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O Começo para o Recomeço

sábado, 15 de outubro de 2011.

Dia desses, vi uma chamada na TV que dizia: “Quando pensamos que a vida chegou ao fim, ela está apenas recomeçando...” E é assim que começarei a minha chamada para o resgate da autoestima, do amor e da vida!

Não existe vida sem problemas, sofrimentos ou tristezas... Talvez para nós, eternos descontentes e insatisfeitos, se ela fosse composta apenas de momentos suaves e tranquilos; exigiríamos dela ação e movimento, desafios e riscos. E é isso que ela, na sua complexidade, nos oferece diariamente. Nem todos estão preparados para enxergar a sua face dura e transpor as inúmeras barreiras que surgem. Cada um reage conforme a capacidade própria de enfrentar ou fugir dos problemas. Fuga, com certeza, não é uma boa opção!

Podemos estar em qualquer lugar do planeta que muitos de nossos problemas nos acompanharão. Isso porque boa parte deles está dentro de nós, desafiando-nos e cobrando soluções para que provemos o nosso crescimento e aprendizado naturais da vida.

Qualquer tipo de vício é uma forma de alimentarmos essa fuga! Inicialmente ela acontece para oferecer-nos algum tipo de conforto ou desculpa. Com o passar do tempo, esse conforto nos deixa “confortavelmente” alienados e isentos dos próprios problemas e os mesmos são repassados àqueles que amamos e que nos amam. Na verdade, nos tornamos o problema!

Lutas são travadas, lágrimas derramadas, noites de sono perdidas e preces intermináveis se tornam rotina na vida daqueles que sofrem e convivem com esse drama. De um lado o viciado; consciente, porém enfraquecido diante de seu vício e, do outro, os entes queridos e amigos, doando todo o amor e esperanças possíveis para resgatarem alguém que amam desse mundo tão tenebroso.

Sempre digo que o princípio de cura para um viciado só acontece quando o próprio se reconhece doente e precisando de ajuda! Isso quer dizer que esse tipo de cura acontece de dentro para fora, através da consciência! E não é nada fácil, eu sei! O amor e apoio daqueles que nos cercam são fundamentais para que esse caminho doloroso seja revertido e superado. Não há cura sem amor e não há, também, cura sem vontade e força para que esse obstáculo seja vencido! Lembremos que quem comanda a própria vida somos nós e o vício é apenas um parasita que se instala em nossa alma e nos faz perder o rumo. Mas sabemos o caminho de casa... Talvez estejamos apenas sem forças para chegar lá! O vício jamais pode nos dominar, tornando-se maior do que nós! Somos grandiosos e temos poder para eliminá-lo! Nunca é tarde para esse despertar! A vida nos oferece oportunidades e exemplos a todo instante e só precisamos estar atentos e receptivos para que as mudanças nos tirem do ponto em que estamos e nos levem para outro melhor! É preciso coragem e determinação para dar esse passo, mas ele é possível!

Chico Xavier, em uma de suas célebres e sábias mensagens, disse: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Eu acredito nisso e tenho certeza que a hora para o recomeço depende apenas de nós! Aos viciados e aos que convivem com eles, digo: apóiem-se mutuamente! Doem o máximo de amor, tenham paciência porque o processo é lento e o caminho muito longo; porém, no final de tudo, a bênção do resgate de uma vida, fará com que tudo tenha um significado maior e gratificante. Não há caminho sem volta, há apenas desistências no meio dele. Então, não desistam de si e nem da vida; desistam do vício que os impede de viver! Amigos e parentes: não desistam de quem amam! Acreditem no amor como o maior sentimento transformador da vida. Ele promove o bem e resgata vidas!

Como escrevi no início, “Quando pensamos que a vida chegou ao fim, ela está apenas recomeçando...” E é essa a minha chamada para o seu recomeço!

Acreditem, já vivi no inferno do vício e saí dele com muita dignidade, cercada de amor e braços que me acolheram no momento de restauração da minha alma! Sou uma pessoa feliz e retribuo em felicidade aos que me deram esse voto de confiança e apoio! Em agradecimento diário, ofereço-lhes meu melhor sorriso e todo o amor que há no meu coração.

Meu nome é Jackie Freitas e por hoje estou curada! Cada dia é um passo que dou com amor à minha vida e na direção daqueles que amo! Tenho muito a aprender ainda, mas com paciência e humildade, peço todos os dias serenidade para que eu consiga “... aceitar as coisas que não posso modificar; coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para conhecer a diferença entre elas...” (Oração da Serenidade).

Vivam um dia por vez e façam dessa luta, uma aliança consigo e com Deus! Esse é o recomeço... e não o fim!

Jackie Freitas

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Mania de Perseguição

quarta-feira, 20 de abril de 2011.

Estamos cercados e aprisionados! Muros são criados em defesa contra os preconceitos, desconfianças e intolerâncias. A raiva, solidão e exaustão ficam armazenadas e a qualquer momento, prontas para serem colocadas para fora... Vivemos num cárcere emocional e, com isso, o mundo tem abrigado pessoas doentes... De algum modo, mesmo sem querer, fazemos parte disso.

Pare! Relaxe um pouco, você não está sendo perseguido e qualquer cobrança que o obrigue à perfeição, acredite, ela parte de você mesmo e não necessariamente dos outros!

A Mania de Perseguição é uma doença associada a um tipo de esquizofrenia em que a pessoa se sente alvo constante de ataques, intrigas e complôs. E nem faça cara de assustado, pois você pode sofrer dessa doença também!

É muito comum as pessoas quererem agradar a todos e quando elas sentem que isso (obviamente) não é possível, entram num estado de defesa que as coloca como vítimas de um grupo, das circunstâncias e da própria vida! Acredito que muitos de nós já deparamos com alguém que enxerga inimigos e armadilhas por todos os lugares... Os psicólogos dizem que a desconfiança é algo saudável, mas se for exagerada, se torna altamente prejudicial à pessoa e àqueles com quem ela convive.

Não é difícil perceber que esse tipo de doença tem relação com baixa auto-estima ou com o estresse que pode, entre outros fatores, ser causado pelo excesso de trabalho. Pessoas sobrecarregadas deixam de cuidar de si mesmas e absorvem o peso do mundo em seus ombros. São mártires psicopatas! Assumem uma responsabilidade além da sua capacidade e, com isso, se colocam em segundo plano, deixando vir à tona todas as suas frustrações. Por mais que façam, não se sentem boas o bastante, passam a cobrar muito de si mesmas e começam a enxergar boicotes por todos os lados. O tempo se torna o seu pior inimigo e, com ele, as pessoas que as cercam... Qualquer aproximação é vista com desconfiança e a síndrome da perseguição entra em ação, fazendo com que se coloquem na defensiva e, muitas vezes, em ataque!

Acredito que pessoas assim passem boa parte do tempo procurando intrigas e inimigos. Se elas mesmas desacreditam da própria capacidade, quem pode provar o contrário? Nesses casos o isolamento é a pior resposta para elas, pois isso reafirma seus medos e inseguranças, transformando em certezas aquilo que é criado apenas por suas mentes... Pessoas que vivem o tempo todo se desculpando por seus atos têm grandes chances de estarem armazenando dentro de si um enorme monstro que, cedo ou tarde, sairá para assombrá-las e, ainda, aterrorizar a quem estiver em sua volta.

Apesar de observar que o mundo moderno contribui para que as pessoas se isolem cada vez mais por medos e inseguranças (afinal as tragédias divulgadas diariamente nos chocam), a mania de perseguição tem a sua origem na fraqueza do ser e na auto-estima mal cuidada. Evidentemente que o meio externo influencia e potencializa essa doença, entretanto, é preciso (como em qualquer doença) reconhecer-se doente. O termo Um por todos e todos por um! transforma-se em “Um contra todos e todos contra um!”...

A frase tão difundida pela obra de Alexandre Dumas, Os Três Mosqueteiros, em sua essência tem como objetivo provar que através da lealdade e da coragem, a amizade entre os homens torna-se invencível! Portanto, só enxergamos inimigos em nosso campo quando não temos coragem para permitir a aproximação de amigos, quando não somos leais com a vida... O mal só cerca àqueles que não conseguem interpretar a bondade, e, muitas vezes, ela é tão explícita que parece mais fácil desconfiar dela do que dar um voto de confiança. Impossível viver em paz em mundo cercado por inimigos e perigos iminentes!

Todos nós temos nossas inseguranças e medos, porém eles não podem ser maiores do que nós! Viver aprisionado no medo e na desconfiança plena só fará com que a vida seja uma batalha maior do que é de fato.

Por isso, se você se sente perseguido e rodeado por sabotadores, pare e reflita se o seu maior inimigo sabotador não é você mesmo! As armadilhas podem estar espalhadas no campo minado de sua mente e aí, não se trata de todos estarem contra você, mas sim de você, contra si mesmo!

Jackie Freitas

“Hoje, não poderia conceder demais à minha desconfiança, visto que, agora, não é tempo de agir, mas apenas de meditar e de conhecer.”

(René Descartes)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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O Meio, Fim e Recomeço… Obrigada Curitiba!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010.

Hoje quero compartilhar o meu pensamento e agradecimento...

Quantas vezes não nos pegamos em retrospectivas, avaliando atos e decisões que deram um rumo diferente em nossa vida? E quantas, dessas vezes, não pensamos em poder voltar ao passado e termos a chance de fazer tudo diferente? Um recomeço ou uma segunda chance, são desejos que temos quando olhamos para trás e sentimos que algo melhor poderia (e deveria) ser feito, mas que no ímpeto de nossa ansiedade, seguimos por um caminho oposto ao que realmente queríamos... Podemos amargar no inferno ou apenas vivermos no paraíso das conseqüências de nossas decisões.

Eu posso falar por mim e sei o que é oscilar entre esses dois mundos. Entretanto, graças a Deus, sempre fui abençoada com oportunidades de recomeços. Modificar o passado nunca me pareceu idéia viável, mas tê-lo como referência para meu próprio crescimento, sim. E é assim que quero fazer o meu agradecimento...

Quando me mudei para Curitiba, fugia de um passado. Na verdade fugia de mim, pois eu era a minha maior inimiga. Virava as costas não apenas para as oportunidades, mas para a minha própria vida, que sempre insistia em ser generosa e eu a desperdiçava como se os anos, as bênçãos ou Deus me protegeriam para sempre. Mas, ao contrário de tudo, o que eu fazia era apenas entrar num caminho que parecia nunca mais ter volta. Então, o poder do aQuebra-cabeçasmor, grande transformador, me resgatou do inferno e me ofereceu uma nova chance de reconstruir o que ainda restava de mim. Juntei meus pedaços em Curitiba!  Encontrei-me novamente em Curitiba. Olhei, pela primeira vez, para a minha família, em Curitiba. Sofri a dor de me superar e a glória de vencer... em Curitiba!

Engraçado como às vezes precisamos estar longe de tudo que nos constituiu para percebermos que somos diferente daquilo que acreditávamos ser. Talvez vivamos tentando provar que somos exatamente o contrário do que somos de verdade! Por alguma razão, passamos anos sentindo vergonha de expor esse admirável ser que renasce quando temos a oportunidade de encará-lo, sem medos e culpas. Curitiba fez esse milagre em mim!

Estou voltando para a minha terra, indo ao reencontro do meu passado. Estou mais forte e lúcida e, tenho certeza, que irei olhar o inferno de perto, mas saberei agradecê-lo pelas referências que me deu. Tudo na vida tem as suas compensações e até mesmo na dor conseguimos enxergar certa beleza. Tudo o que fui não me parece hoje um grande erro... Parece-me um acaso despropositado ou alguma coisa que dê sentido à expressão: “Deus escreve certo por linhas tortas”... Não importa! O que eu sei é que hoje sou exatamente a pessoa que sempre fui e não mais aquela que queria que os outros achassem que eu era!

Curitiba é uma cidade fria e me fez recolher-me dentro de mim para poder renascer! Curitiba é uma cidade fria, mas tem propriedades que curam a alma humana.

Em São Paulo nasci, mas foi em Curitiba que renasci... Foi aqui que a Fênix se apresentou para mim e é com as suas asas que voarei de volta para casa... Mais forte e curada!

Obrigada a essa cidade que me mostrou em meses o que não enxerguei a vida inteira!

Jackie Freitas

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

(Chico Xavier)

*Imagens retiradas do Google Imagens, exceto a dos meus filhos.

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Você é Invejoso ou Invejado?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010.

Diariamente somos alvos da inveja! Em alguns casos, invejamos e somos invejados. Ela não é infortúnio dos outros. Precisamos tomar muito cuidado, porque somos discretamente seduzidos e tentados por ela. Tal como Caim, as pessoas estão à procura de um Abel para invejarem. Em alguns casos até matam, mas na maior parte das vezes, os invejosos gastam toda a sua existência em busca de “armadilhas” para atraírem os seus alvos. Como explicar esse lamentável desvio humano?

O filósofo do pessimismo Schopenhauer define como natural e mesmo inevitável que o homem transfira a própria carência, contemplando o prazer e conquistas alheias. Para isto, cria um ódio contra àquela pessoa que ele julga possuir àquilo que ele próprio (invejoso) gostaria para si. Lança sobre o invejado a censura, o escárnio, zombaria e calúnia como consolo para a sua deficiência. Os invejosos usam como escudo, a tentativa de destruição (normalmente moral) de suas vítimas.

Quanto melhor e mais notável estiver o invejado, pior estará o invejoso. Não há o menor equilíbrio nessa balança, aliás, ela se sustenta justamente pelo desequilíbrio de sentimentos. Somos condenados a viver na escuridão porque a nossa luz cega os olhos do invejoso. E é na espreita que ele age. Recolhido em sua insignificância, observa e vigia cada passo do seu alvo. Num conflito e contradição sentimental, ao odiar o sucesso alheio, se masturba mentalmente com as conquistas que sonha para si e no ápice de seu orgasmo regozija-se na imagem do outro, para em seguida cair em desgraça e desconsolo próprios. O invejoso é paradoxal por natureza. No empenho da desconstrução, ele acaba contribuindo ainda mais com a construção de sua vítima, fortalecendo-a, destacando-a em cada apontamento de defeito ou de imperfeição.

Para as pessoas que são invejadas, eu recomendo continuarem com a sua vida de brilho e luz! Não acreditem que “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” seja construtivo. Não é essa a base que fundamenta o sucesso. Os invejosos sempre existirão e a eles cabe apenas o mundo próprio, perdido em frustrações e carências. Melhor do que ser reconhecido por um invejoso é reconhecer-se bom e capacitado em suas virtudes.

Para as pessoas invejosas, não posso recomendar nada mais do que descobrirem a própria vida. Parem de apontar defeitos nos outros! Construam a sua personalidade e faça com que ela ganhe vida própria. Podem até espelharem-se nos invejados, afinal, eles são seus ídolos, mas não destruam a moral alheia para satisfazerem um ego doente. O tratamento está na certeza de que quanto maior o mal desejado, maior será a cova que abrigará o que resta de si mesmos.

Jackie Freitas

“É tão natural destruir o que não se pode possuir, negar o que não se compreende e insultar o que se inveja.”

(Honoré de Balzac)

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A Origem do Vício

domingo, 4 de julho de 2010.

Acredito no poder de cura do amor e da mente. Acredito na capacidade do ser humano em superar obstáculos. Acredito na libertação da alma de todo e qualquer vício!

Fênix Já escrevi anteriormente sobre essa doença que me dominou por um bom tempo e quero, aos poucos, abordar vários tipos de vícios e poder (quem sabe?) ajudar às pessoas a se conscientizarem da urgência e necessidade de cura. Essa é uma meta ou missão que vou seguir adiante, destemida e determinada.

Normalmente associamos como vício apenas o uso de drogas. Quase todos acham que esse é o único tipo de vício grave que um ser humano possa ter.

Desde pequena minha mãe dizia que nasci virada para Lua! Todas as rifas em minha casa eram compradas em meu nome (dava sorte!). O primeiro prêmio que ganhei foi um edredom que me acompanhou por boa parte de minha adolescência. Nos bingos de clubes e igrejas, acompanhava meus pais e raramente não saía com algum prêmio.

Meu pai era jogador. Foi campeão de truco por muitos anos e disputava diversos campeonatos e torneios. Fora reconhecido nesse meio como uma lenda. O jogo já fazia parte da minha herança genética. Estava no sangue!

Quando cresci, não jogava truco. Gostava de “rouba o monte”, “bafo”, “vinte e um”. Era tudo o que sabia com o baralho. Meu pai até tentou me ensinar os conceitos do truco, mas nunca tive QI e nem interesse para aprender. Não gostava do barulho e gritaria desse jogo. Mais tarde aprendi a jogar buraco e canastra. Mas apenas como passatempo de finais de semana e feriados com os amigos.

Fui descobrir de verdade a minha paixão, o meu vício, anos mais tarde. Bingo!  bingo

Num encontro totalmente casual e imprevisto, conheci o jogo. Estava de passagem e decidi entrar. Era um dia em que tudo havia dado errado. Estava com vinte reais na carteira, sonhando com o fechamento de um grande negócio (eu era corretora) e nada acontecia. Entrei com um pequeno grupo de desconhecidos, como se entrasse em um templo qualquer, mas sem o menor conhecimento do que me esperava. Recém chegada, comprei uma cartela e tudo o que eu sabia era o que havia aprendido nas quermesses de igreja: marcar o número cantado. Era bem mais rápido! Era eletrônico. Mal conseguia acompanhar, mas lembro que faltava apenas um número e quando o ouvi, timidamente falei: “Bingo!”. Uma senhora ao meu lado gritou por mim e todos pararam. Ganhei um troféu e logo em seguida uma sorridente moça veio pagar meu prêmio: $1.200,00! Não pude acreditar! Eu estava com $19,00 na carteira (gastara $1,00 para comprar a cartela premiada) e estava recebendo quase um mês de trabalho! Poxa! A minha sorte mudara, com certeza! Doce ilusão! Foi neste dia que o meu inferno começou!

Não conseguia mais me concentrar em nada. Só pensava em ir para o meu “paraíso”, ganhar mais troféus e dinheiro. Aos poucos o trabalho deixou de ser importante e com o tempo os meus amigos e familiares também! Eu até que tinha sorte mesmo! Normalmente ganhava. Se não saísse no lucro, pelo menos empatava o gasto. “É apenas um passatempo!” eu dizia para mim mesma. Eu precisava me convencer disso. Um dia, enquanto esperava a abertura da casa (eu era fiel e pontual, não podia perder tempo), fui apresentada às famosas máquinas caça-níqueis. Como a lei da sorte do principiante prevalece, com $5,00 inseridos, recebi $250,00. “Uau, aqui é mais rápido e eu mesma comando o jogo! Fantástico!”. E foi nessa ilusão que me afundei de vez!

Não sei mensurar quantos cigarros eu deixava queimar no cinzeiro e nem quantos cafés eu bebia. Meus olhos só conseguiam se fixar na máquina!

O mais triste é que neste vício, por mais que se ganhe, nunca achamos que o prêmio é suficiente. Sempre queremos mais! Não temos medo de sonhar alto. Enquanto sonhamos, não percebemos a queda lenta, até que a falta de dinheiro (rapidamente consumido) te mostre a realidade: um literal perdedor! E é nesse processo que começamos a perder a dignidade, a auto-estima, a credibilidade, a confiança... Tudo! Perde... Apenas perde! Esse é o espírito perdedor!

O meu marido me chamava à atenção. Lembro que ele dizia que isso era um desvio de conduta. Eu ria da cara dele e sempre afirmava que o jogo não me dominava. Ele tentou de tudo para que eu percebesse a pessoa deprimente que estava me tornando. Emagreci, envelheci, perdi o sorriso e tudo o que me fazia feliz era o som das máquinas. Tivemos muitas brigas e no auge de algumas, eu prometia que iria parar ou pelo menos me controlar mais. Conseguia por um tempo, mas acabava voltando.

Meu marido descobriu que no Hospital das Clínicas em São Paulo, há um núcleo que trata os viciados em jogos. Chama-se J.A - Jogadores Anônimos. E me fez prometer que eu freqüentaria para salvar a mim e ao nosso casamento. Fomos juntos, pois existe tratamento aos familiares também. Consegui me afastar por um bom tempo, mas como todo e qualquer vício, não se pode ter uma recaída. E eu tive a minha. Voltei ao jogo, timidamente, como quem achava que estava no comando do vício. Perdia pequenas quantias. Era apenas uma terapia, eu pensava. E assim o vício foi voltando, até o dia em que decidi não mais deixá-lo no comando.

Se eu for contar tudo, escrevo um livro (e quem sabe um dia não faça?).

O que eu quero escrever é que esse foi o meu vício. FOI! Não é mais! Já escrevi que estou curada e sofri muito para obter essa cura. Curei-me por dentro, cicatrizei velhas feridas, tomei a decisão de colocar o amor e minha família em primeiro lugar... virei a página! Não posso acreditar que não esteja curada. Tenho muito amor ao meu redor e definitivamente hoje, valorizo cada centavo que ganho. Eu sei que não vou recair. Rezo todos os dias para que este passado seja enterrado e que fique o mais distante que puder!

Culpar meu pai pela herança genética? Jamais! Eu fui a única e grande responsável por tudo o que me aconteceu, assim como sou a única pessoa capaz de reconhecer e aceitar isso. A mudança ou cura acontece de dentro para fora.

Fênix Hoje, sou uma pessoa mais feliz e renascida (uma Fênix!). Reconstruo a cada dia um pouco da minha vida. Resgato aos poucos toda a dignidade que deixei esquecida para trás nesse caminho. Dinheiro é fácil de reaver... mas com trabalho! Nada mais digno e edificante do que o trabalho! O jogador nunca ganha de verdade! Ele apenas perde.

Por isso, a quem é jogador e acha que está no comando da situação, o meu recado é: aposte em seus sonhos! Invista no amor e na família, pois somente eles te estenderão as mãos quando você estiver no fundo do poço. Se você se identificou ou se reconheceu nessa história, procure ajuda! Sempre há tempo!

Eu me curei, graças a Deus e ao amor do meu marido que nunca desistiu de mim. Você também pode se curar! Para todos os vícios há cura. Tenha fé, força e vontade! 

Meu nome é Jackie Freitas, viciada em jogos e por hoje, estou curada! Amém!

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A Cura de Um Vício

sexta-feira, 18 de junho de 2010.

Qualquer tipo de vício corrompe o homem. Enquanto degrada seu ser, o viciado gradualmente envenena a todos quem ama, destruindo assim o seu próprio mundo.

Sim, eu Jackie Freitas já fui viciada; e a minha cura não encontrei em igrejas, templos ou qualquer tipo de seita. A fé em mim foi importante, sem dúvida, mas o que realmente me curou foi algo que eu já tinha na vida, muito próximo de mim e que eu recusava enxergar: o amor!

Quando escuto o dito popular: “por trás de um homem sempre há uma grande mulher”, sou obrigada (por experiência) a discordar. No amor, principalmente entre duas pessoas, um não caminha na frente do outro. Caminham-se lado a lado! Tenho essa prova!

Decidir falar de suas fraquezas é como abrir as portas enferrujadas de um velho porão. Encontramos sujeiras, desordem, teias de aranhas e muito pó. Expor as fraquezas pode representar um incrível ato de humildade, afinal assumimos falhas e defeitos que queremos esconder. É despir-se moralmente diante de todos. Significa correr o risco do julgamento alheio, de ser apontado e discriminado. Preparei-me para isso e vou adiante, porque o meu objetivo é ajudar a tantos outros perdidos e esquecidos de si mesmos! Mostrar-lhes que a cura maior vem através do amor!

Amor e fé em si mesmo, sempre! Mas não negue ao amor de um ente querido a chance de abrir as cortinas que escurecem e chegam a cegar a visão e alma, levando ao sufoco e desespero. No meu caso tive o amor do meu marido, mas poderia ser a mãe, irmã, o pai, irmão ou simplesmente um grande amigo. Abrace essa pessoa, não apenas fisicamente. Quando dizem que o amor cura, é verdade. Acredite! Não quero (nem nunca quis) que tenham pena de mim. Eu mesma me flagelei várias vezes.

Para um dependente ou viciado, a palavra “não” é apagada da memória. Quando a ouvimos, nosso cérebro não a encontra em seus registros, portanto não a processa. O meu conselho para quem convive com um dependente é dar o máximo de amor possível. Ter compreensão, manter o diálogo e ter muita paciência. Não é tarefa fácil. É quase desestimulante, mas se houver amor verdadeiro, o sacrifício valerá a pena. Tente não julgar, condenar ou discriminar. Dependentes se apegam em qualquer desculpa para ter recaídas. Os centros especializados ou os grupos voluntários de apoio costumam ajudar bastante. Nessas reuniões, encontramos, muitas vezes, casos piores que o nosso. É sentir certo alívio por saber que existem desgraças maiores. Chegamos a agradecer a Deus pelo próprio inferno, uma verdadeira heresia! Constatamos que não estamos sós nesse pecado e que nem sempre pertencemos a um grupo de minoria. Os parentes ou pessoas próximas também recebem orientação. E como precisam de apoio também!

Bem, já que abri essa porta e permiti que muitos entrassem por ela e vissem a sujeira e a escuridão desse porão, vou convidá-los a conhece-lo aos poucos. Não conseguiria escrever de uma só vez. Há muito que abordar, então farei por partes. Hoje, quero, como sempre, falar apenas da importância e da força que o amor tem para curar e resgatar almas perdidas. Eu fui resgatada do inferno pelo amor do meu marido, que além de me dar muito amor, me foi benevolente e paciente, me tratou com respeito e muito carinho. Entendeu que eu estava doente e não me abandonou sozinha nesse porão escuro e imundo! Ele buscou no fundo de sua nobre alma todas as forças necessárias para me trazer de volta, buscou em seu pleno amor razões para me ressuscitar do estado letárgico que me encontrava. Ele teve a compaixão de um irmão espiritual, ele me estendeu as mãos...

Tenho alguns pequenos vícios, mas eles não são considerados grandes pecados e se olharmos por esse ângulo, quem não os tem? A diferença é que meus vícios são tão pequenos que não prejudicam mais ninguém. Essa foi a forma que encontrei para lembrar que sou humana e como penitência, convivo com eles.

Todos os dias os dependentes rezam. A oração é curta, parece mais um mantra. Chama “Oração da Serenidade” e diz: “Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma da outra”. No final dela, dizemos: “Só por hoje!” O intuito é que possamos compreender que nenhuma grande mudança ocorre do dia pra noite. Que vencer essa batalha significa subir pacientemente degrau por degrau. Viver um dia de cada vez e em cada dia, fazer uma nova conquista.

E por hoje, amigos, só por hoje estou curada!

Jackie Freitas

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