em tudo o que fizer, tenha em mente que uma Força Superior vê tudo; não existe possibilidade de enganá-la. Quando enganamos os outros, geralmente a Força Superior nos fará perceber que fomos os primeiros enganados.
  • Seja muito ponderado ao julgar os outros.
  • Mais valioso que o amor que recebemos é aquele que damos.
  • Cuide muito bem do tempo. A vida é curta, muito curta. Não preencha seu tempo com futilidade, sentimentos de raiva, perdendo tempo criticando os outros. Saiba equilibrar trabalho com lazer, problemas com soluções, amor com raiva, amigos com família, ficar fora e dentro de casa, críticas com elogios e você começará a perceber que seus dias não foram desperdiçados.
  • Muitas coisas na vida lhe trouxeram mágoas. E ainda muitas trarão. Você encontrará ao seu redor pessoas indiferentes, cruéis, grosseiras, ofensivas, arrogantes, ásperas, destrutivas, insensíveis e rudes. Deixe isso ser um problema delas, não seu. A melhor resposta para reações negativas é não responder. Não reaja. Não sinta raiva; se sentir use o tempo a seu favor. Espere. Deixe a raiva passar e continue a sua vida. Não conceda aos outras a vitória sobre o seu estado emocional.
  • Nenhum grande sábio alcançou sucesso sem algumas falhas no caminho. Não se sinta mal com as falhas. Grandes poetas escreveram maus poemas. Grandes músicos compuseram músicas ruins. Grandes pintores fizeram obras destoantes.
  • Escolha muito bem seus amigos. Amigos precisam ser fortes naquilo que você é fraco. Nenhum de nós possui todas as virtudes. Os amigos precisam possuir pontos de vista diferentes para que, em conjunto, você e eles, produzam melhores resultados.
  • Escute sua voz interior. Crie momentos de silêncio absoluto para a sua alma.
  • Se algo está errado não procure culpados. Procure saber como pode ajudar os outros para evitar os erros.
  • Na atmosfera que existe ao seu redor você é o Sol. Se você quer que os outros sorriam, sorria você primeiro. Se você quer que os outros sejam generosos, seja você o primeiro. Se quiser ser respeitado, respeite primeiro. A vida é um espelho, um grande reflexo do que fazemos.
  • Seja paciente. As pessoas sábias são mais velozes. Espere que os outros te alcancem.
  • Nunca se preocupe quando outras pessoas disserem a você que está sendo “idealista demais”. Só os idealistas conseguem transformar o mundo. E você vai querer viver a vida sem contribuir para o mundo se tornar melhor?

GABRIEL EIGNER
Diretor da ENGENHARIA DAS VENDAS

www.engenhariadasvendas.com.br

fonte do texto: PT.CHABAD.ORG

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Você é Invejoso ou Invejado?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010.

Diariamente somos alvos da inveja! Em alguns casos, invejamos e somos invejados. Ela não é infortúnio dos outros. Precisamos tomar muito cuidado, porque somos discretamente seduzidos e tentados por ela. Tal como Caim, as pessoas estão à procura de um Abel para invejarem. Em alguns casos até matam, mas na maior parte das vezes, os invejosos gastam toda a sua existência em busca de “armadilhas” para atraírem os seus alvos. Como explicar esse lamentável desvio humano?

O filósofo do pessimismo Schopenhauer define como natural e mesmo inevitável que o homem transfira a própria carência, contemplando o prazer e conquistas alheias. Para isto, cria um ódio contra àquela pessoa que ele julga possuir àquilo que ele próprio (invejoso) gostaria para si. Lança sobre o invejado a censura, o escárnio, zombaria e calúnia como consolo para a sua deficiência. Os invejosos usam como escudo, a tentativa de destruição (normalmente moral) de suas vítimas.

Quanto melhor e mais notável estiver o invejado, pior estará o invejoso. Não há o menor equilíbrio nessa balança, aliás, ela se sustenta justamente pelo desequilíbrio de sentimentos. Somos condenados a viver na escuridão porque a nossa luz cega os olhos do invejoso. E é na espreita que ele age. Recolhido em sua insignificância, observa e vigia cada passo do seu alvo. Num conflito e contradição sentimental, ao odiar o sucesso alheio, se masturba mentalmente com as conquistas que sonha para si e no ápice de seu orgasmo regozija-se na imagem do outro, para em seguida cair em desgraça e desconsolo próprios. O invejoso é paradoxal por natureza. No empenho da desconstrução, ele acaba contribuindo ainda mais com a construção de sua vítima, fortalecendo-a, destacando-a em cada apontamento de defeito ou de imperfeição.

Para as pessoas que são invejadas, eu recomendo continuarem com a sua vida de brilho e luz! Não acreditem que “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” seja construtivo. Não é essa a base que fundamenta o sucesso. Os invejosos sempre existirão e a eles cabe apenas o mundo próprio, perdido em frustrações e carências. Melhor do que ser reconhecido por um invejoso é reconhecer-se bom e capacitado em suas virtudes.

Para as pessoas invejosas, não posso recomendar nada mais do que descobrirem a própria vida. Parem de apontar defeitos nos outros! Construam a sua personalidade e faça com que ela ganhe vida própria. Podem até espelharem-se nos invejados, afinal, eles são seus ídolos, mas não destruam a moral alheia para satisfazerem um ego doente. O tratamento está na certeza de que quanto maior o mal desejado, maior será a cova que abrigará o que resta de si mesmos.

Jackie Freitas

“É tão natural destruir o que não se pode possuir, negar o que não se compreende e insultar o que se inveja.”

(Honoré de Balzac)

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Para Falar de Amor…

terça-feira, 21 de setembro de 2010.

Para falar de amor não é preciso mais do que sentimento. Sentimentos puros e honestos, que partem de nossa alma e atingem toda a extensão do nosso ser. Para falar de amor, basta ser um tanto humano, com uma dose de anjo; que bate as suas asas não para partir, mas para encontrar lugar seguro e apreciar a maravilha desse grande sentimento.

Não sou anjo, sou mulher. Procurei conhecimentos e não sei se os adquiri, talvez eu seja ainda uma nova programação, um novo modelo de um sistema inteligente, aguardando o implante de órgãos que me façam sentir além do necessário. Sou ainda um esboço, portanto, as minhas falhas são imensas. Sempre há o que consertar e aprimorar.

Não posso ser tocada pelas mãos humanas. Tenho receio que elas me implantem peças defeituosas. O homem ainda não desenvolveu a verdadeira percepção de sua capacidade para amar. Ele ainda recorre aos livros para entender o que é simples e está diante dos seus olhos. Para amar não precisa de muitas peças. Talvez um bom coração baste.

O dia em que esse modelo avançado estiver à disposição humana, quem sabe a máquina programada ensine mais o que a alma não conseguiu enxergar. Para falar de amor, não precisa de muitas palavras, pois elas seriam limitadas e finitas... E o amor é por si só, infinito e grandioso.

Para falar de amor, subo ao céu e desço mais leve e serena. Reconheço a fragilidade de meus companheiros e irmãos, que na ânsia de quererem conquistar elevado sentimento, se perdem em suas próprias razões, desorientam-se de seus passos. Para falar de amor, viro um robô, se preciso for para proferir palavras jamais escutadas e, ditar em tom melódico a harmonia dessa sinfonia.

Para falar de amor, nem humana, nem programada... Apenas semente que planta, nasce e cresce à espera das delicadas mãos de um agricultor, para podar os maus tratos do tempo e permitir florescer a beleza incomparável do amor. Que proliferem pelos campos da vida e invadam os incomunicáveis corações. 

Para falar de amor, me elevei ao sentimento máximo para compreender que somos todos projetos, aguardando uma resolução e um destino. Compadeci-me e retornei, porque para falar de amor é preciso estar aqui, junto a todos, mesmo sem entender a razão. É preciso juntar as peças e montar essa máquina humana, pois ela fora feita com amor. Então, para falar de amor, basta apenas amar... Simplesmente amar!

Jackie Freitas

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A Moda Que Aprisiona

segunda-feira, 20 de setembro de 2010.

A pior prisão humana é aquela que está condicionada a mente. Vivemos cercados por conceitos e preconceitos, valores e regras, como se rotular fosse idéia original à disposição dos costumes e julgamentos. Libertar-se desse “vício” torna-se difícil tal como se conformar com uma velha roupa que não nos serve mais. O tempo passa e crescemos, mudamos ou simplesmente engordamos e, aquela roupa que outrora nos servia com perfeição, fica apertada, pequena e fora de moda. Esvaziar esse guarda-roupa e colocar de lado tudo o que não nos cabe mais, requer trabalho e desprendimento. Não reciclamos nossos hábitos se não pudermos inovar os pensamentos. Ficamos presos em paradigmas e somos levados aos veredictos como juízes soberanos da certeza absoluta.

A vida é mutável ou, senão, adaptável. Ela se renova a todo o instante e quanto mais ampliamos nossa visão, melhor enxergamos a necessidade das reformas. Despir-se do velho e aceitar o novo, rever velhos conceitos e ampliar os horizontes. Exercer a capacidade própria de avaliação, sem estar preso aos enfadados rótulos criados para avaliação e julgamentos. 

O mundo não é feito exclusivamente para nossa comodidade. Ao contrário! Nós nos inserimos nele e toda e qualquer dificuldade que enfrentamos, boa parte, somos nós os grandes responsáveis. As pessoas não mudam porque assim desejamos! Elas também renovam o seu guarda-roupa. Assim como na moda, cada um adota o seu estilo e ele é próprio, personalizado. O que não podemos é ditar regras e combinações. Deixemos que cada um procure o seu “look” e aprendemos, desta forma, a conviver com a “roupagem” de cada pessoa. Cresçamos e deixamos o figurino antigo de lado.

A nossa mente escraviza quando ficamos ligados aos ideais preconcebidos. Esse labirinto que é a mente, muitas vezes nos aprisiona e, quanto mais buscamos saídas, mais nos perdemos. Se trilharmos os caminhos sempre percorridos, podemos estar nos aprisionando cada vez mais, portanto, busque alternativas, descubra novas formas de alcançar a sua saída. E essa saída está em olhar tudo de novo, de maneira nova, despretensiosa e mais flexível.

Mudar o mundo, não podemos! O que podemos é mudar a nossa forma de vê-lo e tentar melhorar a cada dia essa percepção das coisas mutáveis. Ficar despido diante disso tudo não é estar frágil e nem vulnerável. É estar ciente da humildade necessária para receber o novo. Não ficamos despidos por muito tempo, pois logo uma nova roupa nos veste e aí, o que temos que fazer, de tempo em tempo, é apenas renovar o guarda-roupa!

Jackie Freitas

“Assim como pomos de lado uma roupa usada e vestimos uma nova, assim o espírito se desfaz da sua indumentária de carne e se reveste de uma nova.”

(frase hindu)

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Voar Alto

quarta-feira, 15 de setembro de 2010.

Eu consigo voar alto! Minhas asas possuem força e a ânsia em atingir a elevação me mantém aprumada. Isso não tem relação com ambição e também nada a ver com alpinismo social. Gosto de olhar as coisas do alto e com uma perspectiva diferenciada. Do alto ampliamos o nosso campo de visão e, mesmo que as coisas pareçam pequenos e indistinguíveis pontos, o panorama é imenso!

Organizar idéias, desenvolver o foco e acima de tudo abrir os horizontes! O foco é muito importante quando o raio se amplia. Aprimorar o poder de detalhar e identificar as minúcias. Todos nós, quando observados em minúcias, nos diferenciamos uns dos outros. Aí está a verdadeira complexidade da compreensão sobre as diferenças. 

Quando penso em atingir o meu ápice, não me coloco em nível hierárquico perante o mundo ou as pessoas. O meu vôo é interno e ao contrário do julgamento psicológico ou comportamental dos outros, revela o meu crescimento e capacidade de observar os fatos de maneira mais apurada. Engraçado que quanto mais alto eu alço o meu vôo, maior se torna a minha humildade. Perceber que não somos nada mais do que grãos de areia num imenso e quase infindável deserto. E esse deserto mora dentro de cada pessoa que desconhece as suas inúmeras possibilidades de visão.

Voar alto, no sentido figurado, pode ser as asas postas em um sonhador. E por que não sonhar? E por que não voar tão alto, que no silêncio profundo do espaço não possa encontrar a própria voz? Você pensa em altura espacial e eu penso no espaço interno, nas lacunas que deixamos mal preenchidas. O universo é feito de vácuo... e nós também. Existe um silêncio profundo entre os planetas e, entre nós, humanos, lamentavelmente ocorre o mesmo. O homem busca conquistas espaciais, intergalácticas e ainda tenta aprender a conviver com a própria espécie. Como podemos querer conquistar o que está além do nosso alcance, se não somos capazes de conhecer a nós mesmos?

Olhar do alto exige habilidade e acuidade visual. Uma percepção tremenda, que nos coloca em igualdade, mesmo tendo pontos pequenos espalhados pelo cenário. Olhar do alto não nos torna deuses. Não é hierarquia e nem arrogância. Talvez, numa visão mais humana, seja uma forma de aproximar-se da força cósmica ou da verdadeira divindade. O sonho que motivou Ícaro a buscar sua liberdade e encontrar-se com o Sol. Simbologias a parte, buscamos o que irradia calor, o grandioso, o inexplicável. O que nos fascina é a busca, mas ela também nos cansa. Cansou Ícaro, mas o aproximou do seu sonho. Nossos sonhos são asas poderosas e talvez a questão seja o quão alto você queira voar e de que forma você enxergará os pequenos pontos. Fortalecer não apenas as asas, mas também a visão que te guiará neste trajeto. As pessoas poderão te parecer pequenas, mas não se iluda! O tamanho delas é proporcional a humildade que você cultiva. Voar alto não é estar acima de nada... Voar alto é a possibilidade de abrir a poderosa grandeza da vida diante de si e não se limitar ao recluso mundo da pequenez. É descobrir som no vácuo, ouvir a voz aprisionada que anseia por liberdade. Voar alto é encontrar o seu próprio Sol, iluminar o seu mundo e perceber que não estamos sós nele! É descobrir-se parte dos pequenos pontos indistinguíveis.

Jackie Freitas

O vôo até a Lua não é tão longe.
As distâncias maiores que devemos percorrer estão dentro de nós mesmos.

(Charles de Gaulle)

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O Que Não Mata, Engorda

domingo, 12 de setembro de 2010.

Eu aprendi essa frase quando era pequena. Cresci e muitas vezes a usei como desculpa para justificar a gula e não perder o “resto”. Mesmo consciente da sujeira e do mal que poderia me causar, passava impunemente, como se estivesse protegida por um mantra poderoso! Que mal há? Afinal engorda, mas não mata. Posso conviver com isso!

Passado o tempo, percebo que vivemos ainda sob esse escudo. Engolimos muitas coisas, fechamos nossos olhos para a sujeira e ainda assim, justificamos que o mais importante é estarmos vivos! O que me assusta, hoje, não é o que mata; mas justamente o que engorda!

A maior parte das pessoas alimenta as suas almas com os restos, as sobras e as migalhas dos sentimentos humanos. O importante é consumir, não importa a que preço! Abrimos todos os canais e absorvemos tudo o que nos passam. E o pior é que nem o cérebro consegue mais separar o que alimenta do que engorda. Ele também está inflado de informações, contaminado por vírus e sujeiras que colhemos pelo caminho. 

As clínicas prometem milagres ao corpo, mas ainda não sabem como purificar o espírito humano das mazelas da vida! Criam novas plásticas e podem até te transformar num novo ser, mais bonito, mais escultural, mais apresentável; mas não podem desintoxicar o seu cérebro das sujeiras acumuladas. Na ânsia de um novo corpo, engordam ainda mais a pobre alma vendida ao excesso do consumo. Engordam a vaidade e oferecem remédio para apaziguar a consciência. Não falam dos efeitos colaterais! Temos que descobrir a duras penas, quando o cansaço nos impede de expurgar o lixo.

Enquanto isso, pobres doentes lotam os templos religiosos para esvaziarem a consciência dos pecados e, novamente, engordam o espírito inquieto. Buscam nas palavras divinas o antídoto para o caos generalizado que assola a humanidade. Novas religiões são criadas e algumas delas também prescrevem a receita do consumismo. Engorda, mas não mata! 

Mas, afinal o que mata? Seguimos tantas dietas e continuamos engordando... Matamos a fé e a crença de que somos capazes de esvaziar a mente da impureza contagiosa. Não precisamos “comer” lixo e engolir o que nos obrigam. Podemos, sim, seguir nossa própria dieta mental e espiritual. Nosso paladar anseia por qualidade! O corpo e a alma agradecem.

Crianças adquirem imunidade durante o crescimento e por isso comem e não correm risco maior do que o de engordar. Depois de grandes, nossa imunidade precisa ser cuidada e observada com cautela. O que antes apenas engordava, hoje pode matar. Viver no flagelo mental nos torna moribundos de nós mesmos. Engordamos conforme a nossa gula supera a fome.

Deixe os restos e os lixos irem embora! Tenha saúde: física, mental e espiritual. Não engorde... Saboreie e alimente-se.

Restos engordam formigas e ratos e o que te engorda, pode matar o que ainda resta de você.

Jackie Freitas

“... será que tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda?”

(Roberto Carlos – Erasmo Carlos)

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A Cabala e as Mulheres – Por Gabriel Eigner

quinta-feira, 9 de setembro de 2010.
As mulheres cada vez mais conquistam o seu espaço. Mães, esposas, donas de casa; nos dias de hoje, não se intimidam e ganham postos de liderança em ambientes que outrora somente homens ocupavam. Uma mulher escrevendo sobre isso poderia parecer feminismo puro! Por essa razão, convidei meu grande e querido amigo, Gabriel Eigner, um empresário bem sucedido, mente brilhante e sensibilidade ímpar; para que escrevesse a sua visão sobre as mulheres e a razão de sua notoriedade. Entre os assuntos que conhece e estuda, Gabriel escolheu a Cabala para explicar o seu pensamento.
Aproveitando a ocasião desse ano novo judaico (Rosh Hashaná), gostaria de deixar para toda a comunidade um Shana Tová! Muita paz, saúde, amor e prosperidade.
UMA VISÃO CABALÍSTICA PARA COMPREENDER AS MULHERES BEM SUCEDIDAS
O mundo moderno convive com diversas mulheres ocupando importantes posições nas Empresas e em quase todas as atividades profissionais.
Diversos fatores proporcionaram a ascensão das mulheres, em espaços tipicamente masculinos durante séculos. Mas, vou focar o assunto baseado numa visão extraída da “Cabala” – a tradicional e complexa ciência judaica que estuda o poder da mente e a Força Divina entre muitas outras coisas.
O poder da intelectualidade pode ser baseado em três componentes: Em hebraico Chochmá (Sabedoria), Biná (Compreensão) e Daat (Conhecimento).
As emoções sob a ótica da “Cabala” são derivadas de sete atributos: Amor, Poder, Harmonia, Domínio, Submissão, Fundamento e Realeza. Os três primeiros componentes combinados os sete atributos estão presentes em todas as mulheres de sucesso.
As mulheres são muito mais amorosas que os homens. A doação incondicional, muitas vezes não esperando nada em troca além de um simples “obrigada”, destaca a magnitude do atributo AMOR.
As mulheres tendem a ser mais disciplinadas, justas e fortes superando barreiras na defesa destes princípios. Acreditam mais nas leis, na ordem e na justiça. Sabem perdoar com mais facilidade os erros. Isto é a verdadeira manifestação de uma força interna, do PODER efetivo que as mulheres possuem para superar obstáculos.
As mulheres possuem papel fundamental no equilíbrio da vida doméstica e profissional. É o equilíbrio celestial entre o dia e a noite, entre os mares e a terra. É o maravilhoso atributo que regula o uso do “Amor” com o “Poder” exigindo uma sabedoria extraordinária e um agudo senso de percepção, muito mais presente nas mulheres do que nos homens. Assim é o atributo da HARMONIA.
O que é o DOMÍNIO? É a capacidade de conquistar, vencer e superar o emocional, nos levando a ter ambições, realizar sonhos e traçar objetivos. Dominar significa estabelecer a sua vontade e, não raro, tentar dominar os outros para que seu objetivo seja atingido. É a busca da vitória.
A palavra SUBMISSÃO em hebraico é “Hod”. É o oposto dos atributos anteriores, e se manifesta quando alguém se anula perante outrem. É a capacidade de agradecer, mesmo em caso de infortúnio, ou seja, aceitando ou admitindo que em determinado momento o obstáculo é mais forte.
As emoções se manifestam nas mulheres de forma muito intensa quando existe um relacionamento recíproco. A mescla perfeita entre um homem e uma mulher. A “Cabala” contempla como parceria ideal pessoas de sexos opostos que se completam, onde o poder de um indivíduo é o ponto fraco do outro, dando a oportunidade de que os dois juntos são mais fortes do que separados. É o FUNDAMENTO emocional da amálgama física que une uma mulher a um homem.
As mulheres geram no seu útero novos seres humanos. E sempre buscam com fortes cargas emocionais, gerar filhos que possam trazer para o mundo algo mais completo e perfeito do que elas mesmas são. A REALEZA das mulheres é o sétimo e último atributo emocional, que unifica os seis anteriores, posicionando as mulheres como seres mais sublimes do que os homens.
A REALEZA dá às mulheres bem sucedidas a verdadeira capacidade de liderar, pois para ser verdadeiramente LÍDER é preciso comunicar-se bem para servir de inspiração a todos ao seu redor. O Homem é o rei na Terra porque ele, mais do que qualquer criatura, pode, de fato, comunicar-se com os outros de forma efetiva e sofisticada.
E ao longo dos anos, o “homem rei” vem compartilhando seu espaço com as “mulheres rainhas”.
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Espelho…Decifra-me Se For Capaz!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010.

Olhar-se no espelho pode representar muito mais do que a certificação da aparência. Nossos olhos conseguem ir além da imagem refletida. O espelho só ganha “vida” quando passamos a nos enxergar através dele. O que você busca no espelho e ao olhar-se o que encontra?

Narciso encontrou nas águas límpidas e cristalinas a sua perdição. Apaixonou-se pela própria imagem refletida e perdeu-se nela para sempre. Porém, o que antecede esse episódio é o que muitas pessoas passam. Amar a imagem refletida e não conseguir perceber o que está oculto. Somos muito mais do que simples aparência, pois nem sempre aparentamos quem de fato somos. 

O espelho pode conter pequenas fissuras e nelas a desfiguração da imagem é tão real quanto enxergamos. Muitas vezes me vi bela e não seria difícil me apaixonar pelo reflexo, mas ao olhar-me profundamente nos olhos, conseguia enxergar que por detrás  deles escondia uma pessoa frágil, triste e cansada. Alguém que questionava se o que via era realmente a sua representação fiel ou apenas uma figura qualquer, tentando convencer aos outros e a si mesma de que tudo estava bem e sob controle. E quase sempre fazemos isso! Buscamos no espelho uma forma de atenuar a amargura e tristeza. Passamos um batom ou penteamos os cabelos, exibimos as faces ruborizadas e coloridas, ensaiamos um sorriso e nos prometemos que tudo ficará bem. O espelho passa a ser um amigo. Ele nos engana na medida em que queremos ser enganados. Outras vezes, ao contrário, ele pode nos persuadir e nos convencer que não há beleza alguma e sim tristeza e desgaste do tempo. É mais fácil, naturalmente, crermos nessa informação, pois as pessoas são tão carentes de si que mergulham nessa certeza e afogam-se nas contradições da vida.

Estar ou ser belo nasce de dentro, das profundezas do oceano de emoções. Na superfície as águas podem estar turvas e revoltas, mas há limpidez e calmaria nas profundezas. Quando pensamos no reflexo do espelho, muitas vezes enxergamos apenas a superfície e, desse modo, nos vemos superficialmente, deixando de analisar o que há escondido nas profundezas. O espelho engana, mas quem reflete a imagem é você e não ele. Não importa se você se mostra incrivelmente belo ou terrivelmente feio. Importa é o que está além do que os olhos enxergam. Se o espelho fosse capaz de traduzir com fidelidade o espírito de quem está diante dele, com certeza seria um amigo sincero. Mas culpá-lo não resolve. Você deve primeiramente enxergar-se e perceber-se. “Espelho, espelho meu!” A história, mesmo infantil, nos revela que ele pode enganar e nos responder apenas o que gostaríamos superficialmente de acreditar. O mundo pode não nos enxergar com tanta beleza e nem com tamanha feiúra. De nada adianta ser incrivelmente belo, mas por dentro conter o amargor e desrespeito pela própria espécie. O feio é relativo e apenas responde a um padrão inventado para tornar o convívio das aparências mais suportável. Beleza está em atitudes e conduta de vida. O belo irradia sentimentos.

O espelho reflete máscaras e para algumas pessoas, quando elas caem, fica difícil confrontar-se com a realidade, então, no lugar das máscaras, passam maquiagens que deturpam o que está oculto.

Cuidado com o que você reflete e com aquilo que se preocupa em refletir ao próximo. As águas serenas, límpidas e cristalinas que “abraçaram” Narciso, levando-o ao seu fim, podem ser pra você apenas o seu imenso ego... devorando-te um pouco a cada dia.

Jackie Freitas

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Tocando em Frente

quarta-feira, 1 de setembro de 2010.

  Estava dona de casaaqui em um dos meus momentos de reflexões! Acho que com a avançar da idade, eles estão se tornando mais freqüentes, e não sei porquê e nem de onde me surgiu na mente um trecho da música de Almir Sater, Tocando em Frente. Estava alucinada, cuidando da casa, dos filhos, comida, roupas e de repente uma frase ficou ecoando na minha cabeça: “Ando devagar porque já tive pressa...”. Pareceu-me mais um aviso do que uma lembrança musical. Uma chamada para que eu me aquietasse um pouco e desacelerasse o ritmo.

Muitas vezes não acreditamos em sinais ou simplesmente não os captamos como avisos. Passamos por cima, seguindo com a teimosia, mesmo sentindo o cansaço ou o pedido de cuidados. Simplesmente tocamos adiante como se fosse urgente qualquer medida, como se fôssemos nos perder no propósito que nem sequer sabemos qual é. Fiquei curiosa e fui ler a letra da música para ver se ela me daria mais “sinais” sobre o que eu mesma não sabia e encontrei esse trecho: “... Hoje me sinto mais forte, Mais feliz, quem sabe; Só levo a certeza de que muito pouco sei, Ou nada sei...”. 

Aparentemente as coisas seguem seu curso normal e talvez assim devesse mesmo, mas não podemos evitar essa urgência em descobrir o que nos espera, o que nos está reservado e aí, fico pensando se devemos ter essa pressa? Por que não apenas saborear cada momento como se ele fosse único? Por que não desfrutar da paz que podemos ter e deixar de ficar procurando por demônios? Para onde nos levam esses passos acelerados? Se não há nada melhor do que viver um dia após o outro, então por que, meu Deus, tanta pressa?

Eu já tive passos lentos, acreditando que um enorme futuro para reparar erros me aguardava. Adiei muitas coisas por justamente não entender o quanto é bom saborear os momentos, o quanto é apaziguador não ter saldos pendentes. Deixei de fazer muitas conquistas por acreditar que o tempo seria sempre o meu aliado e assim vim caminhando lentamente... Agora, qual a urgência? Recuperar o que ficou para trás ou encontrar o que eu adiei?

Não importa qual seja a resposta! O meu presente é esse e o que eu deixei de fazer não voltará mais. Sou feliz assim, com essas conquistas, com esse conteúdo que fui adquirindo ao longo do caminho. Sempre terei o meu tempo, não importa se é longo ou curto, mas o tenho agora! Os passos não precisam ser acelerados e sim precisos. Posso focar o que eu quero e pressupor os meus passos, mas não tenho como controlar o tempo. Algumas coisas conquistamos e outras seguimos ao seu encontro. Podemos errar os passos por inexperiência ou ingenuidade, mas o importante é não perder-se no cansaço.

Hoje posso andar devagar, só não posso parar! Não preciso ter pressa. A sabedoria está em ser paciente, em saber reconhecer a beleza e bênção de cada  momento. Se o sol está lá fora me convidando para um passeio, vou passear. As roupas estão no varal, porque me permiti esse passeio. A ótica não é a atividade e nem a rotina, mas sim o convite para ver o sol! Fui com as roupas e as crianças. Deixei as roupas no varal, as crianças correndo entre as árvores e eu sentada... apreciando o canto dos pássaros, as risadas das crianças, o leve vento no meu rosto e aí, a pergunta que ecoou na minha mente foi: para quê pressa?

Entendi os sinais! Ande devagar e aprecie a vida. Há muito mais o que ser reparado se você não tiver tanta pressa e nem urgência. As respostas podem estar nesses momentos ou continuarem um mistério, mas a vida não. Ela continua a seguir e você a acompanha com passos lentos. Não precisa ter pressa! Vamos tocando em frente e olhando para frente! Quem sabe lá estarão as respostas?

Jackie Freitas

“... É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou...”

(Almir Sater e Renato Teixeira)

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