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Medo X Coragem

sábado, 30 de março de 2013.

O medo, muitas vezes, nos impede crescer. Por causa dele, deixamos de buscar oportunidades e conhecer os muitos e diferentes caminhos da vida.

Vivemos na idealizada segurança, mesmo que insatisfeitos, e não nos permitimos olhar além dos muros que o medo constrói em nossa volta. Mas, chega um momento que precisamos avançar e fazer da coragem a nossa principal arma de sobrevivência.

Não acredito que a vida seja complicada... Tenho, cada vez mais, certeza de que a sua simplicidade é que nos desafia a enxergar o obvio e ao mesmo tempo bloqueia a nossa visão, prendendo-nos na comodidade e transformando o medo em barreiras gigantescas para as novas descobertas.

Há de chegar um momento em que o medo será superado e que a vida, então, deixará de ser um mistério... Há de chegar a hora de nos libertarmos e seguir adiante, buscando novos caminhos e fazendo deles o nosso destino.

As despedidas são sempre dolorosas, principalmente quando nos acostumamos com o conforto ilusório criado pelo medo. Mas, penso que não estamos nesta jornada para vivermos sem desafios ou acomodados na simplicidade; então, adeus medo e limitações! Às vezes precisamos de um voo mais alto. Podemos cair durante a trajetória, mas é fundamental que testemos nossas resistências!

Portas se abrem e se fecham constantemente diante de nós. Fazemos nossas escolhas e são elas que desenham, lentamente, o nosso futuro. O importante é estarmos cientes de que nada nos chega sem aviso prévio. Nada nos é imposto sem a opção de escolhermos como prosseguir... E, como prosseguir depende apenas de nós!

Por mais sombrio que pareça o futuro, não podemos temê-lo. Independente de qualquer coisa será através dele que descobriremos o desfecho dessa história e é com coragem e espírito de luta que manteremos nossos passos firmes para trilharmos os caminhos escolhidos.

Já ouvi muitos rumores sobre o medo e o que posso dizer neste momento é que devemos tratá-lo com respeito, mas não nos curvarmos diante dele. Compreender que sem ele a vida perderia os seus mistérios, mas que, também, sem ele não teríamos os seus desafios. Portanto, mesmo que o medo ganhe dimensões incalculáveis, precisamos encará-lo e deixar que a coragem nos leve adiante. O medo habita dentro de nós e não no mundo ou na vida em si... Ele ganha forças à medida que o alimentamos e o deixamos orientar nossos passos.

Todos nós enfrentamos grandes batalhas e em cada uma delas o medo está presente; entretanto, cada batalha vencida tem a coragem como principal arma... E é isso que nos faz lutar arduamente pela sobrevivência. É a coragem que nos faz chegar ao final de cada batalha e descobrir a vida existente além dos muros criados pelo medo...

Jackie Freitas

“Façamos da interrupção um caminho novo.
Da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte, da procura um encontro!”

(Fernando Sabino)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Além dos Muros, Através das Pontes

domingo, 16 de setembro de 2012.

Antes de começar a escrever, tinha apenas uma pergunta rondando meus pensamentos: “Por que as pessoas isolam umas às outras?”. Depois, esta pergunta foi derivando outras e, antes mesmo de tentar respondê-las, cheguei à triste conclusão de que os muros que nos cercam estão cada vez mais altos e as pontes, que deveriam permitir os acessos, mais longas e estreitas...

Transpor estes muros não é tarefa fácil, principalmente quando pensamos na dura escalada e nas possíveis quedas a serem enfrentadas e superadas. Percorrer o longo trajeto das pontes tornou-se uma missão tão árdua e cansativa, que muitos desistem logo no início. Desta forma enxergamos tantas dificuldades para nos aproximarmos das pessoas que acabamos por nos submeter ao isolamento. Gostaria muito poder perguntar aonde isso tudo nos leva e ter uma resposta diferente da que, infelizmente, os muros tornaram-se nossas próprias prisões e não nos permite ir a lugar algum... O que se obtém nesta reclusão é o atrofiamento das emoções e algo que, a meu ver, o maior de todos os ônus: o envelhecimento da alma!

Cada vez mais admiro as crianças, com seus atos simples e despretensiosos, e me frustro com o “crescer” que, teoricamente, denota maturidade e sabedoria, mas que no fundo nos torna ignorantes, estúpidos e arrogantes. Da infância passamos rapidamente à velhice, porém sem qualquer riqueza interior! Desaprendemos a brincar e sorrir, e perdemos toda simplicidade da interação e relacionamento. Deixamos um vácuo enorme entre a infância e velhice porque desperdiçamos essa preciosa fase das descobertas e conquistas com mesquinharias e rabugices. Talvez a inacessibilidade não seja decorrente apenas dos altos muros, mas também da opção de cada um pelo isolamento. Quando menos se percebe, a alma envelheceu e tudo que resta é o amargor da solidão e o cimento que mantém os tijolos destes muros cada vez mais firmes... E aí, quem está do outro lado, esperançoso por uma pequena brecha, desiste da escalada.

Sempre pensei que os muros fossem mecanismos de defesa, criados em prol da sobrevivência. Mas como sobreviver em isolamento, sem convívio com as outras pessoas, sem trocas ou perspectivas de expansão? Quanto mais altos os muros, menos luz e maior a escuridão. Seria esta a melhor escolha?

Por mais absurdos e descasos que vejo a minha volta, continuo enxergando beleza na vida, porque não me cerco de muros (ou talvez eles ainda estejam muito baixos) e nem permito o isolamento como condição de viver... Mantenho a fé nas pessoas e, por mais trabalhoso que seja, creio que possamos resgatá-las das prisões em que vivem. Um simples sorriso transforma-se em uma porta... Uma significativa passagem e um sinal positivo de receptividade para a interação com outras vidas! Não há tempo para ranhetices! A vida pede urgente paciência e muita ternura! Ela pede mais vida em nossas vidas e somos, sim, capazes de atender a esse pedido!

Se os muros estiverem altos demais, construamos janelas neles... Isso será suficiente para enxergamos o que há do outro lado! Se as pontes estiverem longas e estreitas, percorramos por elas sem medo ou desânimo... Certamente, em seu final, encontraremos algo valioso e que contribuirá com o rejuvenescimento da alma. Percorrer por estas pontes é preencher com vida o que se perdeu em reclusão. É olhar adiante e descobrir encantos, pois esta é uma das muitas bênçãos da vida. Querer é poder e nós temos o poder de modificar. Não depende apenas dos outros, porque os primeiros passos sempre serão dados por nós! E serão estes passos que nos levarão de encontro às descobertas e, principalmente, às pessoas; por isso é essencial compreender a importância das pontes e o que elas representam em nossas vidas!

A pior prisão não é aquela que nos colocam, mas a que construímos por vontade própria e aceitamos viver... por covardia, medo e fraqueza. Manter-se nela é infringir as regras da vida! Ninguém determina o nosso destino se não agirmos com vigor e em defesa do viver! Não são os muros que nos defendem ou protegem, mas nós mesmos; com bravura e valentia, destemidamente.

Derrubemos os muros e nos coloquemos em posição de defesa e ataque... Não contra as pessoas, mas contra tudo o que tentar impedir o fluxo da vida. Lutemos!

Vamos todos envelhecer, mas que seja com sabedoria e com a certeza de se ter vivido plenamente... Que a velhice venha naturalmente com o tempo e não pela ignorância, isolamento e obstrução dos sentimentos!

Jackie Freitas

”Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, siga-o!”

(Nietzsche)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Saber Conviver… Saber Viver

sexta-feira, 7 de setembro de 2012.

Somos surpreendidos a todo instante... A vida é uma caixa de surpresas e nos proporciona tantas dádivas! Por mais que acreditemos no infortúnio ou na má sorte; ainda temos um saldo positivo a ser comemorado.

Não acredito em conspirações malignas! Não creio que o universo, em sua imensidão e beleza, despenda do valioso tempo para articular o mal contra nós. Penso que tudo o que recebemos faz parte de uma troca... Somos a causa e o efeito, e colhemos o que plantamos. Mesmo quando os frutos demoram a aparecer... eles aparecem! Então, se semeamos coisas boas, os bons frutos resultantes de nossos esforços aparecerão... E o inverso também acontece! Com o diferencial de que as más energias se propagam em outra velocidade, ou seja, a colheita da prática do mal chega rapidamente!

Desanimar talvez faça parte do teste de resistência que a vida nos coloca, mas não estamos aqui para fracassar e entregar os pontos! Estamos sempre em prova, mostrando aos outros e principalmente a nós mesmos que somos capazes de superar os desafios e nossos limites. Quantas vezes, exaustos, pensamos em desistir, acreditando que nada mais de bom acontecerá? Quantas vezes pensamos em chorar, desamparados e fragilizados, certos de que só nos restaram as lágrimas como consolo?

Muitas vezes somos obrigados a seguir por outro caminho e buscar uma rota nova, provavelmente de fuga e desespero, mas que não representa o fim e nem nos sentencia ao “corredor da morte”... Caminhos novos trazem perspectivas e possibilidades. Se mantivermos a esperança e a fé vivas, acreditando que todos os dias somos preparados para novos acontecimentos e olhando aos desafios como oportunidades para boas descobertas; comprovaremos o quão surpreendente e abençoada é a vida. É preciso saber viver!

Saber viver é saber conviver... E conviver exige um olhar diferenciado a tudo e todos, sem preconceitos ou indisposições. Um olhar curioso, investigativo e, acima de tudo, receptivo para que as surpresas nos atinjam em sua totalidade. Questionamos a vida, desconfiando de suas intenções e propósitos; rotulamos as pessoas, julgando-as e excluindo-as antes mesmo de dar-lhes a chance de mostrarem suas qualidades. Focamos nossa visão nos defeitos porque nos condicionamos a esperar o pior de tudo e todos, embora queiramos ser surpreendidos por ações e acontecimentos que reflitam a utopia do mundo perfeito e de pessoas perfeitas. Mas, esquecemos (ou não queremos aceitar) que o “pacote” das surpresas não é composto somente pelas coisas magníficas... Conviver é degustar do bom e ruim, partilhar do muito e do pouco de cada um... É encontrar complementos, certezas, dúvidas e respostas...

Contudo, só encontraremos nossos caminhos se permitirmos que a vida nos mostre todas as possibilidades e as olharmos com interesse, sem nos cercarmos de muros e defesas! As surpresas nascem dessa iniciativa. Repito: saber viver é saber conviver... Conviver exige respeito ao próximo, com seus defeitos e qualidades; compartilhar experiências e estar receptivo a todas as informações. Assim, viver é saber que pouco se sabe... E é esse paradoxo que nos torna sábios! Quando assumimos a humildade para expandir nossas visões e conhecimentos, praticamos a lição do convívio e aprendemos a viver melhor. Deixamos de esperar demais dos outros e exigimos menos de nós. Simplesmente deixamos a vida fluir para que ela nos surpreenda!

De um modo ou outro somos surpreendidos diariamente. Algo novo sempre acontece! Depende de que forma concebemos as surpresas. E a vida é feita de momentos memoráveis, surpreendentes e repletos de aprendizado. Nada pode ser descartado! Não existem momentos sem pessoas... É essa junção que resulta nas fantásticas experiências da vida! Em todos os momentos temos pessoas compartilhando, aprendendo, ensinando, interagindo e surpreendendo... Basta permitirmos e darmos chances... a nós, a elas e à vida. É necessário... Essencial... Vital...

É preciso saber conviver! É preciso saber viver!

Jackie Freitas

“A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”

(Mario Quintana)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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O Amor e suas Dores

segunda-feira, 13 de agosto de 2012.

Outro dia, assistindo um filme, vi uma cena onde o protagonista dizia que o amor dele era tanto que chegava a doer... No final ele chegou à conclusão de que o amor não deveria causar nenhum tipo de dor, portanto, o dele estava errado...

É certo que buscamos no amor algum tipo de conforto pra alma, recompensas, justificativas e vários sentidos para a vida; mas sabemos que não caminhamos o tempo inteiro sob o céu de brigadeiro... Encontramos tempestades, nuvens escuras e vendavais. E, mesmo o amor verdadeiro, construído em bases sólidas, capaz de resistir a tudo, não está imune às diversas provações da vida.

Quando falamos em sentimentos, tratamos de algo delicado, frágil e sujeito, sim, às dores, sofrimentos e decepções. Falamos de pessoas que, embora queiram caminhar lado a lado, são diferentes umas das outras e com concepções, também, diferentes sobre o amor e até mesmo da vida.

Pensar na unidade dos sentimentos, mesmo que ideologicamente correto, nos leva a uma espécie de egoísmo, pois queremos o que é confortável e seguro para nós e aí julgamos que os nossos anseios são adequados ao outro também. Queremos muito e de preferência com poucos esforços! Queremos do outro, às vezes, mais do que ele pode nos oferecer ou queremos, então, doar mais do que nossas condições permitem.

Encontrar essa sintonia ou a medida exata para equilibrar os sentimentos e dar o real sentido ao amor é uma busca que fazemos por toda uma vida e nem sempre encontramos. Por isso, acredito, não há a felicidade plena ou a total realização quando se trata do amor. Há sempre algo mais que achamos que poderíamos oferecer e há sempre algo a menos que achamos ter recebido.

Complexo? Muito! Os sentimentos oscilam e com eles as nossas necessidades e ideais. Não há como exigir apenas do amor algo que devemos conquistar diariamente. Não dá para colocar toda a responsabilidade no bravo e heroico amor!

A meu ver, não há como entregar-se totalmente ao amor se tivermos lacunas mal preenchidas em nosso dia-a-dia e se não lutarmos pelas muitas realizações que almejamos. O amor é um sentimento primordial, sem dúvida, mas ele não se alimenta sozinho! Ele não se sustenta através de ideais ou sonhos. Mesmo que ele chegue “pronto”, ainda assim precisa de cuidados, de reparos e da construção conjunta. Tudo isso levando em consideração as diferenças e divergências, pois são elas que permitem o equilíbrio saudável às duas partes. Se for bom para um deve ser bom ao outro e se houver dores é porque chegou o momento de ajustes e avaliações. Às vezes as avaliações não levam aos ajustes e sim à certeza de que estamos na bifurcação onde as decisões precisam ser tomadas, nos levando a caminhos diferentes (separação). Ou, elas podem nos fazer percorrer o caminho de volta para verificarmos que muitas tempestades foram superadas, juntos, e que vale a pena prosseguir nessa intrigante investigação!

Há dores no amor! Há muitas! Mas há prazeres, recompensas e, o mais importante, um acolhimento companheiro que nos fortalece para muitas lutas! O remédio para as dores do amor é o amor genuíno e puro, aquele que já nasce dentro de nós, sem dependências ou expectativas. O amor que é amor pela própria existência e que se repercute por onde passamos. Amor pela vida e que nos prepara pacientemente para o amor compartilhado. Só oferecemos ao outro o nosso verdadeiro amor quando nos amamos sem medos e hesitações. Não descobrimos o amor próprio através do amor que o outro possa nos proporcionar e é esse o grande erro de muitos amores... Talvez seja por isso que alguns causem tantas dores!

A dor pode ser vista como um ônus da vida (e talvez seja mesmo), mas se olharmos por outro ângulo, ela pode apenas ser um pedido de auxílio para alguma cura. E nem sempre as curas estão prescritas nas receitas médicas! Elas estão em nós, em nossa consciência e em outro sentimento esquecido ou adormecido: o amor próprio!

Jackie Freitas

“Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.”

(Martha Medeiros)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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O Tempo e suas Bênçãos

domingo, 5 de agosto de 2012.

Queridos Leitores,

Este é um momento particular que compartilho com todos vocês. Perdoem-me por utilizar este meio para demonstrar toda a felicidade e emoção que sinto, mas estou em casa e muito à vontade para dizer-lhes que a minha primogênita completou os seus dezoito anos!

Uma vez li um texto muito bonito, recebido por e-mail e publicado aqui no blog. Há um trecho dele que gosto muito e com o qual irei começar minha mensagem: “... que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos, sintam-se amados mais do que saibam-se amados.

Não tenho certeza se fui (ou sou) uma boa mãe. Aliás, dizem que ser mãe é viver eternamente com o peso da culpa de achar que nunca se é boa o suficiente ou de que tenha feito as coisas certas... Espero que eu tenha dito muitos “eu te amo” à minha filha e espero, mais ainda, que ela, apesar dos pesares, tenha se sentido muito amada...

Ser mãe nunca foi o meu principal sonho, mas acredito que o momento tenha chegado à hora que eu precisava. Não é uma escola fácil e de matérias decoráveis, pois cada momento é um aprendizado que se renova constantemente. Nenhuma mulher nasce pronta para a maternidade, mesmo quando ela acha que esse é o seu destino. Há desafios, trabalho árduo, dias e noites de atenção, preocupações, lágrimas e até sofrimentos... Mas há também muitas recompensas! Recompensas que não podem ser mensuradas e nem descritas, porque os momentos mais simples, despercebidos aos olhos dos outros, simbolizam as realizações maternas.

Quando somos jovens, queremos que o tempo corra... Pedimos velocidade, intensidade, voracidade... Idade! O tempo é obediente e nos concede essa velocidade. Enquanto minha filha pedia urgência para que ele corresse e lhe presenteasse com os seus dezoito anos, eu pedia generosidade para que pudesse estar aqui, desfrutando ao lado dela, esta data. E, como sempre digo, sou tão abençoada, que ele me concedeu esta dádiva!

Sempre pensei que cada um de nós tem algo a contribuir com o mundo, à vida e às pessoas. Procurei não criar filhos para mim apenas, mas pessoas boas para um novo mundo e, quando vejo a minha filha, tenho certeza de que estou, ao meu modo, contribuindo com um futuro melhor. Mesmo que eu tenha cometido inúmeros erros, de algum modo o tempo me foi generoso (novamente) para que eu os reparasse através da minha filha... Meu legado!

Hoje, devo dizer que ela não precisa saber que a amo muito. Quero apenas que ela busque e encontre nos pequenos momentos que vivemos, toda a imensidão do meu amor. Gostaria de agradecê-la por ter me proporcionado tanto aprendizado e me permitido as maiores descobertas da vida. Pedir-lhe perdão pelos muitos “não” que eu disse e pelos que ainda direi. Um dia você saberá que muitos dos “não” foram provas de amor que te dei. Perdão, também, pela impaciência e pelos relapsos. Lembre-se que também precisei me adaptar e aprender com você!

Dizem que os filhos não vêm com manual de instruções, mas no seu caso, não precisei de muito para lidar com você... Acho até que você teve muito mais técnica para me conhecer do que eu a você! E esta é mais uma prova do quanto sou abençoada, pois você sempre soube quem eu sou sem nunca precisar me cobrar ou julgar... Obrigada, filha!

O tempo é generoso... O tempo, mesmo passando rápido, nos concede muitas bênçãos e é por isso que precisamos estar sempre atentos a cada momento, extraindo o máximo de aprendizado que pudermos! O tempo me foi generoso demais... Dezoito anos de sua vida dedicados ao meu aprendizado. Dezoito anos de bênçãos, felicidades e recompensas...

Espero que o seu tempo seja assim, como o meu! Que ele te permita experiências maravilhosas e que te faça cada dia mais uma pessoa melhor... Que você o use com muita sabedoria e não tema as suas escolhas. Lembre-se que errando ou acertando, ele (o tempo) te dará chances de rever seus caminhos e respeitará as suas decisões. Seja forte, mesmo quando precisar demonstrar fraqueza. Seja o que quiser, mas seja sempre VOCÊ! Viva por você e não pelos outros! Não importa quantas quedas você sofra, levante-se sempre com a cabeça erguida! Há muito caminho pela frente e uma vida inteira de descobertas!

Estarei aqui, meu amor, assistindo às suas realizações e pronta para exercer o papel que você me deu: o de mãe! Estarei aqui, agradecendo ao tempo, à vida e a Deus pela bênção de tê-la como filha.

Parabéns a você, nesta e em todas as datas... Muitas felicidades e muitos anos de vida, porque o tempo continuará nos concedendo este presente!

Amo você! Saiba e sinta-se sempre amada!

Jackie Freitas

Finalizo com esta música… A nossa música!

Parabéns, minha filha!

 

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As Duas Faces do Julgamento

segunda-feira, 23 de julho de 2012.

Há uma referência bíblica que diz: “não julgueis para não serdes julgados...”. Apesar de muitos de nós pronunciarmos estas palavras com convicção e, às vezes, com um “q” de sabedoria irrefutável; na prática passamos o tempo todo julgando com a mesma irracionalidade daqueles que nos julgam.

Talvez seja difícil conter nossas opiniões sobre os outros e, principalmente, não usá-las inapropriadamente. O que nos torna capazes de fazer julgamentos e, consequentemente, determinar o caráter de uma pessoa? Quais são os critérios utilizados para que os julgamentos se transformem em sentenças absolutas contra alguém?

Fico sempre pensando na velha história da pedra e da vidraça... Fácil e prazeroso é ser pedra, mas ninguém quer se colocar no papel da vidraça... E quando nos tornamos vidraças, quebramos (em prantos e dores) muito antes das pedras nos atingirem. Não aceitamos as injustiças, os preconceitos e os julgamentos... Mas, em momento algum paramos para avaliar os muitos estragos que também fazemos aos outros quando nos posicionamos com arrogância e maldade, atirando nossas pedras a esmo!

Há muitas perguntas das quais não sabemos as respostas, porque tentar entender o comportamento humano será sempre complexo. Cada pessoa possui suas razões e formas diferentes das nossas para conduzirem suas vidas, mas ainda acreditamos que todos devem agir de modo igual, seguindo critérios que nós mesmos estabelecemos como certos, quando na verdade nem sabemos quais são esses critérios! E é nesse emaranhado de confusões e enganos que partimos para os julgamentos, esquecendo-nos que da mesma forma também somos julgados. Quem está certo e quem está errado? Ninguém!

Outro dia, assistindo a um programa de TV, escutei o Pedro Bial dizer: “difícil não é ser os outros, mas sim nós mesmos!”. Tenho que concordar com ele! Realmente passamos tanto tempo vivendo a vida alheia, nos ocupando dos comportamentos e pensamentos dos outros, fazendo tudo melhor e diferente, que nos esquecemos do quanto é difícil assumirmos nossas próprias responsabilidades. E tais responsabilidades estão relacionadas com a capacidade de vivermos uma vida digna, onde erros não são motivos de apontamentos, exclusões e sentenciamentos. Erros são apenas oportunidades de experimentar algo novo e diferente, de seguir por caminhos que outros, talvez, não tiveram coragem de percorrer. E, repito sempre, erros (no meu ponto de vista) são tentativas de acertos, por mais absurdos que possam parecer! Eles devem ser assumidos com humildade e não com vergonha. Ainda, no contexto bíblico: “... quem nunca errou que atire a primeira pedra!”.

Este texto (quero deixar claro) não é religioso, mas apenas uma forma de observarmos que a hipocrisia faz parte do convívio humano desde sempre... Não porque os tempos não mudam ou a humanidade não evolua, mas por sermos (infelizmente) presas fáceis dos nossos próprios demônios! Abominamos aqueles que julgamos, somos abominados por aqueles que nos julgam e abominamos os que julgamos e os que nos julgam... E assim o ciclo de enganos e injustiças se perpetua, passando de geração a geração... Vivemos intensamente a vida que não nos pertence, querendo mudá-las e melhorá-las; mas esquecemos de viver as nossas! Queremos corrigir as falhas alheias, mas não nos atentamos que cada vez que nos preocupamos com outras vidas senão as nossas, estamos abrindo espaço para que os outros também nos julguem!

Difícil não é ser os outros, mas sim nós mesmos... Na minha ótica deveríamos reformular esta frase e dizer: Prazeroso não é ser ninguém além de nos mesmos! Isso sim nos tornaria indiferentes aos julgamentos, pois estaríamos convictos de quem somos de verdade, independente das opiniões ou conhecimentos alheios sobre nossas próprias vidas. Somente nós sabemos quantas pedras removemos pelo caminho para chegarmos aonde chegamos. Somente nós sabemos o valor de nossas conquistas, do quanto abdicamos ou nos esforçamos para vencer nossas batalhas! Somente nós temos o dever de repousar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, cientes de termos feito tudo o que esteve ao nosso alcance para concluir mais uma etapa da vida. Somente nós podemos avaliar se nossas condutas nos levarão aonde queremos chegar, porque nós escolhemos nossos destinos e não os outros! É desta forma que não julgamos, porque não temos tempo para outras vidas, senão as nossas! E se quiserem nos julgar...

Ora, sabemos quem somos. E é isso que importa!

Jackie Freitas

“Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia...”
(Paulo Coelho)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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A Corrente do Bem

domingo, 3 de junho de 2012.

Os meus filhos passaram pela experiência da “Corrente do Bem”. Proposta pela escola em que estudam, vivenciaram uma semana de prática e recebimento do bem, percebendo, desta forma, os seus reflexos... Reflexos que puderam ser sentidos, inclusive, por todos nós que estamos diariamente com eles.

Essa experiência, com toda a sua simplicidade e princípios tão básicos, porém, de extrema importância; fez com que eu retomasse a velha e boa reflexão sobre a origem do bem.

Pensamos muito, e às vezes de forma equivocada, em como podemos ajudar ao próximo e, assim, modificar o mundo. Pensamos com exaustão num modo de promover o bem para que nossas ações sirvam de exemplo e inspiração às outras pessoas. Entretanto, numa simples lição de casa é possível identificar o bem em sua essência e compreender que não há fórmulas mágicas ou impossíveis para que seus efeitos sejam positivos e corram numa velocidade surpreendente...

Já conversamos aqui sobre a “gentileza que gera gentileza” ou o “fazer o bem sem olhar a quem”, mas todo esse discurso jamais terá sentido se não enxergarmos profundamente onde ele começa. E o seu começo foi exposto por dois pequenos meninos (meus filhos)!

Quando escuto alguém dizer que é preciso apenas uma semente para que se plante e colha o bem, vejo, através de meus filhos, toda a veracidade deste conceito! Vejo neles e em todas as outras crianças a possibilidade de reversão das simples ações em grandes benefícios, cujo princípio se dá através da gentileza, carinho, atenção e respeito para com o próximo... Ações que certamente agem positivamente não apenas em quem as recebe, mas também (e talvez principalmente) em quem as promove.

Chega ser assustador quando constatamos que não é necessário ir tão longe para buscar maneiras de demonstrar os efeitos do bem. Não estamos distantes dessa conquista! Ao contrário dos cientistas que estudam anos e testam incansavelmente em laboratórios alternativas para a cura de doenças que parecem incuráveis, temos em nós mesmos a chance de promover e perpetuar o bem. Talvez seja esse o elemento fundamental para disseminar não a cura em si, mas a prevenção de muitas doenças. E a cura pode ser apenas uma consequência...

Enxergar em duas crianças a felicidade e o prazer pela prática do bem me faz querer voltar à escola... Faz com que me sinta pequena diante de tanta nobreza, pura e despretensiosa, porém verdadeira; onde o mundo é exatamente como deveria ser para todos: bom e comum, com direitos e igualdades, sem discriminações ou privilégios. Simplesmente porque as crianças compreendem com naturalidade as razões que nos unem, sem exclusões ou diferenças, quebrando as correntes do egoísmo e, em seu lugar, proclamando o bem puro e simples!

Talvez todos nós devêssemos retomar esse aprendizado e deixar que a essência natural que um dia tivemos, aflore novamente. Talvez devêssemos olhar mais as crianças e torná-las nossos mestres. Talvez devêssemos olhar para o mundo de modo mais simples e menos egoísta. Se quisermos que o bem se espalhe, comecemos modestamente, olhando aqueles que estão perto de nós... E estes, olhando os outros... E os outros olhando outros, até que o bem chegue novamente a nós...

Acredito nesta força e tenho certeza que ela não pode se romper se mantivermos unidos os mesmo ideais.

Não me preocupa mais as curas, pois vejo que o futuro nos promete algo maior! As crianças de hoje podem e serão os benfeitores deste mundo. Não me preocupa mais a velhice, pois sei que encontrarei uma ou várias pessoas arrumando com bondade e carinho o meu repouso... Dormirei feliz sabendo que o mundo estará em boas mãos!

Jackie Freitas

Dedico este texto, com louvor e agradecimento, à escola e aos educadores dos meus filhos. Vocês regaram duas lindas sementes e os seus frutos já se espalharam...

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Liberdade: Direito ou Escolha?

segunda-feira, 21 de maio de 2012.

Este texto é para todos aqueles que, de alguma forma, vivem inseguros e com medo, presos em algum tipo de relacionamento que impede a manifestação e exercício da liberdade.

Lembro que quando era pequena, queria poder fazer tudo o que tivesse vontade... Lembro-me ainda do meu pai dizendo: “liberdade se conquista!”...

Pois bem; após todos esses anos de experiência e inquietações, vou discordar de meu pai. Liberdade não se conquista, ela é um direito nato de todos os seres (humano ou animal) e ninguém tem o direito de limitá-la ou tirá-la  como se fosse peça disponível em tabuleiro, pronta para atender às jogadas dos outros... Do mesmo modo, nós também não temos o direito de comprometê-la ou colocá-la em risco.

Liberdade é o nosso direito de ir e vir, pensar e agir, de manifestar nossos sentimentos, aceitar ou recusar... Liberdade é poder usar do livre arbítrio para fazer escolhas e tomar decisões... Liberdade é a mais pura manifestação da vida e dos seus direitos!

Muitas pessoas não têm ideia do verdadeiro significado e o que representa a liberdade. Vivem aprisionadas e em servidão, dependentes e se curvando diante de outras pessoas como se as vontades e necessidades alheias fossem mais importantes e urgentes do que as suas próprias. Talvez, embasadas nesse conceito da conquista da liberdade, passem anos de suas vidas aguardando comandos e consentimentos para desfrutarem daquilo que já lhes pertence naturalmente.

Os maiores exemplos de cárcere e cerceamento da liberdade estão representados nos relacionamentos. Pessoal, afetivo ou profissional, são eles que turvam as visões... São eles que impedem o pleno exercício dos direitos ligados à liberdade e tornam as pessoas impotentes diante de suas próprias vontades e vidas.

A mensagem que gostaria de passar é que somos donos de nossa vida e a liberdade está diretamente ligada a isso! Tomamos nossas decisões e fazemos nossas escolhas. Por mais que nos sintamos escravizados por algo (ou alguém), cabe a nós a decisão de continuar aprisionados, vivendo de modo oposto ao que gostaríamos; ou de decretarmos liberdade e buscar a paz e tranquilidade que a vida merece.

Não há trabalho, amizade ou afeto que justifique a infelicidade. Só podemos oferecer o nosso melhor aos outros, principalmente àqueles que amamos se encontrarmos satisfação naquilo que fazemos e no modo como vivemos. Pode parecer difícil sair de determinados relacionamentos, mas, acredite, é possível!

Precisamos sempre avaliar se não estamos acomodados e fazendo papel de vítimas, se não estamos tirando de nós mesmos esse direito fundamental à existência. Liberdade não tem preço!

Há muitas promessas neste mundo; algumas delas tentadoras e irrecusáveis, mas avalie bem se elas garantirão o seu direito de liberdade. Nas convenções sociais, dizem que o nosso direito começa onde termina o do outro; entretanto quero alertá-lo de que os direitos devem ser iguais a todos e não importa onde eles começam ou terminam. Devem ser respeitados e, sobretudo, manter a paz individual e coletiva. Só entenderemos tal convenção quando aprendermos a respeitar e lutar pelos nossos direitos! Quando nos conscientizarmos que temos valores como os outros e que somos livres para viver do modo como queremos.

Não podemos viver condicionados às vontades alheias, principalmente se elas interferirem no modo de vida que merecemos. Não podemos aceitar barganhas, acreditando que elas nos trarão algo maior, fazendo com que sacrifiquemos nossos pequenos prazeres.

A vida é preciosa demais e passa num piscar de olhos! Por isso o importante é vivermos com sabedoria, apreciando o que ela nos oferece e buscando valores que ninguém, exceto nós mesmos, poderia nos oferecer.

Liberdade é poder se permitir... É poder escolher...

Abrir mão de algo pode parecer sacrifício (e às vezes é mesmo!). Escolher entre um caminho ou outro exige força e coragem, mas se considerarmos o desprendimento daquilo que não nos faz bem e a liberdade como recompensa, terá valido a pena!

Jackie Freitas

“Estou firmemente convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza.”

(Mahatma Gandhi)

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Surpresas da Vida

domingo, 26 de fevereiro de 2012.

Olá a todos! Sei que ando ausente e peço desculpas por isso...

Talvez nem fosse necessário, afinal a vida é assim mesmo, feita de encontros, desencontros e reencontros...

Tenho pensado em compartilhar minhas experiências novas, falar sobre as minhas descobertas, mas, principalmente sobre as redescobertas... E quantas foram!

Curioso como a comodidade ou preguiça podem nos tornar pessoas reclusas, escondidas e refugiadas, perdidas em algum lugar dentro de nós mesmos... Temos receio de trilhar por caminhos desconhecidos, mas percebo que são as referências do que conhecemos que faz com que nos fechemos para o mundo e todas as experiências que ele pode nos proporcionar. Fechamos nossas portas e dizemos à vida: “Passe depois... Agora não estou preparado!”. Mas quando estaremos afinal?

Passei um bom tempo tentando me encontrar, fechada em meu casulo, quando na verdade o que eu fazia era me distanciar de quem sempre fui. Tornei-me uma estranha para mim mesma, envolta de certezas que nada mais eram do que medos mal resolvidos... Achei que estava segura escondida em mim... Mas não estava! Precisava enfrentar velhos fantasmas para entender, então, para onde os caminhos me levavam...

Decidi percorrer pelas trilhas antigas e foi em uma de suas encruzilhadas que me encontrei novamente! Confesso que estou surpresa com as descobertas que tenho feito, principalmente por constatar o quanto nos enganamos quando somos levados pelos julgamentos que fazemos sobre as pessoas. Hoje vejo que elas podem nos surpreender também de forma positiva e que o conceito que temos sobre a “bondade” de cada uma, tem muito mais a ver com a pureza ou impureza dos nossos sentimentos do que propriamente com os rótulos que criamos para algumas delas... Enxergamos inimigos e maldades por todos os lados e acabamos expulsando de nossas vidas pessoas que poderiam ter nos ensinado muito se as tivéssemos dado uma chance...

Bem, como a vida não é uma via de mão única (graças a Deus!), tive a oportunidade de rever alguns conceitos, derrubar algumas muralhas e restabelecer contato com o mundo que eu tentava negar, com as pessoas que eu jurava jamais querer reencontrar! E foi nesta via inversa que redescobri minhas forças, capacidade de luta e o delicioso sabor de utilidade. Resumindo: o resgate da vida... A saída do ócio e o salto para o frenesi das responsabilidades e desafios... Sentir-se ativa e útil novamente é um prazer que tem me revigorado a cada dia e despertado os meus sentidos para tudo o que me cerca, inclusive sobre os precipitados julgamentos que fazemos na vida e que podem nos condenar a um sono profundo onde a calmaria é apenas uma fachada que camufla a covardia e os medos.

Por isso é importante lembrarmos que a vida tem movimentos parecidos com as ondas do mar... Nunca podemos determinar como definitivo àquilo que desconhecemos e, também, não podemos dizer que conhecemos aquilo que comodamente rotulamos... As surpresas estão nas profundezas do conhecimento e não em sua superfície.

Aprendi que as pessoas merecem créditos, sim! Merecem segundas, terceiras e quantas chances pudermos dar a elas. Por quê? Porque, talvez, elas darão a nós mesmos a chance única de descobrir um pouco mais sobre muitas coisas... Não sobre elas apenas, mas principalmente sobre nós e da vida que tentamos nos esconder...

Jackie Freitas

“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.”

(Marcel Proust)

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Com Licença, Posso Ser Feliz?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012.

Quantas vezes você já teve vontade de fazer esta pergunta?

É tão comum ouvirmos as pessoas reclamando da vida, chorando suas dores e lamentando os seus sofrimentos que, em certos momentos, não nos parece justo manifestar nossas alegrias e realizações. É como se tivéssemos que pedir autorização até mesmo para esboçar um sorriso!

Vemos tanto caos e desgraças ao nosso redor que acabamos nos recolhendo e escondendo o nosso bem estar para que o mesmo não represente um desrespeito aos outros, às suas dores, tristezas, frustrações, irrealizações...

Será mesmo que é preciso ter o aval dos outros para poder desfrutar da felicidade?

Sabemos que a felicidade é efêmera e há, inclusive, diferentes  modos de compreendê-la. Você já deve ter escutado dizerem que ser feliz é diferente de estar feliz. Eu mesma divago sobre isso constantemente, mas não posso deixar de ver a relação íntima que existe nessas duas situações. O estar feliz, onde o próprio verbo indica, reflete um estado ou momento e nos comprova toda a efemeridade da felicidade; entretanto, não consigo deixar de ver o quanto isso interfere na condição do ser. Ser feliz, talvez, seja uma somatória ou acúmulo de todo o nosso estado; portanto, quanto mais felizes estivermos e quanto mais tempo pudermos desfrutar da felicidade, reconhecendo-a nos momentos em que aparecem, mais seremos capazes de irradiá-la em nosso ser. Por isso é fundamental que não tenhamos medo ou vergonha em demonstrar aos outros o quanto estamos ou somos felizes! Represar esse sentimento e não manifestá-lo significa concordar que a vida é feita apenas de dores e sofrimentos, que nossa missão é unicamente a de sermos mártires existenciais.

Felicidade é a colheita dos bons tempos e um merecimento, mas, acima de tudo, um reconhecimento que exige de nós toda a atenção necessária para que ela não passe despercebida. Se não notarmos esses momentos preciosos e não usufruí-los, deixamos de somá-los na condição do nosso ser.

Viva intensamente cada momento e comemore com entusiasmo todas as oportunidades de ser feliz. Não é preciso pedir licença, perdão ou permissão aos outros para ser feliz. Quando você escutar alguém dizer que a felicidade não existe, busque dentro de si, através de lembranças, e mostre que ela é possível, sim! Lembre das vezes em que sorriu despretensiosamente, em que riu sem ter escutado uma piada ou até mesmo quando escutou e não achou graça alguma, mas ainda assim riu alto. Faça uma varredura em sua memória e traga à tona todos os momentos em que esteve bem, mesmo quando os problemas pareciam barreiras intransponíveis.

A felicidade é uma de nossas maiores buscas e, talvez, nossa própria existência esteja baseada nela, então aceite o fato de que se somos capazes de chorar, também somos capazes de sorrir... Há sempre o reverso da moeda, mas a questão é qual o lado dela você prefere mostrar? Gandhi sabiamente escreveu que não existe um caminho para a felicidade, pois ela é o próprio caminho...

A vida é difícil, sabemos disso, mas ninguém pode viver eternamente condicionado ao sofrimento para justificar sua existência. Se o sofrimento traz aprendizado, a felicidade é o honorário que nos contempla com méritos e louvores. É o momento em que paramos para apreciar nossas conquistas, que nos permitimos uma trégua e nos refazemos para as próximas etapas da vida.

Você pode achar que a sua felicidade ou infelicidade dependem das outras pessoas, mas eu te digo que não! Tanto uma quanto a outra dependem apenas de sua aceitação. Se você aceitar a infelicidade como a sua principal condição de vida, ninguém será capaz de provar-lhe o contrário! Agora, se aceitar que a felicidade pode estar nas pequenas coisas e em momentos simples, você apura a sua visão e passa a enxergá-la independente dos outros!

Não tenha medo de ser feliz! Mesmo os que estão sofrendo precisam manter a fé e você, não negando e nem escondendo a sua felicidade, pode inspirá-los e ajudá-los. Portanto, quando pensar em pedir licença para ser feliz, reflita bem se estará pedindo para a pessoa certa... Talvez este pedido deva ser feito a você mesmo!

Jackie Freitas

“Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.”

(Johann Goethe)

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Como Nascem as Amizades?

domingo, 31 de julho de 2011.

“Este post é dedicado à minha querida amiga, menina baiana, Eninha Campos, que recebeu a mim e à minha família durante nossas férias em Salvador, com muito amor e carinho. Querida, muito obrigada pela calorosa acolhida e pelos maravilhosos momentos. Somente um coração nobre e generoso como o seu, seria capaz de nos oferecer esse grande mimo! Sentimo-nos verdadeiramente em casa! Ultrapassamos as barreiras virtuais!”.

Vou começar esse texto contradizendo o ditado popular “O que os olhos não vêem o coração não sente” e provar que nem tudo precisa estar ao alcance dos olhos, mas fundamentalmente muito próximo ao coração! Sim, o coração pode sentir o que os olhos não vêem!

Tenho comigo que é muito mais difícil enganar o coração do que aos olhos, porque nem sempre temos na imagem a verdade de quem a projeta, então quando fazemos o caminho inverso tornamos nossos olhos mais perceptíveis às verdades que nos cercam.

Quase sempre queremos dar formas e cores a tudo, principalmente às pessoas. Precisamos da comunicação visual para concretizar relações e até os nossos sonhos... Porém, nem sempre enxergamos o que é fundamental e acabamos, muitas vezes, nos iludindo pelas aparências... E é aí que podemos construir nossos castelos na areia. Então, para que servem nossos olhos senão para atestarem o que o coração nos passa? Não seria esse o caminho mais prudente a ser percorrido? Experimentemos, ao menos uma vez, fechar os olhos e deixar que os sentidos nos conduzam... A primeira porta que se abrirá será a do coração e é por ela que precisamos entrar! Quando conseguimos comprovar através dos olhos aquilo que o coração já sentia, percebemos o quão gratificante é fazer esse caminho...

Como nascem as grandes amizades? Essa pergunta recorrente me persegue há muito tempo e nunca soube respondê-la com exatidão. Bem, talvez porque ela não tenha respostas ou porque nem precise de uma. As verdadeiras amizades (e não precisam ser muitas!) nascem antes mesmo de terem forma física. Sabemos os ingredientes necessários para que elas temperem a nossa vida, independentes de cores ou formas... E as encontramos através das vias do coração!

Essa construção textual foi apenas para contar a todos que nestas férias conheci pessoalmente a minha querida amiga Eninha Campos! Uma amizade que começou em solo virtual, geograficamente distante (eu em Curitiba e ela em Salvador!), mas que foi mantida e fortalecida por um único motivo: abrimos as portas dos nossos corações e não nos limitamos ao visual ou físico. Conhecemos uma à outra pelas razões explicadas pelo coração e não pelos olhos!

Por isso, neste momento, se me perguntarem como nascem as amizades, direi que em algum lugar onde nossos olhos não vêem, mas que seguramente o coração é capaz de sentir!

Muito obrigada coração por manter suas portas abertas e permitir que meus olhos apenas comprovassem o que você já me dizia há muito tempo!

E, como sempre, você não me enganou!

Jackie Freitas

A gente não faz amigos, reconhece-os.”

(Vinícius de Moraes)

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Lar Itinerante

domingo, 24 de julho de 2011.

Eu adoro a minha casa, as minhas coisas, o meu canto... Cada peça representa um pouco de mim ou alguma passagem de minha história! Sinto-me segura e confortável em meu lar!

Nesses dias, em férias, longe da minha casa e dormindo numa cama que não é minha, percebi que apesar da enorme saudade que sinto, encontro-me bem e em paz! E isso pode ser traduzido de um modo muito simples: não são as coisas ou pertences materiais que compõem um lar, mas sim a presença das pessoas que nos acompanham e tornam nossos dias melhores! Com certeza se eu estivesse longe daqueles que amo, meus passos estariam voltados para outra direção, indicando como rumo um lar onde eles estivessem.

Quando dizem que nossa casa é onde estamos, é preciso fazer um pequeno adendo nessa afirmação. Na verdade nossa casa é onde nos sentimos amados, seguros e em paz. E essas coisas não são obtidas apenas nas paredes que nos cercam... Elas precisam estar revestidas com o calor daqueles que aquecem nossa alma e coração, que dão sentido real e abrangente ao significado de um lar. Apesar de sermos constituídos de matéria, somos movidos e guiados pelo amor e pela força dos sentimentos. São eles que nos colocam firmes diante da luta da vida, então, nesse caso, nosso lar é onde encontramos o aconchego dos sentimentos e estamos cercados de amor.

O meu lar pode ser itinerante. Ele não está fixado num ponto único! O meu lar acompanha o meu coração e é nele que está tudo o que preciso para viver. É curioso como a idade (ou maturidade) pode abrandar nosso olhar e nos fazer valorizar as coisas mais simples da vida. Antigamente eu era incapaz de compreender o significado da expressão “amor e uma cabana” (rs). De um modo mais duro, tentando ser realista demais, achava que apesar disso ser poeticamente lindo, não era prático e nem compatível com as nossas reais necessidades. Imagine! Amor e cabana apenas, não pagam contas, não geram sustentos, não trazem conforto... Talvez eu ainda não tivesse a noção do verdadeiro significado de lar e estivesse muito presa às questões materiais. Não estou, com isso, desconsiderando a importância que o trabalho e seus resultados trazem para essa vida que, infelizmente, ainda encontra no dinheiro recursos que proporcionam o conforto. Mesmo que a visão ainda seja poética, quero apenas destacar o quanto podemos nos desprender de tudo que nos liga somente à matéria e encontrar nos sentimentos uma estabilidade capaz de ancorar o coração.

Minha casa e meu endereço fixo estão a quilômetros de distância, mas o meu verdadeiro lar está ao meu lado, movendo-se comigo, desfrutando das alegrias e prazeres, vivendo momentos que dinheiro algum seria capaz de comprar. E é nele que resido neste momento!

Eu poderia estar agora numa cabana e ela também não seria o meu lar! O meu lar estaria presente e representado no amor e em toda a sua extensão, pois é ele que transforma qualquer cabana em um grande palácio... É ele que torna qualquer cantinho desse mundo habitável.

O meu lar são as pessoas que amo... Minha família... São elas que me ajudam a escrever a minha história e me fazem viva!

Estou em casa...

Jackie Freitas

"O exterior do lar de um homem pode parecer o seu castelo; por dentro é sempre seu berçário."

(Clare Boothe Luce)

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O que é Traição?

segunda-feira, 11 de julho de 2011.

Tenho lido ultimamente muitos textos sobre traição. Nada intencional ou proposital, garanto, mas vejo ótimas análises, sob diferentes pontos de vista a respeito de um tema polêmico e que assombra muitas pessoas. Resolvi, então, escrever a minha visão sobre o assunto.

Antes de qualquer coisa é preciso que saibamos separar o joio do trigo. O que é traição? Segundo o dicionário Aurélio, traição é ato ou efeito de trair, ou seja; enganar, ser infiel, desleal... E tem, também, “não cumprir”! OK, todos concordamos com os seus significados, mas eu quero me ater ao: não cumprir.

Normalmente, quando se pensa ou fala em traição, associa-se aos relacionamentos, principalmente nos que envolvem homens e mulheres. Namoro, noivado, casamento... O “não cumprir” representa o descumprimento de algum tipo de acordo que, no caso do casamento acaba sendo a violação dos “deveres” cíveis, morais e religiosos. Entretanto, há pontos aqui que gostaria de refletir.

Claro que não sou defensora da traição ou de traidores, mas acho que é preciso ter uma visão mais lúcida, menos hipócrita e menos possessiva sobre o assunto. A questão que desencadeia os fervorosos debates é que, ainda, a maioria não se conscientizou de que relacionamentos, independentes do nível, não caracterizam propriedade. O ato de relacionar-se com outrem não nos certificam posse ou uso! Essa é uma visão totalmente equivocada e egoísta que retarda a evolução da humanidade. Não quero dizer aqui que os relacionamentos devam se transformar na “Casa da mãe Joana” e que tudo deve ser aceitável. Claro que não! A análise que quero fazer envolve um estágio anterior a esse físico e tão materialista que cerca nossa sociedade. Pensemos como indivíduos, antes de tudo! Não da forma egoísta, onde o prazer ou desejo próprio estejam acima de qualquer coisa. Pensemos como seres que trabalham em prol de um crescimento e evolução individuais, independentes de qualquer ação ou vontade alheia, mas que contribuirão no coletivo!

A traição é um peso que deve ser carregado por quem traiu e nunca por quem foi traído! Há magoas? Sim, somos sensíveis, vulneráveis e quando nos entregamos num relacionamento queremos a fidelidade e segurança do compromisso firmado. Mas traição não pode simplesmente ser traduzida e limitada aos prazeres físicos ou ao sexo em si. Há diversos tipos de traição e que não estão apenas concentrados na relação homem e mulher. Quando alguém revela um segredo, por exemplo, que lhe foi confiado, cometeu uma traição! E por que isso seria menos condenável do que uma fraqueza sexual? A dor de ser traído deve consistir no fato do desrespeito ou na quebra da confiança depositada a uma aliança de sentimentos que consideramos puros e verdadeiros. Por isso é importante saber separar uma coisa da outra!

Quando olhamos ao outro como mera propriedade, estaremos fadados a cometer essa eterna distorção sobre o que seja traição e, pior, quando não temos claro dentro de nós o significado real da traição e o que ela envolve, nos tornamos vítimas de um sentimento que nos transforma em seres amargos e desconfiados para o resto da vida! Traição não está apenas associado ao sexo!

Outra questão para selar essa minha análise é: quem trai, sempre estará traindo a si mesmo e sendo desleal com as suas promessas, suas palavras e intenções... Mesmo que isso envolva os sentimentos ou sonhos de outras pessoas, o ato parte de um indivíduo que, como tal, tem poder sobre suas escolhas! Não nos cabe julgar ou querer castrar uma pessoa assim! Cabe-nos, também pelo poder de decisão e escolha, continuar ou não ao lado de alguém que nos foi desleal! Aceitar uma traição faz parte das muitas escolhas que fazemos na vida, então, é preciso estar preparado para as suas conseqüências. Muitos falarão sobre quando são traídos e não tomam conhecimento, ou seja, quando a mentira e omissão entram no jogo. Repito: quem deve conviver com o peso do ato traição é quem traiu e não quem foi traído!

Por mais que seja difícil sair desse cárcere de culpas e ressentimentos, recomendo que todos façam uma análise profunda sobre isso e que aprendam o que é de fato traição. Não se pode carregar por toda uma vida o medo de se investir num relacionamento pelo pavor da traição. Há pessoas e pessoas e nem todas agem da mesma forma! Somos seres individuais!!! Indivíduos! Temos nossas responsabilidades e é por nossos atos que respondemos, não pelos dos outros! Privar-se de uma vida que pode trazer inúmeras surpresas, por conceitos ou experiências negativas, retarda o processo de crescimento! Quando alguém “não cumpre” com o prometido, perdemos a confiança. E uma relação cujas bases não sejam a confiança, certamente estará comprometida. Por isso, avalie bem e decida o que é melhor para você: conviver com o peso da traição de alguém a quem você não tem o menor poder sobre seus atos ou conviver traindo e ferindo os seus próprios princípios? Como escrevi inicialmente, traição é um peso de quem trai a si mesmo. Se alguém opta em fazer parte desse tipo de traição, então estará sendo tão responsável e traidor quanto o outro!

Enquanto as pessoas não souberem separar o físico e material do espiritual, certamente viverão perambulando no limbo de suas fraquezas. O nível mais elevado da traição é aquele que nos obriga ir contra a saúde espiritual da vida. É quando optamos pela dor e pela cegueira de uma visão mais apurada sobre o nosso propósito de vida. Não se engane! Não se traia! Veja a vida num plano maior e não se limite aos atos alheios! Cada um é responsável por suas escolhas e é assim que nos tornamos donos de nosso destino!

Jackie Freitas

“As pessoas são responsáveis e inocentes em relação ao que acontece com elas, sendo autoras de boa parte de suas escolhas e omissões.”

(Lya Luft)

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Onde Estão as Chaves?

quarta-feira, 15 de junho de 2011.

A cada fase difícil que passamos, esquecemos de agradecer pela vitória alcançada e nos fechamos em pensamento, revendo apenas a parte ruim da experiência. Entramos por uma porta e nos trancamos num cômodo escuro e vazio, tendo conosco as lembranças que nos fazem reviver a todo instante os sofrimentos passados. Colocamos as chaves num chaveiro e as esquecemos por um bom tempo... Enfrentamos o frio das emoções e deixamos que elas nos açoitem violentamente, como se precisássemos de algum tipo de punição. E, na verdade, não precisamos! Nem da aflição, nem da dor, nem do sofrimento e tampouco do açoite emocional.

Ao superarmos uma difícil fase, precisamos nos sentir livres, regenerados e fortalecidos o bastante para que os próximos desafios sejam enfrentados com mais segurança e confiança. Precisamos abrir as janelas desse cômodo e deixar que a luz percorra e ilumine cada centímetro dele, vasculhando nosso ser, revitalizando as nossas emoções. Onde estão as chaves que abrirão esse compartimento tão complexo que adentramos?

É incrível como o nosso instinto de autodefesa nos coloca em reclusão, escondidos dos sentimentos bons. Parece que eles adormecem nesse lugar solitário e nos fazem ficar ali, compadecidos e piedosos conosco. Minha mãe dizia que a cada vez que nos lembramos de uma mágoa, estamos revivendo as mesmas emoções, portanto, trazendo à tona todo o sofrimento pelo qual passamos! E é isso que nos faz ficar inseguros com relação às novas experiências, principalmente se elas sinalizarem que teremos que percorrer por caminhos já conhecidos (temidos). Nossa memória emocional nos remete ao estágio do sofrimento e anula tudo o que conseguimos de bom, inclusive o amadurecimento.

Pessoas que relembram sofrimentos acabam se tornando amargas, duras consigo mesmas, desconfiadas... Acreditam estarem, desse modo, se defendendo dos outros, quando na realidade estão buscando defesas de si mesmas, tentando esquecer definitivamente as chaves que as libertam desse lugar em que se instalaram.

É preciso explorar as emoções e buscar dentro delas tudo o que nos restaura e não aquilo que nos destrói ou coloca barreiras que impedem a passagem da luz. Alguns tentam, desesperadamente, enxergar uma luz no final dessa passagem, mas esquecem de abrir as portas de suas emoções. E onde estão as chaves? Pensemos bem... Elas não podem estar num lugar tão secreto assim! Eu sei que é difícil revisitar algumas lembranças, mas pense que elas não precisam ser revividas. Superar os traumas e as dores exige de nós coragem de enfrentamento e não a covardia de uma reclusão que nos afasta das boas possibilidades.

Esse quarto pode estar escuro, mas cabe a nós deixar que ele se ilumine e traga de volta toda a esperança das novas e boas experiências. Não há promessa de uma vida eterna, repleta de felicidades, mas há a disposição que reside em nós (acredite) de superação. Ao se perguntar onde estão as chaves que te prendem nesse vazio dominado pelo medo e insegurança, percorra o caminho de volta apenas para resgatá-las e, assim, resgatar-se também. Abra as cortinas dos seus olhos e, mais importante, destranque o coração. Dê a si mesmo esse presente! Somos todos merecedores de segundas, terceiras e quantas chances pudermos nos dar. Crescemos e nos fortalecemos desse modo.

Eu mesma passei anos trancadas num porão! De vez em quando chegava perto da porta, até que um dia criei coragem para abri-la. Mesmo diante de tanta sujeira, encontrei a janela que pôde mostrar-me que bastava apenas uma boa limpeza para que ele se tornasse um cômodo comum e seguro. Mas é preciso forças e coragem para enfrentar aquilo que passamos anos tentando esconder de nós mesmos! Essa faxina emocional não ocorre do dia para noite, por isso é preciso que a façamos com cautela, sem exigir de nós aquilo que nossas forças não agüentam. Mas é possível!

Quando me perguntei onde estavam as chaves do meu porão, não precisei ir muito longe para encontrá-las... Estavam o tempo todo comigo, cercadas pelo meu medo. E depois que o encarei foi que consegui ultrapassar essa barreira que impedia a liberdade das minhas emoções.

Encontre as suas chaves! Supere os seus medos! No final, você verá que boa parte das barreiras foi criada por você mesmo e que as chaves podem ser confundidas com os obstáculos que te fazem tropeçar para mantê-lo nessa prisão emocional!

Jackie Freitas

“Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, enfim, de tudo que faz a vida florescer. Mas duvide de tudo que a compromete.”

(Augusto Cury)

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Podemos Ser Muito Mais do que Isso!

terça-feira, 7 de junho de 2011.

Muitas pessoas se cansam na vida porque enxergam apenas o caminho a ser trilhado e quase sempre deixam de admirar a enorme beleza que há no trajeto. Quando estamos sobrecarregados de problemas, normalmente reduzimos os passos e passamos a contá-los para a próxima parada que nos permitirá descanso ou, talvez, o alívio dessa pesada mochila que carregamos. No contra ponto de uma vida corrida e alucinada, que nos impede de absorver os pequenos prazeres, os problemas nos fazem parar e reavaliar o que temos feito, inclusive no rumo dos nossos próprios passos.

Trafegamos numa via acelerada onde alguns disparam à nossa frente e outros ficam cada vez mais distantes; deixados para trás, temerosos e inseguros. Nesse caminho, vez ou outra, questionamos quem queremos seguir: os que seguem adiante com valentia, sem medo do imprevisto ou àqueles que ficaram vários passos para trás, calculando e tentando preverem os seus destinos?

É certo que nas bifurcações da vida paramos e nos fazemos as mesmas perguntas. Queremos ser pessoas melhores e fazer tudo diferente. Queremos dar o próximo passo e mesmo que isso nos cause medo, arriscamos e seguimos adiante! E é esse tipo de desafio que nos mantém nessa corrida. Entretanto, fico pensando se temos, de fato, nos empenhado para que sejamos as pessoas melhores que tanto queremos... E, afinal, ser melhor significa exatamente o que? Vivemos competindo com os outros, tentando provar-lhes algo que não seja o nosso verdadeiro eu?

Ser melhor é apenas uma questão de ótica e ela difere de pessoa para pessoa, de realidade para realidade... Porém, dentro de nós há a orientação do que queremos e precisamos ser. Não que isso signifique resgatar algum tipo de egoísmo que cause danos alheios, mas nesse caso, o “ser melhor” deve atender às nossas reais necessidades e não as dos outros! Não estamos disputando um campeonato onde os bons vencem os maus e vice-versa. Estamos em desafio próprio, superando nossos limites, expandindo nossa mente, explorando conhecimentos e aprendizados.

Sim, podemos ser muito mais do que isso! Podemos buscar um tipo de enriquecimento que dinheiro algum compra, pois está vinculado à nossa percepção e vontade de crescer! Podemos dar vários passos para frente e isso não implica em não ter que olhar para trás. Aliás, recomendo que olhemos, pois somente assim nos enxergaremos evoluindo (adiante) ou estagnados, vendo os outros avançarem mais velozes do que nós! Não se trata de uma corrida contra os outros para saber quem vencerá ou chegará antes de nós. Nem nós sabemos onde esta trilha vai acabar... Trata-se de uma visão pura e simples de evolução, onde nos permitimos avançar e descobrir por nós mesmos cada etapa dessa viagem.

Podemos ser muito mais do que isso se deixarmos as mesquinharias de lado e passarmos a enxergar os outros como fontes de exemplo ou aprendizado e não como barreiras a serem ultrapassadas na conquista de algum tipo de troféu. Se há medalhas no peito de alguém, então somos todos, igualmente, vitoriosos; porque enquanto houver um coração no peito de cada um, estaremos correndo ao lado de vencedores, premiados com uma vida que nos mantém firmes nesse páreo!

Antes que nos digam quem devemos ser, pensemos se somos quem queremos ser! No final, somos pessoas como todas as outras: buscando diariamente o seu melhor, ao seu modo e tempo. Podemos ser muito mais do que isso, mas descobriremos na medida em que evoluirmos nesse trajeto. A estrada pode parecer longa demais... Que bom! Isso significa que temos muito ainda a descobrir, experimentar e viver!

Jackie Freitas

"As pessoas mais felizes não
têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das
oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para
aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam
e tentam sempre.”

(Clarice Lispector)

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O Silêncio Como Resposta

terça-feira, 17 de maio de 2011.

Não sei quanto aos outros, mas eu tenho o meu limite e tolerância para verbalizar sentimentos, pensamentos e opiniões...

Percebo que quase todos passam boa parte do tempo explicando-se por atitudes suas, justificando as dos outros, dando respostas a tudo e todos por coisas que nem sempre precisam de respostas. Às vezes os fatos estão tão claros e visíveis que não precisamos responder nada... Faz parte de minha natureza conciliadora querer resolver tudo o que for possível através do diálogo, porém, há momentos em que não temos êxito e, infelizmente, ficamos a mercê das conclusões e julgamentos dos outros. E muitas pessoas carregam em si, em sua forma de verem o mundo e aos outros; uma maldade absurda que antecipa conclusões errôneas e injustas! Não vou discutir aqui sobre justiça ou o que seja certo e errado, afinal, cada um tem o seu modo particular, a partir de suas experiências, de agir e pensar como quiser...

Muitas brigas são alimentadas justamente porque as partes sempre estão dispostas a defenderem os seus interesses e opiniões, então, verbalizar acaba sendo a saída para que as defesas e acusações sejam mantidas. É uma luta interminável e quase sempre sem vencedores! Ontem, meu marido me disse que as brigas são como partidas de tênis... rsrs... Se houver jogador do outro lado, rebatendo a bola, o jogo durará e poderá, até, levar os jogadores à exaustão física e emocional! É verdade! Quando não tem rebatedor, disse ele, a bola cai e o jogo acaba! Eu sei que é difícil, muitas vezes, não reagirmos às ofensas e não rebatê-las, às vezes até com brutalidade, demonstrando toda a fúria causada; porém, onde isso nos leva?

Eu sempre pensei que todas as pessoas, por mais defeitos que tenham, merecem crédito, carinho, atenção e compreensão. Um grande amigo e mestre, uma vez me disse que não podemos desistir do ser humano porque todos têm direito a erros e acertos. A própria justiça permite que até mesmo o pior criminoso tenha direito à defesa... Mas, no dia-a-dia, agir com todo esse senso de justiça nos exige muito mais do que bom coração ou compaixão. Exige forças que nem sempre temos e, por mais que tentamos encontrá-las, nossos problemas (que também pedem por soluções) impedem que a encontremos.

Então, apesar de alguns acharem que é sinal de fraqueza, fuga ou medo de encarar o “adversário”, aprendi que, em muitos casos, o silêncio acaba sendo a melhor resposta! Através dele, não permitimos que as palavras causem mais mágoas a nós e nem aos outros... O silêncio tem poder curativo, pois nos possibilita avaliar interiormente nossas ações e o rumo que nossos pensamentos nos levam. Também faz com que o “adversário” reflita sobre os seus julgamentos e acusações.

Passei boa parte da minha vida ouvindo o meu pai dizer: “Quando um não quer dois não brigam!” e, confesso, demorei muito para colocar isso em prática. Fico sempre assustada em ver como as pessoas fazem da vida um verdadeiro campo de batalhas, acreditando que todos querem brigar e se ferir! Passam o tempo todo armadas com seus pensamentos e conclusões maldosas, julgam e enxergam a todos como inimigos, e partem para ataques insanos! Certamente a vida não é fácil para ninguém e todos nós já passamos (ou estamos ainda passando) pelas provações, mas isso não dá o direito a nós e às pessoas para saírem agredindo quem surge à frente!

Tenho como princípio o lema: “se não posso ajudar, também não atrapalho”, então, em casos assim, deixo o meu silêncio como remédio... E espero que ele possa curar não apenas a mim, mas àqueles que não exercitaram o bom senso e pensamento antes de proferirem suas duras palavras.

Sendo assim, deixo o meu silêncio como resposta... Precisamos escutar o som da vida e encontrar nela as respostas sobre nossas atitudes e modo de viver...

Jackie Freitas

“Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.”

(Khalil Gibran)

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A Renovação em Nosso Próprio Tempo

domingo, 24 de abril de 2011.

E chega mais uma ocasião/oportunidade para reflexões e reavaliações... Chamadas que despertam nossa humanidade ou o renascimento de nossos sentimentos... Não sei!

Claro que acho válido o apelo, afinal, não importa qual o caminho que tomamos, contanto que alguma mudança realmente aconteça; porém, ainda acredito que temos nossas opções e as portas são abertas diariamente. Não desacredito da força da fé, do poder da religiosidade de cada um ou, tampouco, da “magia” que paira no ar nestes períodos de união através das crenças. Talvez eu ache tudo demagógico demais, previsto, calculado e rotulado... Parece que a bondade de cada um deva estar alinhada em série, em períodos específicos do ano, quando na verdade temos todos os 365 dias para manifestarmos nossos interesses nessa evolução pessoal. Sou cética, sim, quando me deparo com as repentinas boas ações ocasionadas por “elevações espirituais” previstas em calendários. Que me lancem às fogueiras... Eu não me importo! Questionem a mim como questiono a todos... Também não me importo! Mas que o façam com sinceridade, movidos por algum tipo de crença que parta das profundezas dos sentimentos e não pelos apelos comerciais ou morais que buscam pessoas corretas em ocasiões pré-determinadas!

Tempo de renascimento!!! Esse tempo é permanente e está ao nosso alcance diariamente. Somos nós que o enxergamos e determinamos tê-lo em nossa vida! A cada dia temos nossas escolhas e fazemos delas nosso próprio renascimento. Talvez, a escolha de um caminho hoje não signifique esquecer aos outros caminhos sonhados, mas temos sempre um ponto novo, uma nova chance ou perspectiva de mudar aquilo que não está bem...

Penso que as orações são forças de pensamento e vontade que emanam do fundo do nosso ser. Pensamos e queremos diariamente! Provamos de nossas receitas e quando elas fracassam, mudamos algum ingrediente na tentativa de que ela dê certo. Mas, ainda assim, persistimos na busca por mudanças... Perseverar... Esse é o nosso lema!

Então, se temos em nós mesmos essa força súbita de querermos a renovação em períodos específicos, por que não a mantemos ao longo dos demais dias? Podem falar em nome de Deus ou de Jesus se quiserem... Todos acabam falando em nome de algo ou Alguém, mas falem por si mesmos! Falem de suas reais necessidades e vontades e façam disso a verdadeira oração que os norteia ao caminho da renovação. Eu sei bem que precisamos mudar vez que outra, mas muitas vezes tal mudança só será significativa se estivermos convictos de que milagres não ocorrem do dia para noite! O “milagre” acontece aos poucos, quando se vive um dia de cada vez, promovendo uma boa ação a cada oportunidade que tivermos...

Toda essa comoção religiosa nos obriga a acreditar que somos frutos de uma criação suprema (e até acredito que sejamos!), entretanto, qual é o sentido de corrermos às igrejas ou templos, olharmos para o céu e pedir a providência divina se não formos capazes de sustentar essa mesma fé ao longo dos dias que sucederão essas festividades? Eu vi uma pessoa saindo de sua igreja, orgulhosa por sua ação benevolente e caridosa; negando ao seu próximo algumas poucas palavras de conforto e carinho... “Esse aí é um infeliz desgraçado que está padecendo por suas más escolhas!”, disse a “caridosa” alma religiosa! Não temeu em apontar os seus dedos e julgar aquele que estava em seu caminho e aí me perguntei: “Que tipo de renovação ela obteve?”. O que a torna diferente do “infeliz desgraçado”? De que serviram as palavras buscadas senão para alimentar um espírito que ainda diferencia as pessoas umas das outras? Não vejo renovação nisso e sim o reforço de que, ocasionalmente, as pessoas vestem seus trajes de gala para festas oportunas. E a oportunidade que encontram é de mostrarem-se mais bem vestidas que as outras... Apenas isso! Poucos são aqueles que despem seus espíritos e compreendem que é aí que está o verdadeiro sentido de renovação! Momento de encontrar uma roupa adequada que aqueça não ao corpo, mas à alma e a mente! Renovação é olhar para as outras pessoas e perceber que somos todos frutos de uma sociedade, ideologia ou “criação”. Cada um ao seu tempo, despertando para o mundo ou o enxergando de verdade!

Não adianta fazer preces e dedicar o melhor do espírito em ocasiões convencionais... Precisamos fazer de nossas preces diárias a oportunidade da mudança e renovação... Não podemos dormir nos outros dias e ressuscitarmos apenas aos chamados programados. A vida exige nossa atenção e cuidado sempre! E continuaremos errando ou acertando e cometendo falhas irreparáveis ou atos grandiosos, porém, ainda assim estaremos agindo ao comando de nossas próprias escolhas. Aos “seres humanos”, a mensagem que deixo é: “serdes humanos!”... Esse é o exercício condicional de nossa existência e o caminho para a verdadeira renovação!

Jackie Freitas

*Imagens retiradas do Google Imagens

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