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Medo X Coragem

sábado, 30 de março de 2013.

O medo, muitas vezes, nos impede crescer. Por causa dele, deixamos de buscar oportunidades e conhecer os muitos e diferentes caminhos da vida.

Vivemos na idealizada segurança, mesmo que insatisfeitos, e não nos permitimos olhar além dos muros que o medo constrói em nossa volta. Mas, chega um momento que precisamos avançar e fazer da coragem a nossa principal arma de sobrevivência.

Não acredito que a vida seja complicada... Tenho, cada vez mais, certeza de que a sua simplicidade é que nos desafia a enxergar o obvio e ao mesmo tempo bloqueia a nossa visão, prendendo-nos na comodidade e transformando o medo em barreiras gigantescas para as novas descobertas.

Há de chegar um momento em que o medo será superado e que a vida, então, deixará de ser um mistério... Há de chegar a hora de nos libertarmos e seguir adiante, buscando novos caminhos e fazendo deles o nosso destino.

As despedidas são sempre dolorosas, principalmente quando nos acostumamos com o conforto ilusório criado pelo medo. Mas, penso que não estamos nesta jornada para vivermos sem desafios ou acomodados na simplicidade; então, adeus medo e limitações! Às vezes precisamos de um voo mais alto. Podemos cair durante a trajetória, mas é fundamental que testemos nossas resistências!

Portas se abrem e se fecham constantemente diante de nós. Fazemos nossas escolhas e são elas que desenham, lentamente, o nosso futuro. O importante é estarmos cientes de que nada nos chega sem aviso prévio. Nada nos é imposto sem a opção de escolhermos como prosseguir... E, como prosseguir depende apenas de nós!

Por mais sombrio que pareça o futuro, não podemos temê-lo. Independente de qualquer coisa será através dele que descobriremos o desfecho dessa história e é com coragem e espírito de luta que manteremos nossos passos firmes para trilharmos os caminhos escolhidos.

Já ouvi muitos rumores sobre o medo e o que posso dizer neste momento é que devemos tratá-lo com respeito, mas não nos curvarmos diante dele. Compreender que sem ele a vida perderia os seus mistérios, mas que, também, sem ele não teríamos os seus desafios. Portanto, mesmo que o medo ganhe dimensões incalculáveis, precisamos encará-lo e deixar que a coragem nos leve adiante. O medo habita dentro de nós e não no mundo ou na vida em si... Ele ganha forças à medida que o alimentamos e o deixamos orientar nossos passos.

Todos nós enfrentamos grandes batalhas e em cada uma delas o medo está presente; entretanto, cada batalha vencida tem a coragem como principal arma... E é isso que nos faz lutar arduamente pela sobrevivência. É a coragem que nos faz chegar ao final de cada batalha e descobrir a vida existente além dos muros criados pelo medo...

Jackie Freitas

“Façamos da interrupção um caminho novo.
Da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte, da procura um encontro!”

(Fernando Sabino)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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As Duas Faces do Julgamento

segunda-feira, 23 de julho de 2012.

Há uma referência bíblica que diz: “não julgueis para não serdes julgados...”. Apesar de muitos de nós pronunciarmos estas palavras com convicção e, às vezes, com um “q” de sabedoria irrefutável; na prática passamos o tempo todo julgando com a mesma irracionalidade daqueles que nos julgam.

Talvez seja difícil conter nossas opiniões sobre os outros e, principalmente, não usá-las inapropriadamente. O que nos torna capazes de fazer julgamentos e, consequentemente, determinar o caráter de uma pessoa? Quais são os critérios utilizados para que os julgamentos se transformem em sentenças absolutas contra alguém?

Fico sempre pensando na velha história da pedra e da vidraça... Fácil e prazeroso é ser pedra, mas ninguém quer se colocar no papel da vidraça... E quando nos tornamos vidraças, quebramos (em prantos e dores) muito antes das pedras nos atingirem. Não aceitamos as injustiças, os preconceitos e os julgamentos... Mas, em momento algum paramos para avaliar os muitos estragos que também fazemos aos outros quando nos posicionamos com arrogância e maldade, atirando nossas pedras a esmo!

Há muitas perguntas das quais não sabemos as respostas, porque tentar entender o comportamento humano será sempre complexo. Cada pessoa possui suas razões e formas diferentes das nossas para conduzirem suas vidas, mas ainda acreditamos que todos devem agir de modo igual, seguindo critérios que nós mesmos estabelecemos como certos, quando na verdade nem sabemos quais são esses critérios! E é nesse emaranhado de confusões e enganos que partimos para os julgamentos, esquecendo-nos que da mesma forma também somos julgados. Quem está certo e quem está errado? Ninguém!

Outro dia, assistindo a um programa de TV, escutei o Pedro Bial dizer: “difícil não é ser os outros, mas sim nós mesmos!”. Tenho que concordar com ele! Realmente passamos tanto tempo vivendo a vida alheia, nos ocupando dos comportamentos e pensamentos dos outros, fazendo tudo melhor e diferente, que nos esquecemos do quanto é difícil assumirmos nossas próprias responsabilidades. E tais responsabilidades estão relacionadas com a capacidade de vivermos uma vida digna, onde erros não são motivos de apontamentos, exclusões e sentenciamentos. Erros são apenas oportunidades de experimentar algo novo e diferente, de seguir por caminhos que outros, talvez, não tiveram coragem de percorrer. E, repito sempre, erros (no meu ponto de vista) são tentativas de acertos, por mais absurdos que possam parecer! Eles devem ser assumidos com humildade e não com vergonha. Ainda, no contexto bíblico: “... quem nunca errou que atire a primeira pedra!”.

Este texto (quero deixar claro) não é religioso, mas apenas uma forma de observarmos que a hipocrisia faz parte do convívio humano desde sempre... Não porque os tempos não mudam ou a humanidade não evolua, mas por sermos (infelizmente) presas fáceis dos nossos próprios demônios! Abominamos aqueles que julgamos, somos abominados por aqueles que nos julgam e abominamos os que julgamos e os que nos julgam... E assim o ciclo de enganos e injustiças se perpetua, passando de geração a geração... Vivemos intensamente a vida que não nos pertence, querendo mudá-las e melhorá-las; mas esquecemos de viver as nossas! Queremos corrigir as falhas alheias, mas não nos atentamos que cada vez que nos preocupamos com outras vidas senão as nossas, estamos abrindo espaço para que os outros também nos julguem!

Difícil não é ser os outros, mas sim nós mesmos... Na minha ótica deveríamos reformular esta frase e dizer: Prazeroso não é ser ninguém além de nos mesmos! Isso sim nos tornaria indiferentes aos julgamentos, pois estaríamos convictos de quem somos de verdade, independente das opiniões ou conhecimentos alheios sobre nossas próprias vidas. Somente nós sabemos quantas pedras removemos pelo caminho para chegarmos aonde chegamos. Somente nós sabemos o valor de nossas conquistas, do quanto abdicamos ou nos esforçamos para vencer nossas batalhas! Somente nós temos o dever de repousar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, cientes de termos feito tudo o que esteve ao nosso alcance para concluir mais uma etapa da vida. Somente nós podemos avaliar se nossas condutas nos levarão aonde queremos chegar, porque nós escolhemos nossos destinos e não os outros! É desta forma que não julgamos, porque não temos tempo para outras vidas, senão as nossas! E se quiserem nos julgar...

Ora, sabemos quem somos. E é isso que importa!

Jackie Freitas

“Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia...”
(Paulo Coelho)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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O Meu Ano Novo

domingo, 15 de julho de 2012.

Hoje fui despertada pelos aplausos do tempo… 43 anos de emoções, bênçãos, surpresas e milagres... Anos que me parecem uma eternidade se eu considerar todas as experiências e aprendizados vividos! Anos que, independente dos acontecimentos, me mantiveram em pé e firme na caminhada...

Hoje o tempo não me pede para parar. Os aplausos são estímulos para que eu aguarde (ainda caminhando) as tantas e inesperadas surpresas que os próximos anos me trarão. Hoje celebramos a valentia que me trouxe até aqui, sem desistências ou covardia. Trilhar pelo caminho mais fácil pode nos parecer tentador em alguns momentos, mas trilhar pelo caminho certo, mesmo que longo e tortuoso, é que nos torna vencedores. E essa é uma conquista a ser sempre comemorada.

Pensei em uma forma de retribuir, em agradecimento, à vida por tudo o que ela tem me presenteado. É difícil pensar em algo grandioso quando a própria vida em si simboliza a grandiosidade, então, mais uma vez, quero compartilhar com todos que aqui estiverem algo valioso e que se tornou uma das melhores lições e exercícios de minha vida: a gratidão.

43 anos vividos não me tornam a “voz” da razão, do exemplo ou perfeição, mas me permitem compartilhar algumas experiências que podem ajudá-los a enxergar a vida de uma forma diferente. Uma vida branda, mesmo que muitas vezes pareça dura e injusta; uma vida bela, mesmo que no céu as nuvens estejam negras e com tons de tempestade... Descobrir as nuance da vida é um dos nossos maiores desafios e só as enxergamos após aprendermos a reconhecer e entender o significado de cada tom... Nem toda a escuridão tem a intenção de provocar cegueira ou desnortear os passos, mas sim em fazer-nos reconhecer a importância da luz... Nem toda profundeza representa o abismo que enterra e finda a vida. As profundezas resgatam nossa essência e nos fortalecem para o retorno à superfície. Se juntarmos todas as lágrimas derramadas poderíamos formar um oceano de tristezas, mas muitas vezes as lágrimas celebram a felicidade inexplicável dos acontecimentos. Elas lavam a alma e renovam nossas esperanças.

Quando penso em gratidão, incluo todos os momentos e todas as cores da vida... Agradeço a cada oportunidade de enxergar as coisas de modo diferente. Agradeço às novas perspectivas e a todos que me rodeiam. Aprendo com tudo e com todos! Agradeço pelas pessoas maravilhosas que encontrei, pelas que ainda permanecem ao meu lado, depositando fé e confiança, muitas vezes maiores do que as que eu mesma tenho em mim...

Se eu pudesse dar algum conselho neste momento, diria: independente da idade ou das dificuldades que tenham, sejam gratos pela vida! Olhem para ela com muita atenção e carinho; observem cada momento, pois eles são únicos. Valorizem as pessoas que os cercam e as agradeça também por tudo que elas oferecem. Lembrem-se que tudo e todos compõem nossas existências e viabilizam as nossas transformações. Amem sem cobrarem excessivamente a reciprocidade dos sentimentos, mas reconheçam e distingam os generosos dos oportunistas.

Neste dia de tantos aplausos e comemorações, gostaria de agradecer à vida, principalmente pelos presentes que ela me deu: minha família! Meu amado e generoso marido, a quem amo com toda a minha alma! Homem exemplar, honesto, trabalhador e principal agente do bem que me transformou ao longo desses muitos anos de convívio. Meu amigo (melhor amigo), companheiro, amado e amante! Obrigada Deus e obrigada vida por tê-lo colocado em meu caminho!

Meus filhos: Carolina, Victor, Gustavo e Camila... A minha missão talvez fosse a de ensiná-los sobre a vida, mas tenham certeza de que são vocês que me ensinam cada dia mais sobre ela! Eu os amo muito! Vocês são os maiores presentes que a vida me deu. E como sou grata por isso! Minha mãe, amiga e inspiração. Minha memória viva de todo o início desta trajetória. Amo-a com todo o meu coração e a amarei por todas as vidas que tiver... Meu irmão amado, Fábio, companheiro de muitas lutas. Nossa união será eterna... Nossa irmandade também! Minha irmã Jaqueline pelo frescor de sua juventude e sabedoria. Tenho certeza que muito irá nos ensinar e orgulhar.

Não sou pessoa de muitos amigos e isso com o passar dos anos também vamos aprendendo que não importa a quantidade e sim a qualidade. Deixamos de querer mais e passamos a querer melhor... Portanto, aos meus poucos, mas verdadeiros amigos, o meu muito obrigado por tudo o que me dão de coração e com verdade. Pela confiança e carinho, pela doação de sentimentos de forma gratuita e despretensiosa.

Quando chega nosso aniversário, muitos perguntam o que queremos de presente... A minha resposta agora é: NADA, pois já tenho TUDO o que preciso para viver e manter-me cada vez mais firme nesta jornada. Tenho todos os presentes que a vida pode ofertar e é por isso que, como mensagem, deixo a vocês que um dos melhores aprendizados que temos e que pode se tornar um dos nossos melhores legados é a gratidão. Somente através dela enxergamos a vida com o respeito, carinho e verdade que ela merece. E é isso que nos torna cada vez mais fortes para os muitos anos de experiências e ensinamentos que teremos pela frente.

Obrigada a todos! Obrigada vida! Os aplausos me convidam para a dança da celebração... E ao som deles seguirei...

Jackie Freitas

“Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é por si só, uma vida.”

(Sêneca)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Surpresas da Vida

domingo, 26 de fevereiro de 2012.

Olá a todos! Sei que ando ausente e peço desculpas por isso...

Talvez nem fosse necessário, afinal a vida é assim mesmo, feita de encontros, desencontros e reencontros...

Tenho pensado em compartilhar minhas experiências novas, falar sobre as minhas descobertas, mas, principalmente sobre as redescobertas... E quantas foram!

Curioso como a comodidade ou preguiça podem nos tornar pessoas reclusas, escondidas e refugiadas, perdidas em algum lugar dentro de nós mesmos... Temos receio de trilhar por caminhos desconhecidos, mas percebo que são as referências do que conhecemos que faz com que nos fechemos para o mundo e todas as experiências que ele pode nos proporcionar. Fechamos nossas portas e dizemos à vida: “Passe depois... Agora não estou preparado!”. Mas quando estaremos afinal?

Passei um bom tempo tentando me encontrar, fechada em meu casulo, quando na verdade o que eu fazia era me distanciar de quem sempre fui. Tornei-me uma estranha para mim mesma, envolta de certezas que nada mais eram do que medos mal resolvidos... Achei que estava segura escondida em mim... Mas não estava! Precisava enfrentar velhos fantasmas para entender, então, para onde os caminhos me levavam...

Decidi percorrer pelas trilhas antigas e foi em uma de suas encruzilhadas que me encontrei novamente! Confesso que estou surpresa com as descobertas que tenho feito, principalmente por constatar o quanto nos enganamos quando somos levados pelos julgamentos que fazemos sobre as pessoas. Hoje vejo que elas podem nos surpreender também de forma positiva e que o conceito que temos sobre a “bondade” de cada uma, tem muito mais a ver com a pureza ou impureza dos nossos sentimentos do que propriamente com os rótulos que criamos para algumas delas... Enxergamos inimigos e maldades por todos os lados e acabamos expulsando de nossas vidas pessoas que poderiam ter nos ensinado muito se as tivéssemos dado uma chance...

Bem, como a vida não é uma via de mão única (graças a Deus!), tive a oportunidade de rever alguns conceitos, derrubar algumas muralhas e restabelecer contato com o mundo que eu tentava negar, com as pessoas que eu jurava jamais querer reencontrar! E foi nesta via inversa que redescobri minhas forças, capacidade de luta e o delicioso sabor de utilidade. Resumindo: o resgate da vida... A saída do ócio e o salto para o frenesi das responsabilidades e desafios... Sentir-se ativa e útil novamente é um prazer que tem me revigorado a cada dia e despertado os meus sentidos para tudo o que me cerca, inclusive sobre os precipitados julgamentos que fazemos na vida e que podem nos condenar a um sono profundo onde a calmaria é apenas uma fachada que camufla a covardia e os medos.

Por isso é importante lembrarmos que a vida tem movimentos parecidos com as ondas do mar... Nunca podemos determinar como definitivo àquilo que desconhecemos e, também, não podemos dizer que conhecemos aquilo que comodamente rotulamos... As surpresas estão nas profundezas do conhecimento e não em sua superfície.

Aprendi que as pessoas merecem créditos, sim! Merecem segundas, terceiras e quantas chances pudermos dar a elas. Por quê? Porque, talvez, elas darão a nós mesmos a chance única de descobrir um pouco mais sobre muitas coisas... Não sobre elas apenas, mas principalmente sobre nós e da vida que tentamos nos esconder...

Jackie Freitas

“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.”

(Marcel Proust)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Rezar, Agradecer e Amar-se

sábado, 14 de janeiro de 2012.

Quando eu era pequena, minha mãe me ensinou a rezar... Nunca se esqueça, dizia ela, de agradecer a Deus por tudo o que Ele te dá! Durante boa parte da minha infância acreditei que, independente do que acontecesse, errando ou acertando, sendo boa ou má, obediente ou não, tudo o que eu precisaria fazer era rezar, agradecer e dormir para que, no dia seguinte, pudesse recomeçar sem pesos ou culpas...

Aprendi o “Pai Nosso”, a “Ave Maria” e algumas outras orações (as quais já nem lembro mais) que, mesmo sem entender o significado de suas palavras, eram proferidas por mim através de um piloto-automático acionado para que elas me conduzissem à salvação dos meus atos e até mesmo dos meus pensamentos. Por muito tempo e por várias vezes deixei de agradecer e passei a lamentar e fazer pedidos! Lamentava pelas coisas que não haviam dado certo, pelas palavras ásperas e duras que escutava dos outros, pela incompreensão dos que me cercavam, pelas injustiças das quais eu julgava ser vítima... Pedia por dias melhores, mas quase sempre focada em conquistas materiais; pedia por sabedoria, mas não a que me fizesse encontrar o equilíbrio da vida, porque não sabia a diferença entre a nobreza de espírito e a manipulação alimentada pela vaidade e satisfação do ego. Pedia a absolvição dos meus pecados porque acreditava verdadeiramente que somente assim eu seria digna do olhar divino! Pedia, pedia e pedia... Uma lista interminável de pedidos que só revelava o meu egoísmo e ressaltava a minha vergonhosa mania de grandeza.

Mas o tempo (esse sim é sábio) me fez perceber, entre os muitos tropeços da vida, que não adiantava pedir nada que não ajudasse, de fato, em minha própria construção. Não adiantava rezar compulsivamente achando que todos os meus problemas estariam resolvidos! Havia algo neste processo que só fui me dar conta muitos anos depois... Não precisava pronunciar um amontoado de palavras que, para mim, não tinha sentido lógico. Não era necessário decorá-las e consagrá-las receitas mágicas!

Minhas fichas caíram no dia em que meu desespero e exaustão emocional me levaram às lagrimas e me fizeram conversar com um Deus que, até então, eu não conhecia! Desabafei, briguei, reclamei e pedi desculpas pelas minhas fraquezas, pela minha soberba, pelas injustiças que eu cometia não apenas com os outros, mas principalmente comigo mesma... Não pedi mais nada, porque tudo o que eu precisava havia conseguido naquele papo: um alívio por me despir das pesadas armaduras que eu mantinha para mostrar uma força que não era a minha. Consegui enxergar as minhas fragilidades! Compreendi, então, que não precisamos de orações prontas, pois a melhor de todas é aquela que sai espontaneamente do coração. Esse é o canal de diálogo verdadeiro que criamos com Aquele que acreditamos nos escutar. Voltei ao início de tudo e lembrei o que a minha mãe me dizia: “nunca se esqueça de agradecer”!

Não sou religiosa (nunca fui!), mas mantenho comigo esse ensinamento. Rezar deixou de ser um ritual e passei a conversar quando, como e onde sentia vontade, com o Deus que, pouco a pouco, construí dentro de mim. Algumas vezes pensei que esse Deus fosse fruto da minha imaginação ou uma espécie de amigo imaginário. Movida pela razão, pensava que falava com a única pessoa que dava sentido para tudo, ou seja, comigo mesma e que tudo pertencia à minha própria capacidade de realização e materialização dos meus desejos e pedidos. Visitei muitos templos, conheci muitas ideologias e cheguei à conclusão de que não importa o caminho que escolhemos, de algum modo, todos eles nos levam ao mesmo Deus! Se em algum momento somos nós que realizamos nossos milagres, valeu à pena acreditar na existência dessa força maior.

Hoje não me esqueço de agradecer! Minhas orações são conversas que na visão de um leigo podem parecer meros monólogos, porém contém o discernimento de que nada na vida acontece num passe de mágica. Tampouco através de milagres! A vida já é o próprio milagre e é por isso que antes de começarmos qualquer oração, precisamos agradecer! Estar vivo é a materialização de todos os milagres e bênçãos!

Passamos por muitas dificuldades na vida, mas são elas que nos levam de encontro a esse Deus. Infelizmente, são nos momentos mais difíceis que paramos para reavaliar nossos atos e perceber o valor das coisas simples. Nesses momentos é que nos desfazemos de nossas manias de grandezas e nos despimos das falsas armaduras para encontrarmos toda a fragilidade que há em nós! E é aí que nos enxergamos verdadeiramente humanos! As orações que não saem apenas da boca, mas que transcendem ao coração são os diálogos francos que mantemos conosco! Nós somos nossas orações!

Hoje agradeço por tudo o que tenho! A cada dia uma nova porta se abre diante de mim e um mundo repleto de possibilidades me convida para diferentes descobertas. Mesmo com medo, aceito o convite! A cada nova descoberta encontro minhas respostas... Em cada resposta me descubro um pouco mais... E quanto mais me descubro, melhor compreendo o significado dos milagres, das orações e até mesmo de Deus!

Continuo agradecendo!

Jackie Freitas

“Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.”

(Victor Hugo)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Começar de Novo…

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012.

Um novo ano começou...

Para mim, a sensação só reafirma uma certeza: hoje é apenas um dia posterior a outro! Claro que não vou tirar a poesia e o romantismo do clima que nos envolve, ainda embriagados pelas promessas e esperanças de que tudo pode e irá mudar... Entretanto continuo firme em meu pensamento de que o calendário não promoverá mudanças que não nasçam interiormente e não representem a nossa verdadeira vontade.

É evidente que será sempre uma motivação ou um ponto de partida termos esse marco para começarmos tais mudanças, mas não podemos nos esquecer de que há um longo caminho a ser trilhado nos próximos 364 dias, que exigirá força e determinação contínuas para que as promessas sejam cumpridas.

O que queremos, afinal? Ser pessoas melhores ou ter coisas melhores? Quais são nossas metas e até onde somos capazes de ir para alcançá-las? O tempo corre veloz diante de nossos olhos e, muitas vezes, nem o sentimos por causa da pressa em somar conquistas e aí está um dos fatores que pode nos levar às frustrações... Queremos correr mais velozes que o tempo, lutando contra ele e, algumas vezes, atropelando os nossos próprios passos... Acabamos perdendo o sentido original das nossas lutas e todo o foco; então, quando acordamos, estamos novamente olhando para um ano que passou e tudo o que não realizamos... Recomeçamos o ciclo do desejo/promessas/metas...

Sabemos onde queremos chegar, mas, em algum momento, esquecemo-nos das razões que nos impulsionam assim como das nossas metas e de como chegaremos até elas!

Algumas mudanças não ocorrem sozinhas! Independem de nosso controle ou vontade, pois fazem parte do meio em que vivemos ou da contribuição de outras pessoas e precisam que nos moldemos a elas; contudo, as grandes mudanças são feitas pelas pequenas que ocorrem interiormente, por nosso empenho.

Há uma sensível diferença entre começar um ano novo e contabilizar dias. Contabilizamos quando apenas substituímos um calendário por outro e concebemos isso como mudança! Passamos rapidamente os olhos pelos dias que virão, contando feriados, planejando as próximas festas ou férias, mas esquecendo da ação principal: viver! Como viveremos os dias que virão? O calendário é estático, mas a vida é dinâmica, composta de dias que pedem para serem vividos com atenção para que aprendamos as lições da vida...

Começar um ano novo significa recomeçar, sem reposições, mas aplicando as experiências adquiridas pelos anos passados. Não nos tornamos pessoas novas e diferentes do dia para a noite, tampouco na contagem regressiva para os fogos de artifício. Transformamo-nos gradualmente durante todos os outros dias, vivendo uma vida real, sem efeitos de champanhe ou do espetáculo das sedutoras luzes denominadamente artificiais... Movidos pelo espírito da renovação e pelo valor do aprendizado. Se nada aprendemos, não mudamos... Se não reconhecemos a importância do aprendizado, não evoluímos... E, se não evoluímos não realizamos quaisquer mudanças. Ficamos presos no vácuo do tempo, com olhos fixos no calendário, aguardando, ainda em contagem regressiva, a chegada do próximo marco para que as velhas promessas nos pareçam novas.

Simbolicamente começamos um novo ano, mas o que ficou pendente ontem, ainda pede por soluções! Nada foi apagado ou mudou! Talvez nós tenhamos mudado... Não pelo efeito de algum milagre, mas por termos, finalmente, adquirido a consciência de que as mudanças acontecem todos os dias através de ações efetivas e não de calendários que criam pó e aguardam reposições...

Bom início de ano e que o novo não se limite apenas nele...

Jackie Freitas

“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

(Carlos Drummond de Andrade)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Adeus Morte!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011.

Despedidas são sempre complicadas, principalmente quando se trata de morte... Mas não para mim... Não neste caso...

Ontem eu fui a um velório. Não havia uma lágrima sequer contrastando o sorrateiro sorriso que o meu rosto exibia. Aliás, lágrimas não cabiam naquele momento... O que pude sentir foi um alívio, um sabor indescritível obtido através de uma espécie de libertação. Aquela vida que partia dava lugar à outra, cheia de esperanças e expectativas, ansiosa por descobrir o que há por detrás da grande cortina com infinitas possibilidades diante de si.

Hoje fui ao seu enterro... A marcha fúnebre pedia passos lentos, entretanto os meus aceleravam na medida em que o tempo me aproximava da promessa de uma nova fase. Levei flores para que o frescor da vida substituísse o cheiro da morte. Foi um gesto de agradecimento!

Hoje sepultei a mim mesma! Despedi-me daquela pessoa que estava doente, enfraquecida e prestes a morrer... Talvez eu seja uma assassina, mas precisei matar quem estava, lentamente, me matando! Era aquela pessoa ou eu! Na luta pela sobrevivência não nos resta muitas opções, principalmente quando desejamos a vida e não a morte, quando acordamos do coma que nos colocamos e percebemos o valor insubstituível da vida e daqueles que amamos.

Tomei todos os cuidados para que a despedida fosse digna, afinal, aquela pessoa que partia também havia me ensinado algo valioso, mesmo em seu leito de morte.

Isso se chama renascimento, queridos leitores, e se pararmos para pensar acontece conosco a todo o momento, em várias fases da vida. Por isso quis escrever e relatar o meu sepultamento, para que todos possam compreender que podemos dar vida à nossa própria vida, escutar aquela voz tímida ou distante que há em nós, pedindo atenção, cuidado, carinho... Pedindo que a deixemos ecoar para que acordemos do sono profundo, da letargia, da fraqueza e da doença da alma...

Muitas vezes acreditamos que são as outras pessoas ou a própria vida que tramam contra nós, desejando nossa morte; mas somos nós mesmos que empunhamos a arma letal e decretamos nossa sentença... Se não reagimos, padecemos e aí serão os outros que estarão em nosso velório e enterro... Não estaremos mais aqui para mostrar-lhes o quão bela é a nossa história e o quão exemplar e inspiradora ela pode ser...

Renasçamos quantas vezes forem necessárias! Expurguemos todo o desânimo e falta de fé que queiram se instalar em nós... Eles são corrosivos e com o tempo se transformarão numa doença que nos levará à falência. E a pior morte, acreditem, é aquela que começa em nossa alma e contamina nosso corpo. Tornamo-nos moribundos, vagando pela vida apenas a espera do momento derradeiro... Encostamos-nos a qualquer lugar, agonizando em dores e sofrimentos e começamos a desenhar nossa própria lápide.

Hoje foi a despedida daquela morte disfarçada de vida... Hoje dei adeus para alguém que tentava ser eu, mas que estava bem distante de ser quem eu realmente sou. Milagres, neste caso, não acontecem porque só depende de nós acordarmos a tempo...

Sobrevivi... Ou melhor, renasci! Mais uma vez e assim será quantas vezes forem necessárias para que a vida cumpra com o seu propósito. Claro que a morte chegará, mas será no momento certo... E ainda assim, tenho certeza, haverá muitas batalhas entre nós!

Antes de partir, dei uma rápida olhada na lápide que aquela “ex-vida” desenhava e pude ler apenas: “Aqui jaz...”. Completei:

Aqui jaz quem desistiu da vida.”

Essa pessoa não sou eu!

Jackie Freitas

“A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nos enquanto vivemos.”

(Pablo Picasso)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Errando, Aprendendo, Acertando… Vivendo!

domingo, 27 de novembro de 2011.

Cheguei à conclusão de que passamos mais tempo contabilizando erros do que reconhecendo os acertos. Já escrevi muito sobre escolhas, decisões e conseqüências, mas esse assunto é tão recorrente que não consigo deixar de abordá-lo. Para mim fica cada vez mais claro que colecionamos como troféus os erros cometidos, fazendo com que eles sejam as maiores justificativas da vida.

Se estivermos bem, os acertos passam despercebidos e quase são irrelevantes; enquanto, se estamos mal, os erros ganham um peso imensurável.

Hoje ouvi a seguinte pergunta: se em determinado momento tomássemos uma decisão diferente, que curso a nossa vida tomaria? Voltamos ao velho assunto escolhas, decisões e conseqüências... Não dá para saber o rumo que a vida tomaria a partir de uma escolha diferente. Talvez fosse melhor talvez pior ou, quem sabe, nos levaria exatamente ao ponto em que estamos? Não temos como saber!

Enquanto perdemos preciosos minutos contabilizando os inúmeros erros, fortalecemos o medo e nos fechamos para as tentativas; e são elas que nos permitem os acertos. Vou reforçar algo que já escrevi: erros são tentativas de acertos e os acertos são resultados do aprendizado que se dá, na maioria das vezes, através dos erros. Erros podem ser bússolas indicando novos caminhos, pois somente discernimos o que gostamos e queremos, quando experimentamos, exploramos e vivemos todos os tipos de situações, sendo elas boas ou não! São referências e opções que nos permitem fazer escolhas que transformarão nossas vidas.

A questão, para mim, é não ficarmos parados contabilizando ou olhando uma prateleira lotada de troféus e medalhas dos sofrimentos, erros e das quedas. Não podemos nos transformar em meras estatísticas de erros ou acertos. Somos o que somos porque acreditamos naquilo que escolhemos no momento em que escolhemos. Decidimos experimentar e trilhar por tais caminhos porque temos sobre nós o poder do comando de nossos atos, então, naturalmente, precisamos estar cientes de que sofreremos as suas conseqüências ou seremos contemplados com algo novo que mudará nossas vidas. Esse é o processo da vida: descobrimentos e aprendizados! Isso tudo é que nos renova!

Não precisamos carregar a preocupação em cada passo dado, dos acertos ou dos erros... Precisamos apenas deixar que a vida flua e nos permita a coragem do próximo passo, pois somente assim saberemos o que há adiante. Só crescemos após termos vivido um pouco da dor, da alegria, do sofrimento, do amor... E é assim que fazemos nossas escolhas, tomamos nossas decisões e enfrentamos todas as conseqüências... Errando ou acertando, a vida não nos permite regresso ao passado! É para frente que se segue e será lá, adiante, que nos encontraremos e faremos as mesmas perguntas. Se tivermos vivido destemidamente, com certeza, nesse encontro, teremos algumas respostas...

Jackie Freitas

“Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito para ser insignificante.”

(Augusto Branco)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Encontros, Desencontros e Reencontro…

domingo, 13 de novembro de 2011.

Por mais que estejamos certos de quem somos, há vezes em que nos perdemos totalmente e saímos em busca de nossa própria identidade.

É certo que estamos sempre renovando através do aprendizado, mas há também vezes em que retrocedemos e tornamos ainda mais longo o caminho trilhado. Por mais que saibamos quem e como devemos ser, perdemos o rumo...

Encontros e desencontros fazem parte da vida e, talvez, os maiores desvios desse percurso sejam aqueles que nos fazem distanciar de nós mesmos. Muitas vezes sabemos que determinado rumo nos levará a lugares já visitados (e não apreciados por nós), mas mesmo assim insistimos, através da teimosia, em olhá-los novamente. Não é a vida que nos testa, somos nós que nos desafiamos constantemente pela teimosia. Não queremos provar nada a ninguém, mas a nós mesmos que podemos transpor barreiras ou enveredarmos em lugares e sairmos sem quaisquer ferimentos. E aí, quando nos vemos machucados novamente, nos esbarramos nos arrependimentos... Eu mesma já cheguei até a culpar Deus! Como Ele, em sua suprema sabedoria permitiu que eu cometesse os mesmos erros? Sempre vem aquela voz interior e grita na minha consciência, lembrando-me do tal do livre arbítrio! Ah, bendito (ou maldito, já nem sei mais), tinha que ser você!

Estamos sempre buscando culpados e justificativas para nossos erros, mas esquecemos da principal busca, aquela inicial, que poderia nos dar muitas respostas: a de nós mesmos! Não acredito que nascemos apenas para sofrer e errar. De jeito nenhum! Tem que haver um meio termo, um equilíbrio entre o cair e levantar, errar e aprender, viver e sobreviver...

Enquanto não soubermos de fato quem somos, sairemos nessa expedição cega, cometendo todos os erros possíveis, ferindo nossa pele e alma, esgotando energias que poderiam ser melhores utilizadas.

É preciso parar! É preciso lutar contra nós mesmos, desafiando a própria teimosia, mesmo sendo teimosos com ela, buscando o tal equilíbrio e renovando as forças! É preciso alimentar o espírito de sabedoria, nutrir a alma de força de vontade e reencontrar a pessoa perdida.

Às vezes ela grita por socorro, mas não espera que ninguém mais a escute, exceto nós mesmos!

Jackie Freitas

“A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós.”

(Marcel Proust)

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Satisfações Sem Explicações…

segunda-feira, 7 de novembro de 2011.

Somos mestres do “achômetro”, mas nem sempre sabemos como utilizar a dose certa do “desconfiômetro”. Achamos muitas coisas a respeito dos outros e até de nós mesmos, queremos adivinhar os pensamentos das pessoas, suas intenções e impressões, mas na maior parte das vezes estamos vigilantes sobre o que elas pensam de nós e quais são as impressões que causamos a elas. Criamos uma espécie de dependência e parece que nos norteamos apenas baseados nas opiniões alheias. Somos, na maior parte das vezes, reféns de hábitos que criamos e aí passamos a culpar aos outros por isso!

Por que estou escrevendo isso? Estive ausente deste espaço por muitos dias e confesso que estava incomodada. O incomodo não era necessariamente por não estar aqui, mas pela necessidade em dar algum tipo de satisfação que justificasse a minha ausência... Ninguém me cobrou nada, mas bastaram algumas manifestações carinhosas e preocupadas com a minha ausência para que eu me colocasse em penitência e aflição e passasse a me sentir irresponsável e relapsa para com os outros. O tal do “achômetro” começou a consumir os meus dias e minhas noites...

Escrever, para mim, é uma arte que envolve estado de espírito, inspiração, vontade e acima de tudo disponibilidade para que o resultado me seja gratificante e não o reflexo de algumas tecladas rápidas para que a sensação de “dever cumprido” traga algum tipo de paz à minha consciência. É um comprometimento, antes de tudo, que assumo comigo! O que me incomodava era a manifestação exagerada do meuachômetro” em pensar justamente o contrário: que o meu comprometimento deveria ser maior para com os outros. E é nesse momento que a dose do “desconfiômetro” precisa ser injetada lentamente para mostrar que ninguém nos cobra nada senão nós mesmos! Somos nós os nossos próprios juízes e sentenciadores. Quando começamos a dar satisfações sobre nossos atos (ou a falta deles), talvez seja porque nos condicionamos a isso, impulsionados pelo “achômetro” e, quem sabe, movidos pela crença da essencialidade, acreditando piamente que os outros precisam de explicações e que se elas forem dadas, suas vidas mudarão. E não! As vidas seguem normalmente, com ou sem explicações! Há a estranheza, a preocupação, o sentimento da falta; mas isso tudo não impede ninguém de seguir adiante! Tudo é perfeitamente explicável e aceitável quando cada um faz o que quer em seu tempo e vontade. E tudo flui melhor quando a liberdade impera.

Ninguém deve sentir-se preso a nada! Nem às pessoas e nem aos hábitos. Reciclar é saudável, mudar de ares também. Às vezes é preciso recuar! Aprendi isso na vida e sei que quando retornamos temos uma visão diferente e nos permitimos corrigir algumas falhas, promovemos mudanças que refletirão significativamente em nosso futuro. Quando estamos presos aos hábitos e, automaticamente, envolvemos outras pessoas a eles, deixamos de nos comprometer com a fluidez da vida. Tornamo-nos reféns de uma idealização e não colocamos em prática o espírito desbravador da liberdade.

Pode parecer sem sentido esse texto, mas tenho certeza que muitos compreenderão a essência da mensagem que quero passar nele.

Enquanto estivermos comprometidos conosco e seguirmos os caminhos que nos levam às novas descobertas, estaremos cumprindo com um propósito maior e que poderá, através da experiência, ajudar muito mais (a nós e aos outros) do que simples hábitos que, com o passar do tempo, se tornarão meros pilotos-automáticos da vida.

Jackie Freitas

“As coisas não mudam, nós é que mudamos. O início de um hábito é como um fio invisível, mas cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação.”

(Orison Swett Marden)

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O Começo para o Recomeço

sábado, 15 de outubro de 2011.

Dia desses, vi uma chamada na TV que dizia: “Quando pensamos que a vida chegou ao fim, ela está apenas recomeçando...” E é assim que começarei a minha chamada para o resgate da autoestima, do amor e da vida!

Não existe vida sem problemas, sofrimentos ou tristezas... Talvez para nós, eternos descontentes e insatisfeitos, se ela fosse composta apenas de momentos suaves e tranquilos; exigiríamos dela ação e movimento, desafios e riscos. E é isso que ela, na sua complexidade, nos oferece diariamente. Nem todos estão preparados para enxergar a sua face dura e transpor as inúmeras barreiras que surgem. Cada um reage conforme a capacidade própria de enfrentar ou fugir dos problemas. Fuga, com certeza, não é uma boa opção!

Podemos estar em qualquer lugar do planeta que muitos de nossos problemas nos acompanharão. Isso porque boa parte deles está dentro de nós, desafiando-nos e cobrando soluções para que provemos o nosso crescimento e aprendizado naturais da vida.

Qualquer tipo de vício é uma forma de alimentarmos essa fuga! Inicialmente ela acontece para oferecer-nos algum tipo de conforto ou desculpa. Com o passar do tempo, esse conforto nos deixa “confortavelmente” alienados e isentos dos próprios problemas e os mesmos são repassados àqueles que amamos e que nos amam. Na verdade, nos tornamos o problema!

Lutas são travadas, lágrimas derramadas, noites de sono perdidas e preces intermináveis se tornam rotina na vida daqueles que sofrem e convivem com esse drama. De um lado o viciado; consciente, porém enfraquecido diante de seu vício e, do outro, os entes queridos e amigos, doando todo o amor e esperanças possíveis para resgatarem alguém que amam desse mundo tão tenebroso.

Sempre digo que o princípio de cura para um viciado só acontece quando o próprio se reconhece doente e precisando de ajuda! Isso quer dizer que esse tipo de cura acontece de dentro para fora, através da consciência! E não é nada fácil, eu sei! O amor e apoio daqueles que nos cercam são fundamentais para que esse caminho doloroso seja revertido e superado. Não há cura sem amor e não há, também, cura sem vontade e força para que esse obstáculo seja vencido! Lembremos que quem comanda a própria vida somos nós e o vício é apenas um parasita que se instala em nossa alma e nos faz perder o rumo. Mas sabemos o caminho de casa... Talvez estejamos apenas sem forças para chegar lá! O vício jamais pode nos dominar, tornando-se maior do que nós! Somos grandiosos e temos poder para eliminá-lo! Nunca é tarde para esse despertar! A vida nos oferece oportunidades e exemplos a todo instante e só precisamos estar atentos e receptivos para que as mudanças nos tirem do ponto em que estamos e nos levem para outro melhor! É preciso coragem e determinação para dar esse passo, mas ele é possível!

Chico Xavier, em uma de suas célebres e sábias mensagens, disse: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Eu acredito nisso e tenho certeza que a hora para o recomeço depende apenas de nós! Aos viciados e aos que convivem com eles, digo: apóiem-se mutuamente! Doem o máximo de amor, tenham paciência porque o processo é lento e o caminho muito longo; porém, no final de tudo, a bênção do resgate de uma vida, fará com que tudo tenha um significado maior e gratificante. Não há caminho sem volta, há apenas desistências no meio dele. Então, não desistam de si e nem da vida; desistam do vício que os impede de viver! Amigos e parentes: não desistam de quem amam! Acreditem no amor como o maior sentimento transformador da vida. Ele promove o bem e resgata vidas!

Como escrevi no início, “Quando pensamos que a vida chegou ao fim, ela está apenas recomeçando...” E é essa a minha chamada para o seu recomeço!

Acreditem, já vivi no inferno do vício e saí dele com muita dignidade, cercada de amor e braços que me acolheram no momento de restauração da minha alma! Sou uma pessoa feliz e retribuo em felicidade aos que me deram esse voto de confiança e apoio! Em agradecimento diário, ofereço-lhes meu melhor sorriso e todo o amor que há no meu coração.

Meu nome é Jackie Freitas e por hoje estou curada! Cada dia é um passo que dou com amor à minha vida e na direção daqueles que amo! Tenho muito a aprender ainda, mas com paciência e humildade, peço todos os dias serenidade para que eu consiga “... aceitar as coisas que não posso modificar; coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para conhecer a diferença entre elas...” (Oração da Serenidade).

Vivam um dia por vez e façam dessa luta, uma aliança consigo e com Deus! Esse é o recomeço... e não o fim!

Jackie Freitas

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Vida Abreviada

sábado, 8 de outubro de 2011.

Esses dias, bem perto do trabalho do meu marido, uma mulher se jogou do alto de uma ponte e morreu... Conversando aqui em casa, tentávamos entender as razões que levam uma pessoa a interromper a sua passagem (que já é curta) nesta vida e continuamos com as muitas interrogações inundando os nossos pensamentos. Por mais que tenhamos nossas respostas e razões para nos mantermos firmes e resistentes na vida, há quem pense e aja de formas contrárias. Dizer que são fracas nos parece o melhor modo de defini-las, mas é preciso ter cautela nos julgamentos...

Sou uma defensora ardorosa da vida e procuro fazer com que as outras pessoas vejam a mesma beleza que vejo (mesmo que por ângulos diferentes), que encarem os obstáculos como desafios instigadores e não desestimulantes, que respeitem o tempo de plantio e colheita; e, quando tudo parecer desmoronar, que se permitam renascer... mesmo que das cinzas...

Contudo, nem sempre temos o poder de fazer com que as pessoas encontrem em si mesmas essa força (muitas vezes oculta, mas presente em cada um de nós) e se mantenham em pé, dando um passo de cada vez, seguindo adiante e fazendo descobertas importantes e que dão um sentido maior à vida!

Há um grande paradoxo, em minha opinião, nos suicidas. São corajosos, pois tirar a própria vida exige muita coragem! Entretanto são covardes, porque desistiram do maior bem que qualquer ser possa ter – a vida! E abreviaram suas histórias... Deixaram lacunas, interrogações e tristezas para os que ficaram. Agiram no ímpeto do desespero e egoísmo! Pensaram apenas em si e se recusaram a persistir! Talvez até tenham sinalizado aos outros as suas angústias e aflições, mas será que tiveram humildade suficiente para admitirem que necessitavam de ajuda? Ficaremos aqui com muitas perguntas e quase nenhuma resposta... Ficaremos com os julgamentos... Lamentaremos e nos questionaremos se estivemos atentos e solícitos, mas não saberemos nunca até que ponto a determinação em morrer era maior que a de viver...

Eu fico aqui, perplexa com essa força contrária. Quando vemos alguém praticando o mal, costumamos dizer que se a mesma energia fosse empregada para o bem, o mundo seria muito melhor! Na mesma linha, se a vontade de viver fosse mais forte e não sucumbisse propositalmente à morte, teríamos um mundo melhor e com pessoas muito mais gratas!

Temos o livre arbítrio, temos o poder de escolher e decidir nossos caminhos, mas, acima de tudo, temos o dever de cuidar da vida! Muitos acreditam que passamos pela experiência da vida várias vezes! Que nascemos, morremos e reencarnamos... De qualquer forma, cada vida é única e preciosa, então por que não viver com sabedoria e amor próprio, extraindo dessa experiência as maiores e melhores lições? Por mais problemas e desesperos que uma pessoa possa ter, há sempre uma saída. E há pessoas dispostas a ajudar, a atenuar sofrimentos, a estender uma mão amiga e solidária! Basta querer, de fato, receber ajuda e, o mais importante, é preciso querer viver com intensidade!

Todas as vezes que enfrentei problemas difíceis em minha vida, me fortaleci no seguinte pensamento: “Deus pode fechar uma porta e até mesmo as janelas, mas se olharmos para cima, Ele nos abrirá um grande teto-solar para podermos enxergar a grandeza da vida!”. Sempre funcionou comigo e tenho certeza que, se olhar para cima, você enxergará essa grandeza também!

Jackie Freitas

Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez.

(Dalai Lama)

Recomendo como reflexão e aprendizado, o maravilhoso texto - Depressão, escrito por minha amiga Marcela Gonçalves e publicado em seu blog Para Garotas que Querem se Casar. Muitas de nossas dores crescem na tormenta de nossos sofrimentos e se não tivermos forças para reagir a elas, comprometemos o nosso bem maior: a vida! Boa leitura!!

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Errar é Humano; Persistir nos Erros, Não!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011.

Tenho observado muitas pessoas andando de cabeça baixa e ombros caídos, com semblantes cansados e preocupados, em busca de uma luz no final do túnel... Percebo que boa parte delas carrega nos ombros o fardo dos erros cometidos e se culpam, lamentam, se condenam e se torturam...

Sabemos que errar faz parte e, particularmente, penso que na maioria das vezes os erros são tentativas de acertos, mas há diferentes formas de se lidar com eles.

Há uma grande diferença entre reconhecer um erro e conformar-se com ele! Quando reconhecemos que erramos, nos abrimos ao aprendizado e, acima de tudo, exercitamos nossa humildade. Nesse caso os erros se tornam oportunidades de enxergarmos por novos ângulos e passam a ser tentativas de acertos. Buscamos outro modo de agir! Quando apenas nos conformamos com os erros, nos entregamos em derrota, acreditando literalmente que “errar é humano” e que faz parte de nossa natureza imperfeita. De certa forma é isso mesmo, entretanto, não podemos nos limitar a um único caminho e ter uma visão tão simplista e cômoda. Não há evolução alguma quando aceitamos os erros e os absorvemos como fracassos. Se não houver interesse em buscar outras alternativas e respostas, andaremos em círculos, cometendo os mesmos erros (sempre); empacados na teimosia, ignorância e covardia. Sim, covardia! Porque a vida é um desafio constante e pede que a enfrentemos de cabeça erguida, sem fugas ou desculpas...

No final das contas não há problema algum em errar! Erraremos sempre porque é assim que as descobertas surgem; inclusive aquelas sobre nós mesmos. O erro só passa a ser um problema quando nos rendemos a ele e não lutamos para fazer diferente! Por isso afirmo que o primeiro passo (importante) é saber reconhecer o erro e, diferentemente de apenas aceitá-lo, buscar alternativas para mudá-lo. Não o teremos mais nos ombros como um fardo pesado, que dificulta o caminhar. É só olhá-lo como uma das muitas oportunidades de aprendizado e crescimento e notar as diferenças da vida sob novos ângulos e perspectivas.

Imprescindível, também, nesse processo é saber perdoar-se! Não podemos carregar conosco uma culpa eterna e impedirmos a expansão dos nossos conhecimentos.

Não se esconda atrás do clichê: “errar é humano”! Não use isso como justificativa para o seu desinteresse em superar-se e vencer os seus desafios! Existem outras ações, também humanas, e que são pouco exercitadas. Conheça-as! Buscar a melhor desculpa nos faz andar em círculos, persistindo nos mesmos erros, mas não nos leva ao próximo estágio!

Alivie o seu semblante, endireite os ombros, erga a cabeça! Olhe adiante e veja o caminho que tem pela frente. Tem pedras nele? Muitas! Você irá tropeçar, cair e talvez até se machucar, mas o importante é não se acovardar e privar-se dessa vida cheia de desafios e surpresas. Há sempre recompensas impagáveis que só conheceremos se prosseguirmos com determinação. Na trajetória, cometeremos inúmeros erros, porém eles podem apenas ser respostas das escolhas feitas. Isso também faz parte da vida! Reconheça, aprenda e mude! Lá na frente, tudo pode mudar, simplesmente porque você se permitiu uma nova rota... No caminho você encontrará algumas pessoas cansadas e sentadas... Estas estão conformadas com os erros e, medrosas, decidiram não prosseguir! Ficarão ali, abraçadas com os erros e justificando a todos que “errar é humano”! Enquanto isso, você segue adiante, provando que errar é, sim, humano; mas, persistir nos erros, não!

Para complementar esse texto, gostaria de recomendar a excelente publicação da minha querida e admirável amiga e escritora Mary Miranda, Aprendendo a me Perdoar. Há muitas reflexões nesse texto e é, certamente, um convite a um dos mais difíceis exercícios humanos: o auto-perdão! Boa leitura!

Jackie Freitas

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Mentira ou Verdade?

domingo, 25 de setembro de 2011.

A mentira não é a ausência da verdade... E a maior verdade existente na mentira é aquela que desnuda a face e a consciência de quem mente.

Mentira é uma manipulação arbitrária e egoística, onde histórias são recriadas para beneficiar uma única pessoa: o mentiroso.

De modo simples pensamos que não existem razões para mentir e que a verdade sempre será capaz de corrigir erros, desfazer enganos e preservar os princípios... Mas onde ficam os princípios quando as pessoas mentem por quaisquer razões ou até mesmo para protegerem-se de si mesmas?

Outro dia escutei alguém dizer que uma única mentira, mesmo que pequena, é capaz de mudar uma vida. Acredito nisso! A mentira é o atalho que parece seguro, mas que pode nos levar a caminhos mais longos e difíceis, afinal, sustentá-la exige esforços intermináveis, pois a mentira só consegue se alimentar de outra mentira! E seu apetite é insaciável, tendendo sempre a aumentar.

Pessoas se tornam escravas de suas mentiras e a maioria não se dá conta de que as chaves para a libertação estão na verdade. Sim, é preciso percorrer o caminho de volta e retomar o início de tudo para descobrir onde a verdade fora perdida e em qual curva do caminho a deixamos partir; porém é assim que reconquistamos a paz de espírito que nos permite andar novamente de cabeça erguida e sem qualquer medo.

Aqui em casa dizemos que a mentira é um artifício que, aparentemente, atenua sofrimentos, mas que seu efeito é justamente o contrário: o de prolongar todos os tipos de sofrimentos!

Por mais que doa, não tenha medo de dizer a verdade! A sua consciência é que deve prevalecer no final das contas. Ninguém é perfeito e todos nós estamos sujeitos aos inúmeros erros na vida; contudo, a verdade, mesmo que traga desgastes, ainda é o preço mais justo a ser pago.

A mentira, como dizem, tem pernas curtas e acaba se tornando nossa própria armadilha. Uma pessoa pode conseguir mentir para uma, duas, três... mas não consegue mentir para todo mundo ao mesmo tempo, então, é preciso tomar cuidado para que a mentira não crie forças incontroláveis e se torne um aparente habitat seguro.

Não deixe que a mentira molde o seu caráter ou a sua personalidade. Enfrente-a! Olhe para ela com superioridade e mantenha consigo o escudo da verdade. Somente com verdade compreendemos o respeito pelos outros e, principalmente, por nós mesmos. É a verdade que nos permite o sono dos justos... É ela que nos mantém acordados para a realidade e, por mais difícil que qualquer realidade seja, ainda assim é com o auxílio da verdade que nos tornamos valentes para a vida. A mentira é um remédio que jamais cura as dificuldades da vida, ao contrário, ela apenas aumenta as dores e provoca feridas profundas.

Nunca subestime quem recebe a mentira, porque no final de tudo, a única pessoa a pagar por ela é você mesmo! Como dizia Renato Russo: mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira!

Jackie Freitas

Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.”

(Mahatma Gandhi)

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Nada Dura Para Sempre

domingo, 4 de setembro de 2011.

Pra quê querer que as coisas durem para sempre se nós mesmos não duramos? Vinicius de Moraes, quase como numa prece, falou do amor eternizado no coração e nas lembranças em seu Soneto de Fidelidade. Quem não conhece a célebre frase: “... que seja infinito enquanto dure.”? Pois bem, eternizamos enquanto existimos, enquanto lembramos, enquanto temos o carinho de manter conosco tudo aquilo que nos fez e faz bem! Também é verdadeiro que muitos carregam para sempre dentro de si o que não fez bem e se encarregam de manter vivo na lembrança o sofrimento e, assim, padecem lentamente...

Se não temos a poção da imortalidade, por que não manter no coração as boas lembranças, fazendo com que cada minuto da existência seja motivo de celebração e agradecimento?

Costumamos dizer que a vida é uma viagem e que estamos aqui apenas de passagem. Mesmo que essa viagem não tenha sido planejada e nos sintamos aventureiros, vale à pena apreciar a paisagem! Nossa memória funciona como uma máquina fotográfica e é por isso que cada momento vivido fica registrado. Tal qual numa viagem, fotografamos aquilo que queremos guardar conosco, simbolizando o prazer e a felicidade desfrutados. Nada dura para sempre, mas as lembranças permanecerão conosco enquanto vivermos.

Todos nós queremos vivenciar experiências memoráveis e enxergamos no sofrimento algum tipo de injustiça ou penalização por mau comportamento ou pelos passos errados; quando na verdade isso tudo também faz parte do processo de aprendizado. Assim como não vivemos cem por cento do tempo apenas sorrindo, não podemos passar nossa existência chorando ou lamentando as quedas e os tropeços. Fechar as portas é como manter-se trancado em si mesmo, impossibilitando o surgimento das perspectivas. E são elas que nos farão descobrir novos solos e horizontes que acrescentarão momentos únicos e que ficarão eternizados em nossa memória.

Acreditar que as fases ruins não são passageiras é entregar-se ao conformismo e aceitar uma vida insípida, que não se recicla e nem se transforma. Acho que um dos nossos desafios é contrariar essas leis da improbabilidade e fazer das lágrimas um novo tempero para dar sabor à vida. No início pode parecer amargo, mas com doses de otimismo encontramos um sabor duradouro de felicidade e gratificação.

Entretanto, não devemos nos iludir, porque nem mesmo esse sabor permanecerá para sempre em nossa boca! Quando o seu gosto estiver se distanciando das lembranças, é hora de buscar um novo tempero e testar novas receitas!

Nada dura para sempre! Os sofrimentos passam, mas não significa que não voltem; as alegrias parecem que passam, mas na verdade apenas mudam de forma e nós... também não duramos para sempre, mas carregamos conosco o que queremos de melhor ou pior e é isso que ficará eternizado enquanto permitirmos que o nosso infinito dure!

Jackie Freitas

“Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata...”

(Carlos Drummond de Andrade)

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Uma Festa Especial – Vida

segunda-feira, 15 de agosto de 2011.

Que floresçam os jardins da vida! Que os cantos dos pássaros ecoem suas melodias nos corações tristes. Que as luzes do Sol iluminem as mentes de pouca fé!

Nosso solo é fértil e só precisamos de amor e paciência como adubo. A grande maioria diz que viver é difícil, como se a vida fosse uma missão imposta, onde sobreviventes precisam manter suas feridas abertas para que lembrem suas batalhas e, assim, tornem-se heróis de suas histórias! Eu acredito que o difícil não seja o viver, mas o devastador abandono de si mesmo em vida. E aí, a nossa maior tarefa (e essa sim é árdua e cansativa) se torne o ressuscitar da alma e dos sentimentos...

Por muitas vezes caminhamos tateando na escuridão imposta por nossa própria cegueira. Em busca de quê? Nem nós mesmos sabemos e quando o lampejo surge, somos tomados pela amnésia que entorpece nossos sentidos.

Seguimos por um caminho desconhecido e quando encontramos um pouco daquilo que fomos, perdemos propositalmente o fio e não reconhecemos ali o que havia de nós...

Seguir adiante é uma meta, um chamado para que não nos percamos novamente... Porém, de nada adianta o prosseguir se mantivermos as feridas incuráveis. De nada adianta a busca pela cura se não enxergarmos em nós a capacidade do fortalecimento!

Tenho comigo que somos nossos maiores sabotadores... Somos nós que impedimos a passagem da luz, somos nós que bloqueamos nossos sentidos para o sentir...

Viver não se resume no respirar. Viver exige de nós o exercício de todos os órgãos, de todos os sentidos, de todos os sentimentos... Seja de amor ou de ódio, de alegria ou tristeza; viver é uma celebração constante, onde somos anfitriões e convidados ilustres.

Enquanto a festa da vida toca em alto e bom som todas as suas músicas e mostra todas as suas cores, precisamos abandonar nossos trajes de luto e vestir nossas melhores vestes...

O banquete está servido e nos convida a saboreá-lo! A festa é nossa! Para nós!

Viva a vida!

Jackie Freitas

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”

(Charles Chaplin)

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Renovação e Renascimento

sexta-feira, 5 de agosto de 2011.

Quase sempre escrevo sobre renovação e renascimento porque acredito, e é comprovado, que temos condições para isso! Tudo, sem dúvida alguma, está diretamente ligado com a predisposição de enxergarmos a nossa própria vida de modo inovador, onde as coisas são realizáveis e não imaginárias. A mente e seu poder agem construtivamente, se assim quisermos.

Muitas vezes é preciso que as peças sejam desmontadas ou reconfiguradas para que tenhamos um novo panorama. Queremos ser pessoas novas sempre, mas não abrimos mão do pesado histórico que carregamos. E creio que esse seja um dos empecilhos para a nossa reconstrução. Numa analogia bem simples, vejo isso tal qual ao nosso guarda-roupa. Adquirimos peças novas e vamos abarrotando-o, mesmo sabendo que há ali peças que não nos sirvam mais. Guardamos por saudosismos diversos ou por dó em nos livrarmos delas. Temos apego emocional (nem tanto material) por tudo que faz parte de nossa história. Cada peça lembra uma passagem de nossa vida e não importa se as lembranças são boas ou ruins, queremos ter o que lembrar... É assim que alimentamos nossa alma e justificamos nossa existência. Queremos ser vencedores e não escritores de nossa própria história ou apenas sobreviventes das circunstâncias... Nada de errado, aparentemente, entretanto, com isso, aprofundamos nossas raízes e esquecemos-nos de podar as folhagens... E elas só se renovam e ganham vida quando eliminamos as que estão velhas e danificadas.

Nossa reconstrução está paradoxalmente ligada à desconstrução. Precisamos rever e nos livrar de tudo que não nos serve mais, daquilo que está velho e incompatível com nosso crescimento. Há momentos em que crescemos mais rápido do que nossos próprios conceitos! E é aí que o momento de renovar se faz necessário! Hora de ampliar os horizontes e olhar a vida de forma mais grandiosa.

Obviamente que a mudança deve ocorrer alinhada com nossa verdade e essência, afinal temos que mudar para nós e não pelos outros. Não se trata de “inventar” uma nova pessoa, mas sim em transformar aquela já existente em nós, muitas vezes esquecida ou mal cuidada. Isso representa respeito, atenção e carinho para conosco! Não precisamos esperar dos outros algo que nós mesmos somos capazes de nos oferecer! A maior gentileza de todas parte de nós mesmos e só conseguimos enxergar o mundo de modo gentil se primeiramente nos olharmos gentilmente.

Por isso, antes de querermos ser apenas “pessoas novas”, olhemos para os excessos desnecessários, façamos uma faxina e nos livremos de tudo que não nos serve mais. Renasçamos dando espaço para o novo, mas olhemos também de modo novo! As pecinhas podem estar espalhadas por todos os lados e aí só precisamos remontá-las, colocando-as em seus devidos lugares. O “velho” pode se transformar em novo, desde que olhemos para ele com suavidade. Se não nos servir mais, é hora de renovarmos; porém sem deixar de agradecê-lo, afinal, chegamos até aqui com a ajuda dele...

Há muito espaço em nosso guarda-roupa... Só precisamos aposentar nossas velhices e dar oportunidades para as coisas novas. E a cada dia muitas novidades surgem, convidando-nos para o renascimento!

Abramos bem os olhos e a mente! Quanto mais acreditarmos em nós e quanto mais gentileza acrescentarmos, capacitaremos nossa mente a agir com força e poder sobre nossa vida.

As realizações renascerão juntamente conosco!

Bem vinda vida nova!

Jackie Freitas

“A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente.”

(Soren Kierkergaard)

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