Já passei por grandes batalhas! Pareciam-me intermináveis e quanto mais eu buscava soluções, a sensação era que me desencontrava ainda mais. Vivi entre o céu e o inferno, em dúvida com a minha própria existência. Senti-me, por inúmeras vezes, deslocada e mal “instalada” neste mundo. À minha volta as pessoas eram estranhas e as coisas absurdas! Questionava-me constantemente se eu estaria no mundo certo ou se as pessoas é que caíam aqui de pára-quedas?
Um dos maiores desafios desta vida é podermos vencer as nossas próprias batalhas. E elas, quase sempre, são travadas em nosso interior, com a nossa consciência... A mesma consciência que nos impede de dormir, que fica de vigia e nos alerta quando algo não está de
ntro dos padrões. Isso acontece com todos nós! Somos os nossos maiores juízes. Decretamos nossas sentenças e aprendemos a conviver com elas.
Difícil identificar quando o problema está em nós, mal resolvido, e não com as pessoas que nos cercam. Julgar é automático, às vezes até como defesa para não reconhecermos nos outros o que está contido dentro de nós. Culpamos as falhas de todos e as usamos como desculpas para uma vida infeliz. Por vivermos em interação constante, achamos confortável acreditar que apenas os fatores externos nos moldam e determinam o rumo dos nossos passos.
Ironicamente, mesmo obrigando-nos a aceitar a dependência que temos das pessoas, nossa consciência é implacável. Coloca-nos no banco, de castigo, até enxergarmos onde estão os erros. Algumas pessoas conseguem passar por essa prova e serem liberadas do castigo mental. Outros (acho que a maior parte) levam uma vida inteira tentando passar pelo primeiro estágio: reconhecimento dos próprios erros. Enquanto olham pela vidraça, enxergam o mundo todo sujo, mas não percebem que a sujeira maior surge de dentro e não somente do lado de fora.
Examinar a própria consciência e ter a capacidade de descobrir as falhas é um começo para “limpar” a visão que se tem do mundo externo. Nesse processo (que não é fácil), travamos batalhas com as nossas crenças, atitudes e conceitos e, muitas vezes, nos sentimos derrotados por não enxergarmos as respostas. Elas estão diante de nossos próprios olhos e quanto mais duras forem, menor será a aceitação.
A verdade dói! E não dói apenas quando somos apontados, mas muito mais quando nos confrontamos mentalmente com ela. Contudo, há o amadurecimento e ele
vem com o tempo. Não podemos ficar de castigo por toda a vida! Quanto mais cedo fizermos a auto-avaliação e detectarmos a origem daquilo que nos aprisiona, mais rápido sairemos desse campo de batalha. Travaremos muitas outras, porque a consciência não descansa, está sempre de prontidão à espera de um pequeno deslize. E enquanto a tivermos, estaremos seguros de que seremos lembrados pelos nossos erros. O cuidado que devemos ter é para que não nos precipitemos e façamos dos alertas sentenças irremediáveis. Tudo se resolve e as batalhas são apenas varreduras dos lixos que se acumulam. São saudáveis, desde que não nos decretemos rendidos e vencidos por elas.
Jackie Freitas
“Dominar a si próprio é uma vitória maior do que vencer a milhares em uma batalha!”
(Buda)





Quanto melhor e mais notável estiver o invejado, pior estará o invejoso. Não há o menor equilíbrio nessa balança, aliás, ela se sustenta justamente pelo desequilíbrio de sentimentos. Somos condenados a viver na escuridão porque a nossa luz cega os olhos do invejoso. E é na espreita que ele age. Recolhido em sua insignificância, observa e vigia cada passo do seu alvo. Num conflito e contradição sentimental, ao odiar o sucesso alheio, se masturba mentalmente com as conquistas que sonha para si e no ápice de seu orgasmo regozija-se na imagem do outro, para em seguida cair em desgraça e desconsolo próprios. O invejoso é paradoxal por natureza. No empenho da desconstrução, ele acaba contribuindo ainda mais com a construção de sua vítima, fortalecendo-a, destacando-a em cada apontamento de defeito ou de imperfeição. 










































