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Medo X Coragem

sábado, 30 de março de 2013.

O medo, muitas vezes, nos impede crescer. Por causa dele, deixamos de buscar oportunidades e conhecer os muitos e diferentes caminhos da vida.

Vivemos na idealizada segurança, mesmo que insatisfeitos, e não nos permitimos olhar além dos muros que o medo constrói em nossa volta. Mas, chega um momento que precisamos avançar e fazer da coragem a nossa principal arma de sobrevivência.

Não acredito que a vida seja complicada... Tenho, cada vez mais, certeza de que a sua simplicidade é que nos desafia a enxergar o obvio e ao mesmo tempo bloqueia a nossa visão, prendendo-nos na comodidade e transformando o medo em barreiras gigantescas para as novas descobertas.

Há de chegar um momento em que o medo será superado e que a vida, então, deixará de ser um mistério... Há de chegar a hora de nos libertarmos e seguir adiante, buscando novos caminhos e fazendo deles o nosso destino.

As despedidas são sempre dolorosas, principalmente quando nos acostumamos com o conforto ilusório criado pelo medo. Mas, penso que não estamos nesta jornada para vivermos sem desafios ou acomodados na simplicidade; então, adeus medo e limitações! Às vezes precisamos de um voo mais alto. Podemos cair durante a trajetória, mas é fundamental que testemos nossas resistências!

Portas se abrem e se fecham constantemente diante de nós. Fazemos nossas escolhas e são elas que desenham, lentamente, o nosso futuro. O importante é estarmos cientes de que nada nos chega sem aviso prévio. Nada nos é imposto sem a opção de escolhermos como prosseguir... E, como prosseguir depende apenas de nós!

Por mais sombrio que pareça o futuro, não podemos temê-lo. Independente de qualquer coisa será através dele que descobriremos o desfecho dessa história e é com coragem e espírito de luta que manteremos nossos passos firmes para trilharmos os caminhos escolhidos.

Já ouvi muitos rumores sobre o medo e o que posso dizer neste momento é que devemos tratá-lo com respeito, mas não nos curvarmos diante dele. Compreender que sem ele a vida perderia os seus mistérios, mas que, também, sem ele não teríamos os seus desafios. Portanto, mesmo que o medo ganhe dimensões incalculáveis, precisamos encará-lo e deixar que a coragem nos leve adiante. O medo habita dentro de nós e não no mundo ou na vida em si... Ele ganha forças à medida que o alimentamos e o deixamos orientar nossos passos.

Todos nós enfrentamos grandes batalhas e em cada uma delas o medo está presente; entretanto, cada batalha vencida tem a coragem como principal arma... E é isso que nos faz lutar arduamente pela sobrevivência. É a coragem que nos faz chegar ao final de cada batalha e descobrir a vida existente além dos muros criados pelo medo...

Jackie Freitas

“Façamos da interrupção um caminho novo.
Da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte, da procura um encontro!”

(Fernando Sabino)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Sobre Perdas e Ganhos...

domingo, 3 de março de 2013.

Sofremos perdas por toda a vida. Dolorosas, insignificantes, grandiosas, insubstituíveis, irreversíveis, inesquecíveis... Há perdas por todos os lados e não estamos preparados para lidar com elas!

A cada perda, velhas perguntas ressurgem e questionamos sobre justiça e merecimento com o amargor da impotência e frustração. Lutamos por conquistas e vitórias, planejando uma vida perfeita, onde as perdas não têm espaço. Mas elas existem e nos rondam o tempo todo com a difícil missão de lembrar-nos da importância de vivermos intensamente cada momento de nossas vidas e, acima de tudo, com gratidão pelo que temos.

Infelizmente só valorizamos as conquistas quando as perdemos. Entretanto, a boa notícia é que algumas perdas nos trazem de volta a consciência sobre a grandeza da vida e nos devolvem a visão 360 graus, capaz de nos mostrar tudo e todos que nos cercam...

Recentemente tive o meu carro furtado. Confundi frustração com a dor da perda e passei por momentos de profunda tristeza, afinal não é fácil aceitarmos que nos tirem algo que foi obtido com muita luta e suor. Porém, dias depois, meu marido sofreu um acidente e foi parar num hospital. De repente, a perda do carro tornou-se tão insignificante diante da possibilidade da perda de alguém que amo, que passei a agradecer pela vida... E apenas por ela! Até então o ditado “vão-se os anéis e ficam-se os dedos...” nunca me parecera tão real e verdadeiro. Hoje sei, na essência, o seu significado, porque há perdas totalmente substituíveis enquanto outras são irreparáveis!

Graças a Deus perdi o carro, mas não o meu marido! Uma verdadeira barganha!

Sempre digo que nada nos acontece por acaso e, talvez, não vivo este momento turbulento sem alguma razão. Por diversas vezes resmunguei ao ter que pegar o carro para ir a algum lugar. Agora, sem alternativas, acordo mais cedo para pegar um ônibus e ir ao trabalho. As sacolas do supermercado cortam meus braços e minhas mãos, mas acho que é o preço que pago pela consciência e valorização... Quando olhamos a vida num plano maior, percebemos que temos tudo o que precisamos para viver e sermos, na medida do possível, felizes. Na calmaria, nos damos ao luxo das queixas e reclamações, mas quando a tempestade de fato chega é que nos damos conta de que tudo sempre esteve em seu devido lugar... Todos os dias, reclamamos de algo e dificilmente estamos satisfeitos com a vida que temos. Invariavelmente nossas lamúrias estão fundamentadas nas “picuinhas” ou insignificâncias e as perdas nos mostram aquilo que nos esquecemos de valorizar.

Tenho certeza que em cada perda ganhamos algo. É um paradoxo difícil de ser compreendido, mas é através das perdas que resgatamos coisas valiosas e inestimáveis na vida. Nestes momentos o agradecimento se torna fundamental, pois diante das dificuldades nos fortalecemos e vemos que nem tudo está perdido. A essência foi preservada e o que se arranhou foi apenas o casco; portanto, apesar dos pesares, não sofremos perdas irreparáveis.

Sempre temos escolhas e depende delas o modo como viveremos... Podemos continuar lamentando e deixar a vida passar, dolorosamente. Podemos sofrer eternamente e enxergar a vida como um purgatório. Podemos chorar e perder todas as chances de encontrar a alegria. Podemos nos conformar com os problemas, acionar o piloto-automático e deixar que a vida nos leve a qualquer lugar... Mas, como temos o benefício das escolhas, podemos, também, reverter tudo isso! Enxergar algo positivo, mesmo nos momentos mais duros e difíceis, é uma arte!

Sentimos a perda quando algo nos é tirado abruptamente, mas vedamos nossos olhos diante das pequenas perdas diárias e que compõem o espetáculo da vida, por puro comodismo e conformidade! Lamentamos pelo que poderíamos ou deixamos de ter, mas nos esquecemos de agradecer pelo que temos! Reclamamos as injustiças, mas cometemos boa parte delas. Pedimos por uma vida melhor, quando não nos falta saúde, trabalho, comida... Em nossos sonhos, vislumbramos uma vida “perfeita”, mas não a identificamos quando estamos acordados...

O que estou aprendendo com tudo isso? Que independente do tipo de perda que sofremos, algo novo surge e nos traz esperanças. Que as oportunidades nascem, principalmente, diante das dificuldades. Que a vida se renova a todo instante e por mais difícil que seja o nosso momento, algo pior poderia ter acontecido. Que não há vida perfeita até nos darmos conta da própria vida. E, por fim, que a gratidão é a melhor forma de reconhecermos os ganhos diante de determinadas perdas.

Jackie Freitas

"Amadurecer talvez seja descobrir que sofrer algumas perdas é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência."

(Martha Medeiros)

Este texto é dedicado ao meu marido, amor e bússola da minha vida... Muito em breve estaremos juntos, comemorando mais uma das muitas bênçãos que recebemos. Agradeço a Deus por permitir que a minha vida continue perfeita, com você ao meu lado! Te amo!

*Imagens retiradas do Google Imagens

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De Algum Modo…

terça-feira, 29 de janeiro de 2013.

De algum modo, por pior que estejamos, sobrevivemos...

De algum modo, criamos forças e atravessamos nossas crises; as vencemos, tornamo-las lembranças e criamos referências...

De algum modo, uma força inexplicável toma conta de nós e faz com andemos com os olhos em linha reta, vislumbrando um horizonte de esperança. Não abaixamos nossas cabeças para olhar o chão que pisamos... Apenas seguimos em frente...

De algum modo a vida se encarrega de acertar as arestas e nos colocar onde devemos estar... Nestes momentos, mesmo cegos, somos simplesmente guiados...

De algum modo, o passado passa... As lembranças não causam mais sofrimentos e até nos trazem algum alento...

De algum modo transformamos as cinzas e nos reconstruímos, porque precisamos continuar... Mais fortes e crentes de que algo maior (e melhor) nos fora reservado.

Talvez não precisemos de explicações para tudo, porque simplesmente não há! Precisamos, sim, de serenidade e humildade para compreender de que o pouco que sabemos já nos é suficiente para prosseguir...

De algum modo, um dia, todos nós viraremos cinzas, pó, grão ou que for...

As palavras se tornam desnecessárias... As silenciosas preces bastam!

Jackie Freitas

O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.

(Friedrich Nietzsche)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Mensagem

domingo, 7 de outubro de 2012.

Queria escrever um texto que fosse capaz de transmitir uma mensagem otimista e nos fizesse reavaliar o modo como conduzimos a vida. Gostaria que todos a valorizassem e a tratassem com carinho e respeito, vivendo cada momento com paixão, intensidade e compreendendo que eles são únicos. Que olhassem ao redor e percebessem as pessoas, pois elas também são únicas! Que olhassem para si e tivessem a certeza de que são raras e especiais. Se buscarmos um modo melhor de compreender tudo o que nos cerca, veremos que a beleza está nos detalhes que deixamos passar despercebidos...

Então, li esse maravilhoso poema de Pablo Neruda e vi que tudo o que eu queria escrever, ele já havia escrito. Obrigada Pablo!

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas, Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se  desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas delas valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

(Pablo Neruda)

Minhas considerações finais são:

É proibido restringir a vida! É proibido não vivê-la com intensidade! Viva e faça a SUA diferença! Não para os outros... mas para você! Olhe de modo diferente e enxergue-se melhor a cada dia. Ninguém tem o direito de nos fazer acreditar na insignificância e nem nós temos o direito de passar insignificantemente pela vida!

Jackie Freitas

*Imagens retiradas do Google Imagens

 

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Além dos Muros, Através das Pontes

domingo, 16 de setembro de 2012.

Antes de começar a escrever, tinha apenas uma pergunta rondando meus pensamentos: “Por que as pessoas isolam umas às outras?”. Depois, esta pergunta foi derivando outras e, antes mesmo de tentar respondê-las, cheguei à triste conclusão de que os muros que nos cercam estão cada vez mais altos e as pontes, que deveriam permitir os acessos, mais longas e estreitas...

Transpor estes muros não é tarefa fácil, principalmente quando pensamos na dura escalada e nas possíveis quedas a serem enfrentadas e superadas. Percorrer o longo trajeto das pontes tornou-se uma missão tão árdua e cansativa, que muitos desistem logo no início. Desta forma enxergamos tantas dificuldades para nos aproximarmos das pessoas que acabamos por nos submeter ao isolamento. Gostaria muito poder perguntar aonde isso tudo nos leva e ter uma resposta diferente da que, infelizmente, os muros tornaram-se nossas próprias prisões e não nos permite ir a lugar algum... O que se obtém nesta reclusão é o atrofiamento das emoções e algo que, a meu ver, o maior de todos os ônus: o envelhecimento da alma!

Cada vez mais admiro as crianças, com seus atos simples e despretensiosos, e me frustro com o “crescer” que, teoricamente, denota maturidade e sabedoria, mas que no fundo nos torna ignorantes, estúpidos e arrogantes. Da infância passamos rapidamente à velhice, porém sem qualquer riqueza interior! Desaprendemos a brincar e sorrir, e perdemos toda simplicidade da interação e relacionamento. Deixamos um vácuo enorme entre a infância e velhice porque desperdiçamos essa preciosa fase das descobertas e conquistas com mesquinharias e rabugices. Talvez a inacessibilidade não seja decorrente apenas dos altos muros, mas também da opção de cada um pelo isolamento. Quando menos se percebe, a alma envelheceu e tudo que resta é o amargor da solidão e o cimento que mantém os tijolos destes muros cada vez mais firmes... E aí, quem está do outro lado, esperançoso por uma pequena brecha, desiste da escalada.

Sempre pensei que os muros fossem mecanismos de defesa, criados em prol da sobrevivência. Mas como sobreviver em isolamento, sem convívio com as outras pessoas, sem trocas ou perspectivas de expansão? Quanto mais altos os muros, menos luz e maior a escuridão. Seria esta a melhor escolha?

Por mais absurdos e descasos que vejo a minha volta, continuo enxergando beleza na vida, porque não me cerco de muros (ou talvez eles ainda estejam muito baixos) e nem permito o isolamento como condição de viver... Mantenho a fé nas pessoas e, por mais trabalhoso que seja, creio que possamos resgatá-las das prisões em que vivem. Um simples sorriso transforma-se em uma porta... Uma significativa passagem e um sinal positivo de receptividade para a interação com outras vidas! Não há tempo para ranhetices! A vida pede urgente paciência e muita ternura! Ela pede mais vida em nossas vidas e somos, sim, capazes de atender a esse pedido!

Se os muros estiverem altos demais, construamos janelas neles... Isso será suficiente para enxergamos o que há do outro lado! Se as pontes estiverem longas e estreitas, percorramos por elas sem medo ou desânimo... Certamente, em seu final, encontraremos algo valioso e que contribuirá com o rejuvenescimento da alma. Percorrer por estas pontes é preencher com vida o que se perdeu em reclusão. É olhar adiante e descobrir encantos, pois esta é uma das muitas bênçãos da vida. Querer é poder e nós temos o poder de modificar. Não depende apenas dos outros, porque os primeiros passos sempre serão dados por nós! E serão estes passos que nos levarão de encontro às descobertas e, principalmente, às pessoas; por isso é essencial compreender a importância das pontes e o que elas representam em nossas vidas!

A pior prisão não é aquela que nos colocam, mas a que construímos por vontade própria e aceitamos viver... por covardia, medo e fraqueza. Manter-se nela é infringir as regras da vida! Ninguém determina o nosso destino se não agirmos com vigor e em defesa do viver! Não são os muros que nos defendem ou protegem, mas nós mesmos; com bravura e valentia, destemidamente.

Derrubemos os muros e nos coloquemos em posição de defesa e ataque... Não contra as pessoas, mas contra tudo o que tentar impedir o fluxo da vida. Lutemos!

Vamos todos envelhecer, mas que seja com sabedoria e com a certeza de se ter vivido plenamente... Que a velhice venha naturalmente com o tempo e não pela ignorância, isolamento e obstrução dos sentimentos!

Jackie Freitas

”Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, siga-o!”

(Nietzsche)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Saber Conviver… Saber Viver

sexta-feira, 7 de setembro de 2012.

Somos surpreendidos a todo instante... A vida é uma caixa de surpresas e nos proporciona tantas dádivas! Por mais que acreditemos no infortúnio ou na má sorte; ainda temos um saldo positivo a ser comemorado.

Não acredito em conspirações malignas! Não creio que o universo, em sua imensidão e beleza, despenda do valioso tempo para articular o mal contra nós. Penso que tudo o que recebemos faz parte de uma troca... Somos a causa e o efeito, e colhemos o que plantamos. Mesmo quando os frutos demoram a aparecer... eles aparecem! Então, se semeamos coisas boas, os bons frutos resultantes de nossos esforços aparecerão... E o inverso também acontece! Com o diferencial de que as más energias se propagam em outra velocidade, ou seja, a colheita da prática do mal chega rapidamente!

Desanimar talvez faça parte do teste de resistência que a vida nos coloca, mas não estamos aqui para fracassar e entregar os pontos! Estamos sempre em prova, mostrando aos outros e principalmente a nós mesmos que somos capazes de superar os desafios e nossos limites. Quantas vezes, exaustos, pensamos em desistir, acreditando que nada mais de bom acontecerá? Quantas vezes pensamos em chorar, desamparados e fragilizados, certos de que só nos restaram as lágrimas como consolo?

Muitas vezes somos obrigados a seguir por outro caminho e buscar uma rota nova, provavelmente de fuga e desespero, mas que não representa o fim e nem nos sentencia ao “corredor da morte”... Caminhos novos trazem perspectivas e possibilidades. Se mantivermos a esperança e a fé vivas, acreditando que todos os dias somos preparados para novos acontecimentos e olhando aos desafios como oportunidades para boas descobertas; comprovaremos o quão surpreendente e abençoada é a vida. É preciso saber viver!

Saber viver é saber conviver... E conviver exige um olhar diferenciado a tudo e todos, sem preconceitos ou indisposições. Um olhar curioso, investigativo e, acima de tudo, receptivo para que as surpresas nos atinjam em sua totalidade. Questionamos a vida, desconfiando de suas intenções e propósitos; rotulamos as pessoas, julgando-as e excluindo-as antes mesmo de dar-lhes a chance de mostrarem suas qualidades. Focamos nossa visão nos defeitos porque nos condicionamos a esperar o pior de tudo e todos, embora queiramos ser surpreendidos por ações e acontecimentos que reflitam a utopia do mundo perfeito e de pessoas perfeitas. Mas, esquecemos (ou não queremos aceitar) que o “pacote” das surpresas não é composto somente pelas coisas magníficas... Conviver é degustar do bom e ruim, partilhar do muito e do pouco de cada um... É encontrar complementos, certezas, dúvidas e respostas...

Contudo, só encontraremos nossos caminhos se permitirmos que a vida nos mostre todas as possibilidades e as olharmos com interesse, sem nos cercarmos de muros e defesas! As surpresas nascem dessa iniciativa. Repito: saber viver é saber conviver... Conviver exige respeito ao próximo, com seus defeitos e qualidades; compartilhar experiências e estar receptivo a todas as informações. Assim, viver é saber que pouco se sabe... E é esse paradoxo que nos torna sábios! Quando assumimos a humildade para expandir nossas visões e conhecimentos, praticamos a lição do convívio e aprendemos a viver melhor. Deixamos de esperar demais dos outros e exigimos menos de nós. Simplesmente deixamos a vida fluir para que ela nos surpreenda!

De um modo ou outro somos surpreendidos diariamente. Algo novo sempre acontece! Depende de que forma concebemos as surpresas. E a vida é feita de momentos memoráveis, surpreendentes e repletos de aprendizado. Nada pode ser descartado! Não existem momentos sem pessoas... É essa junção que resulta nas fantásticas experiências da vida! Em todos os momentos temos pessoas compartilhando, aprendendo, ensinando, interagindo e surpreendendo... Basta permitirmos e darmos chances... a nós, a elas e à vida. É necessário... Essencial... Vital...

É preciso saber conviver! É preciso saber viver!

Jackie Freitas

“A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”

(Mario Quintana)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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O Amor e suas Dores

segunda-feira, 13 de agosto de 2012.

Outro dia, assistindo um filme, vi uma cena onde o protagonista dizia que o amor dele era tanto que chegava a doer... No final ele chegou à conclusão de que o amor não deveria causar nenhum tipo de dor, portanto, o dele estava errado...

É certo que buscamos no amor algum tipo de conforto pra alma, recompensas, justificativas e vários sentidos para a vida; mas sabemos que não caminhamos o tempo inteiro sob o céu de brigadeiro... Encontramos tempestades, nuvens escuras e vendavais. E, mesmo o amor verdadeiro, construído em bases sólidas, capaz de resistir a tudo, não está imune às diversas provações da vida.

Quando falamos em sentimentos, tratamos de algo delicado, frágil e sujeito, sim, às dores, sofrimentos e decepções. Falamos de pessoas que, embora queiram caminhar lado a lado, são diferentes umas das outras e com concepções, também, diferentes sobre o amor e até mesmo da vida.

Pensar na unidade dos sentimentos, mesmo que ideologicamente correto, nos leva a uma espécie de egoísmo, pois queremos o que é confortável e seguro para nós e aí julgamos que os nossos anseios são adequados ao outro também. Queremos muito e de preferência com poucos esforços! Queremos do outro, às vezes, mais do que ele pode nos oferecer ou queremos, então, doar mais do que nossas condições permitem.

Encontrar essa sintonia ou a medida exata para equilibrar os sentimentos e dar o real sentido ao amor é uma busca que fazemos por toda uma vida e nem sempre encontramos. Por isso, acredito, não há a felicidade plena ou a total realização quando se trata do amor. Há sempre algo mais que achamos que poderíamos oferecer e há sempre algo a menos que achamos ter recebido.

Complexo? Muito! Os sentimentos oscilam e com eles as nossas necessidades e ideais. Não há como exigir apenas do amor algo que devemos conquistar diariamente. Não dá para colocar toda a responsabilidade no bravo e heroico amor!

A meu ver, não há como entregar-se totalmente ao amor se tivermos lacunas mal preenchidas em nosso dia-a-dia e se não lutarmos pelas muitas realizações que almejamos. O amor é um sentimento primordial, sem dúvida, mas ele não se alimenta sozinho! Ele não se sustenta através de ideais ou sonhos. Mesmo que ele chegue “pronto”, ainda assim precisa de cuidados, de reparos e da construção conjunta. Tudo isso levando em consideração as diferenças e divergências, pois são elas que permitem o equilíbrio saudável às duas partes. Se for bom para um deve ser bom ao outro e se houver dores é porque chegou o momento de ajustes e avaliações. Às vezes as avaliações não levam aos ajustes e sim à certeza de que estamos na bifurcação onde as decisões precisam ser tomadas, nos levando a caminhos diferentes (separação). Ou, elas podem nos fazer percorrer o caminho de volta para verificarmos que muitas tempestades foram superadas, juntos, e que vale a pena prosseguir nessa intrigante investigação!

Há dores no amor! Há muitas! Mas há prazeres, recompensas e, o mais importante, um acolhimento companheiro que nos fortalece para muitas lutas! O remédio para as dores do amor é o amor genuíno e puro, aquele que já nasce dentro de nós, sem dependências ou expectativas. O amor que é amor pela própria existência e que se repercute por onde passamos. Amor pela vida e que nos prepara pacientemente para o amor compartilhado. Só oferecemos ao outro o nosso verdadeiro amor quando nos amamos sem medos e hesitações. Não descobrimos o amor próprio através do amor que o outro possa nos proporcionar e é esse o grande erro de muitos amores... Talvez seja por isso que alguns causem tantas dores!

A dor pode ser vista como um ônus da vida (e talvez seja mesmo), mas se olharmos por outro ângulo, ela pode apenas ser um pedido de auxílio para alguma cura. E nem sempre as curas estão prescritas nas receitas médicas! Elas estão em nós, em nossa consciência e em outro sentimento esquecido ou adormecido: o amor próprio!

Jackie Freitas

“Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.”

(Martha Medeiros)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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As Duas Faces do Julgamento

segunda-feira, 23 de julho de 2012.

Há uma referência bíblica que diz: “não julgueis para não serdes julgados...”. Apesar de muitos de nós pronunciarmos estas palavras com convicção e, às vezes, com um “q” de sabedoria irrefutável; na prática passamos o tempo todo julgando com a mesma irracionalidade daqueles que nos julgam.

Talvez seja difícil conter nossas opiniões sobre os outros e, principalmente, não usá-las inapropriadamente. O que nos torna capazes de fazer julgamentos e, consequentemente, determinar o caráter de uma pessoa? Quais são os critérios utilizados para que os julgamentos se transformem em sentenças absolutas contra alguém?

Fico sempre pensando na velha história da pedra e da vidraça... Fácil e prazeroso é ser pedra, mas ninguém quer se colocar no papel da vidraça... E quando nos tornamos vidraças, quebramos (em prantos e dores) muito antes das pedras nos atingirem. Não aceitamos as injustiças, os preconceitos e os julgamentos... Mas, em momento algum paramos para avaliar os muitos estragos que também fazemos aos outros quando nos posicionamos com arrogância e maldade, atirando nossas pedras a esmo!

Há muitas perguntas das quais não sabemos as respostas, porque tentar entender o comportamento humano será sempre complexo. Cada pessoa possui suas razões e formas diferentes das nossas para conduzirem suas vidas, mas ainda acreditamos que todos devem agir de modo igual, seguindo critérios que nós mesmos estabelecemos como certos, quando na verdade nem sabemos quais são esses critérios! E é nesse emaranhado de confusões e enganos que partimos para os julgamentos, esquecendo-nos que da mesma forma também somos julgados. Quem está certo e quem está errado? Ninguém!

Outro dia, assistindo a um programa de TV, escutei o Pedro Bial dizer: “difícil não é ser os outros, mas sim nós mesmos!”. Tenho que concordar com ele! Realmente passamos tanto tempo vivendo a vida alheia, nos ocupando dos comportamentos e pensamentos dos outros, fazendo tudo melhor e diferente, que nos esquecemos do quanto é difícil assumirmos nossas próprias responsabilidades. E tais responsabilidades estão relacionadas com a capacidade de vivermos uma vida digna, onde erros não são motivos de apontamentos, exclusões e sentenciamentos. Erros são apenas oportunidades de experimentar algo novo e diferente, de seguir por caminhos que outros, talvez, não tiveram coragem de percorrer. E, repito sempre, erros (no meu ponto de vista) são tentativas de acertos, por mais absurdos que possam parecer! Eles devem ser assumidos com humildade e não com vergonha. Ainda, no contexto bíblico: “... quem nunca errou que atire a primeira pedra!”.

Este texto (quero deixar claro) não é religioso, mas apenas uma forma de observarmos que a hipocrisia faz parte do convívio humano desde sempre... Não porque os tempos não mudam ou a humanidade não evolua, mas por sermos (infelizmente) presas fáceis dos nossos próprios demônios! Abominamos aqueles que julgamos, somos abominados por aqueles que nos julgam e abominamos os que julgamos e os que nos julgam... E assim o ciclo de enganos e injustiças se perpetua, passando de geração a geração... Vivemos intensamente a vida que não nos pertence, querendo mudá-las e melhorá-las; mas esquecemos de viver as nossas! Queremos corrigir as falhas alheias, mas não nos atentamos que cada vez que nos preocupamos com outras vidas senão as nossas, estamos abrindo espaço para que os outros também nos julguem!

Difícil não é ser os outros, mas sim nós mesmos... Na minha ótica deveríamos reformular esta frase e dizer: Prazeroso não é ser ninguém além de nos mesmos! Isso sim nos tornaria indiferentes aos julgamentos, pois estaríamos convictos de quem somos de verdade, independente das opiniões ou conhecimentos alheios sobre nossas próprias vidas. Somente nós sabemos quantas pedras removemos pelo caminho para chegarmos aonde chegamos. Somente nós sabemos o valor de nossas conquistas, do quanto abdicamos ou nos esforçamos para vencer nossas batalhas! Somente nós temos o dever de repousar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, cientes de termos feito tudo o que esteve ao nosso alcance para concluir mais uma etapa da vida. Somente nós podemos avaliar se nossas condutas nos levarão aonde queremos chegar, porque nós escolhemos nossos destinos e não os outros! É desta forma que não julgamos, porque não temos tempo para outras vidas, senão as nossas! E se quiserem nos julgar...

Ora, sabemos quem somos. E é isso que importa!

Jackie Freitas

“Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia...”
(Paulo Coelho)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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O Meu Ano Novo

domingo, 15 de julho de 2012.

Hoje fui despertada pelos aplausos do tempo… 43 anos de emoções, bênçãos, surpresas e milagres... Anos que me parecem uma eternidade se eu considerar todas as experiências e aprendizados vividos! Anos que, independente dos acontecimentos, me mantiveram em pé e firme na caminhada...

Hoje o tempo não me pede para parar. Os aplausos são estímulos para que eu aguarde (ainda caminhando) as tantas e inesperadas surpresas que os próximos anos me trarão. Hoje celebramos a valentia que me trouxe até aqui, sem desistências ou covardia. Trilhar pelo caminho mais fácil pode nos parecer tentador em alguns momentos, mas trilhar pelo caminho certo, mesmo que longo e tortuoso, é que nos torna vencedores. E essa é uma conquista a ser sempre comemorada.

Pensei em uma forma de retribuir, em agradecimento, à vida por tudo o que ela tem me presenteado. É difícil pensar em algo grandioso quando a própria vida em si simboliza a grandiosidade, então, mais uma vez, quero compartilhar com todos que aqui estiverem algo valioso e que se tornou uma das melhores lições e exercícios de minha vida: a gratidão.

43 anos vividos não me tornam a “voz” da razão, do exemplo ou perfeição, mas me permitem compartilhar algumas experiências que podem ajudá-los a enxergar a vida de uma forma diferente. Uma vida branda, mesmo que muitas vezes pareça dura e injusta; uma vida bela, mesmo que no céu as nuvens estejam negras e com tons de tempestade... Descobrir as nuance da vida é um dos nossos maiores desafios e só as enxergamos após aprendermos a reconhecer e entender o significado de cada tom... Nem toda a escuridão tem a intenção de provocar cegueira ou desnortear os passos, mas sim em fazer-nos reconhecer a importância da luz... Nem toda profundeza representa o abismo que enterra e finda a vida. As profundezas resgatam nossa essência e nos fortalecem para o retorno à superfície. Se juntarmos todas as lágrimas derramadas poderíamos formar um oceano de tristezas, mas muitas vezes as lágrimas celebram a felicidade inexplicável dos acontecimentos. Elas lavam a alma e renovam nossas esperanças.

Quando penso em gratidão, incluo todos os momentos e todas as cores da vida... Agradeço a cada oportunidade de enxergar as coisas de modo diferente. Agradeço às novas perspectivas e a todos que me rodeiam. Aprendo com tudo e com todos! Agradeço pelas pessoas maravilhosas que encontrei, pelas que ainda permanecem ao meu lado, depositando fé e confiança, muitas vezes maiores do que as que eu mesma tenho em mim...

Se eu pudesse dar algum conselho neste momento, diria: independente da idade ou das dificuldades que tenham, sejam gratos pela vida! Olhem para ela com muita atenção e carinho; observem cada momento, pois eles são únicos. Valorizem as pessoas que os cercam e as agradeça também por tudo que elas oferecem. Lembrem-se que tudo e todos compõem nossas existências e viabilizam as nossas transformações. Amem sem cobrarem excessivamente a reciprocidade dos sentimentos, mas reconheçam e distingam os generosos dos oportunistas.

Neste dia de tantos aplausos e comemorações, gostaria de agradecer à vida, principalmente pelos presentes que ela me deu: minha família! Meu amado e generoso marido, a quem amo com toda a minha alma! Homem exemplar, honesto, trabalhador e principal agente do bem que me transformou ao longo desses muitos anos de convívio. Meu amigo (melhor amigo), companheiro, amado e amante! Obrigada Deus e obrigada vida por tê-lo colocado em meu caminho!

Meus filhos: Carolina, Victor, Gustavo e Camila... A minha missão talvez fosse a de ensiná-los sobre a vida, mas tenham certeza de que são vocês que me ensinam cada dia mais sobre ela! Eu os amo muito! Vocês são os maiores presentes que a vida me deu. E como sou grata por isso! Minha mãe, amiga e inspiração. Minha memória viva de todo o início desta trajetória. Amo-a com todo o meu coração e a amarei por todas as vidas que tiver... Meu irmão amado, Fábio, companheiro de muitas lutas. Nossa união será eterna... Nossa irmandade também! Minha irmã Jaqueline pelo frescor de sua juventude e sabedoria. Tenho certeza que muito irá nos ensinar e orgulhar.

Não sou pessoa de muitos amigos e isso com o passar dos anos também vamos aprendendo que não importa a quantidade e sim a qualidade. Deixamos de querer mais e passamos a querer melhor... Portanto, aos meus poucos, mas verdadeiros amigos, o meu muito obrigado por tudo o que me dão de coração e com verdade. Pela confiança e carinho, pela doação de sentimentos de forma gratuita e despretensiosa.

Quando chega nosso aniversário, muitos perguntam o que queremos de presente... A minha resposta agora é: NADA, pois já tenho TUDO o que preciso para viver e manter-me cada vez mais firme nesta jornada. Tenho todos os presentes que a vida pode ofertar e é por isso que, como mensagem, deixo a vocês que um dos melhores aprendizados que temos e que pode se tornar um dos nossos melhores legados é a gratidão. Somente através dela enxergamos a vida com o respeito, carinho e verdade que ela merece. E é isso que nos torna cada vez mais fortes para os muitos anos de experiências e ensinamentos que teremos pela frente.

Obrigada a todos! Obrigada vida! Os aplausos me convidam para a dança da celebração... E ao som deles seguirei...

Jackie Freitas

“Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é por si só, uma vida.”

(Sêneca)

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Heróis Verdadeiros

segunda-feira, 25 de junho de 2012.

Fico triste quando vejo as pessoas perderem a fé... Não me refiro à fé em Deus porque de alguma forma, esta nunca desaparece. Refiro-me à fé própria; quando deixam de acreditar que são capazes de transformarem suas vidas utilizando a força que há interiormente em cada uma delas.

Algumas coisas independem de nossa vontade ou controle, mas grande parte do caminho que trilhamos é definida pelo que determinamos através das escolhas e decisões tomadas, ligadas ao maior poder que temos que é o de comandar nossas vidas.

Quando vejo alguém ferindo a sua autoestima ou quando eu mesma ignoro a minha, leio e releio inúmeras vezes a oração da serenidade, principalmente o trecho que diz: “Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”.

O grande lance não é preocuparmo-nos com as escolhas e decisões dos outros e nem no quanto isso interferirá em nossas vidas, mas sim em concentrarmos nossas energias naquilo que, de fato, promoverá as significativas mudanças que queremos. Enquanto não aprendermos a assumir nossas escolhas e as suas consequências ou, ainda, enquanto não tivermos coragem para dar os passos necessários para que as mudanças ocorram, viveremos em busca de culpados pelas nossas dores e problemas, sem enxergarmos a responsabilidade que cabe apenas a nós...

Vi esses dias uma amiga se consumindo em sofrimento pela morte de um ente querido que partira há meses! A dor da perda é compreensível e tem o seu tempo, sabemos isso. Entretanto, a morte é algo que não temos poder algum de reversão! O poder que temos é sobre a vida que nos resta, de que forma continuaremos a vivê-la e por quanto tempo permitiremos que a dor nos aflija. É preciso serenidade para aceitar as coisas imutáveis e muita coragem, sem dúvida alguma, para transformar o sofrimento no aprendizado que trará significados importantes à vida.

Lamentar-se pelas perdas da vida (e não me refiro apenas à morte) é natural e absolutamente humano, mas não podemos deixar de olhar que adiante há muito a descobrir e viver, e é nesta hora que cabe a nós a decisão de escolher de que modo superaremos as dores e quedas, os imprevistos e obstáculos que sofremos.

Temos à nossa volta exemplos de força e superação e, muitas vezes, nos inspiramos em alguns deles; entretanto é preciso que saibamos distingui-los. Cazuza lamentou por seus heróis terem morrido de overdose... As crianças elegem como super-heróis personagens que escalam prédios, voam pelos céus e enfrentam o mau com forças sobre-humanas... E muitas pessoas, também, acreditam nos heróis produzidos pelas novelas, cujas vidas em nada se parecem com as reais, vividas por nós (pessoas reais e humanas). Porém, queridos leitores, devo lembrá-los que os nossos heróis verdadeiros não figuram nos desenhos, filmes, novelas ou letras de músicas. Eles estão diariamente a nossa volta e muitas vezes somos nós que os protagonizamos! Passamos por tantas dificuldades na vida e nem por isso recorremos às drogas para amenizar nossas dores. Ninguém que encare a vida com coragem, morre de overdose! Encaramos o mau com valentia e mesmo que algumas vezes acreditemos que ele seja mais forte que nós, o superamos com bravura e muita dignidade. E não precisamos usar de nenhum superpoder senão a força existente em cada um de nós. Trabalhamos arduamente para manter a vida real e verdadeira; chegamos à exaustão de nossas forças, mas, no final da jornada, vencemos! Mesmo quando para muitos, inclusive para nós mesmos, isso tudo não tenha o significado de vitória, sabemos, lá no fundo, que vencemos e que escalamos outro importante degrau da vida! Isso tudo, sim, é feito digno de super-heróis!

Lidamos com a dor, perdas, derrotas, fracassos e obstáculos o tempo todo ao longo da vida, com uma força gigantesca e que não pode ser esquecida! Enfraquecemos algumas vezes, mas nem por isso desistimos. De algum modo somos guiados para frente porque temos fé e sabemos que temos, também, forças para continuar. Escolhemos, mesmo que intuitivamente, assim! E por que não escolher de forma branda, sem culpas ou culpados? Por que não prosseguir consciente de nossas responsabilidades?

Por isso insisto que não há força maior do que aquela que há dentro de nós! Tudo o que precisamos para transformar a vida está conosco e não com os outros! É importante que a fé (em nós mesmos) não seja abalada... Podemos modificar tudo o que depende de nossas ações, pois são por elas que nos responsabilizamos, mas precisamos aceitar os limites (nossos e dos outros) e lembrarmos que o poder deve ser usado com sabedoria, porque senão ele se torna uma arma apontada contra nós mesmos.

Então, leitores queridos, a minha mensagem hoje é para que tenhamos sempre a sabedoria para distinguir as coisas, diferenciando-as sem que precisemos de heróis fictícios para nossas respostas, assumindo nossas responsabilidades no rumo de nossas vidas e fazer, acima de tudo, o melhor uso do poder que há em cada um de nós!

É isso que constitui os verdadeiros e reais super-heróis. E esses heróis, somos NÓS!

Jackie Freitas

"Não temos de nos tornar heróis do dia para a noite. Só um passo de cada vez, tratando cada coisa à medida que surge, vendo que não é tão assustadora como parecia, descobrindo que temos a força para superá-la."

(Eleanor Roosevelt)

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Os Benefícios da Crise

sexta-feira, 1 de junho de 2012.

Em chinês, a palavra crise também representa oportunidade. Há controvérsias quanto a sua composição e não me cabe aqui questionar ou discuti-la. Gostaria apenas de aproveitar esta “oportunidade” e exemplo, para demonstrar que muitas vezes a crise pode, sim, nos abrir portas para as oportunidades...

Enquanto algumas pessoas vivem vorazes e insaciáveis em busca de algo a mais, outras se contentam com o que já está “garantido”. Mesmo sabendo que num mundo desordenado e imprevisível não há garantias, permanecem obedientes às rotinas, estagnadas e até mesmo conformadas... Não quero dizer que estas pessoas não evoluam no sentido da obtenção de novas conquistas, mas sem dúvida, para elas, o processo é mais lento.

Quando são obrigadas a saírem da zona de conforto e partirem efetivamente para o campo de batalhas, ficam perdidas e aflitas, tentando encontrar uma rota (novamente segura) que as mantenham estáveis. Claro que a estabilidade é reconfortante! Não se pode, com desdém, dizer o contrário!

Porém, viver é correr riscos constantes e não há qualquer garantia de estabilidade ou segurança! Pelo menos não de forma permanente... Os riscos fazem parte do desafio da vida e são eles que nos fazem percorrer por caminhos diferentes em busca de algo não conhecido. Algumas experiências podem nos trazer frustrações e amargores, mas outras podem nos proporcionar descobertas incríveis que só saberemos se tivermos coragem de correr os riscos. Quem viver verá!

As crises sempre existirão e ao invés de nos colocarmos em desespero, talvez seja o momento ideal para buscarmos as oportunidades... Enxergar o que o manto seguro da comodidade não permitia; arriscar outra escolha, tentar o diferente, descobrir algo novo e surpreendente... A crise pode, sem dúvida alguma, representar oportunidade, pois ela nos obriga a sair da inércia, buscar alternativas e percorrer novos caminhos. Ela se torna uma mola propulsora e promotora das mudanças.

Se pensarmos de modo pessimista (que é uma tendência natural num primeiro momento) enxergaremos apenas as barreiras e dificuldades pelas quais passaremos, entretanto, se olharmos com otimismo, veremos variáveis que nos impulsionarão adiante e mostrarão as oportunidades. E elas podem ser muitas!

Do limão fazemos uma boa limonada (assim dizem) e a crise pode ser um pomar repleto de limões... Pensemos que com eles, além da limonada, podemos temperar a vida e descobrir novos sabores!

Jackie Freitas

"Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar ‘superado’. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência... Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um...”.

(Albert Einstein)

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Liberdade: Direito ou Escolha?

segunda-feira, 21 de maio de 2012.

Este texto é para todos aqueles que, de alguma forma, vivem inseguros e com medo, presos em algum tipo de relacionamento que impede a manifestação e exercício da liberdade.

Lembro que quando era pequena, queria poder fazer tudo o que tivesse vontade... Lembro-me ainda do meu pai dizendo: “liberdade se conquista!”...

Pois bem; após todos esses anos de experiência e inquietações, vou discordar de meu pai. Liberdade não se conquista, ela é um direito nato de todos os seres (humano ou animal) e ninguém tem o direito de limitá-la ou tirá-la  como se fosse peça disponível em tabuleiro, pronta para atender às jogadas dos outros... Do mesmo modo, nós também não temos o direito de comprometê-la ou colocá-la em risco.

Liberdade é o nosso direito de ir e vir, pensar e agir, de manifestar nossos sentimentos, aceitar ou recusar... Liberdade é poder usar do livre arbítrio para fazer escolhas e tomar decisões... Liberdade é a mais pura manifestação da vida e dos seus direitos!

Muitas pessoas não têm ideia do verdadeiro significado e o que representa a liberdade. Vivem aprisionadas e em servidão, dependentes e se curvando diante de outras pessoas como se as vontades e necessidades alheias fossem mais importantes e urgentes do que as suas próprias. Talvez, embasadas nesse conceito da conquista da liberdade, passem anos de suas vidas aguardando comandos e consentimentos para desfrutarem daquilo que já lhes pertence naturalmente.

Os maiores exemplos de cárcere e cerceamento da liberdade estão representados nos relacionamentos. Pessoal, afetivo ou profissional, são eles que turvam as visões... São eles que impedem o pleno exercício dos direitos ligados à liberdade e tornam as pessoas impotentes diante de suas próprias vontades e vidas.

A mensagem que gostaria de passar é que somos donos de nossa vida e a liberdade está diretamente ligada a isso! Tomamos nossas decisões e fazemos nossas escolhas. Por mais que nos sintamos escravizados por algo (ou alguém), cabe a nós a decisão de continuar aprisionados, vivendo de modo oposto ao que gostaríamos; ou de decretarmos liberdade e buscar a paz e tranquilidade que a vida merece.

Não há trabalho, amizade ou afeto que justifique a infelicidade. Só podemos oferecer o nosso melhor aos outros, principalmente àqueles que amamos se encontrarmos satisfação naquilo que fazemos e no modo como vivemos. Pode parecer difícil sair de determinados relacionamentos, mas, acredite, é possível!

Precisamos sempre avaliar se não estamos acomodados e fazendo papel de vítimas, se não estamos tirando de nós mesmos esse direito fundamental à existência. Liberdade não tem preço!

Há muitas promessas neste mundo; algumas delas tentadoras e irrecusáveis, mas avalie bem se elas garantirão o seu direito de liberdade. Nas convenções sociais, dizem que o nosso direito começa onde termina o do outro; entretanto quero alertá-lo de que os direitos devem ser iguais a todos e não importa onde eles começam ou terminam. Devem ser respeitados e, sobretudo, manter a paz individual e coletiva. Só entenderemos tal convenção quando aprendermos a respeitar e lutar pelos nossos direitos! Quando nos conscientizarmos que temos valores como os outros e que somos livres para viver do modo como queremos.

Não podemos viver condicionados às vontades alheias, principalmente se elas interferirem no modo de vida que merecemos. Não podemos aceitar barganhas, acreditando que elas nos trarão algo maior, fazendo com que sacrifiquemos nossos pequenos prazeres.

A vida é preciosa demais e passa num piscar de olhos! Por isso o importante é vivermos com sabedoria, apreciando o que ela nos oferece e buscando valores que ninguém, exceto nós mesmos, poderia nos oferecer.

Liberdade é poder se permitir... É poder escolher...

Abrir mão de algo pode parecer sacrifício (e às vezes é mesmo!). Escolher entre um caminho ou outro exige força e coragem, mas se considerarmos o desprendimento daquilo que não nos faz bem e a liberdade como recompensa, terá valido a pena!

Jackie Freitas

“Estou firmemente convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza.”

(Mahatma Gandhi)

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Coisas Pequenas não me Importam…

domingo, 15 de abril de 2012.

Há algum tempo deixei de me importar com as coisas pequenas... “Picuinhas!”, fico repetindo para mim mesma. Deixei de dar importância exagerada para aquilo que após uma boa noite de sono perde o seu sentido e no dia seguinte se torna tão insignificante que nem conseguimos lembrar onde, como e por que começou... Ainda me incomodo com as caras feias, com o mau humor e as grosserias alheias, mas digo para mim: “Tudo passa e não há nada como um dia após o outro. Amanhã será diferente! Enxergarei diferente!”.

Muitas vezes magoamos as pessoas e depois queremos o perdão, porque demos mais importância às picuinhas do que à nossa razão e tolerância... Magoamos e dizemos palavras duras por acreditarmos que, em alguns casos, o ataque é a nossa melhor defesa... Esquecemos-nos do recuo que permite acordar no dia seguinte e enxergar de modo diferente, sem a intempestividade e irracionalidade dos atos, sem arrependimentos e necessidade do perdão urgente. Somos, boa parte das vezes, guiados e envolvidos pelas picuinhas que acreditamos ou criamos e, assim, as tornamos maiores que as pessoas que nos cercam... Quando compreendemos afinal que a intolerância e o impulso não são nossos melhores conselheiros, descobrimos que as picuinhas podem nos levar a um caminho triste de reclusão e amargores.

Como fazer as pazes conosco e com a saúde da vida? Exercendo a humildade e reconhecendo essas falhas naturais e humanas! Compreendendo que somos parte de um processo evolutivo, mas não a resolução dos problemas humanos. Fazemos a diferença e contribuímos com as mudanças quando damos os nossos próprios passos, através de nossa própria consciência, guiados pela experiência e discernimento. Lembremo-nos que o perdão é importante, mas de nada servirá se for apenas para o alívio e redenção da consciência! Ele tem que nascer de dentro e após as picuinhas serem esquecidas, senão ele não chegará verdadeiro.

E se a outra parte não conceder o perdão? Bem, talvez, então, ela não esteja preparada ou ainda tenha apenas as picuinhas em sua frente... Talvez ela precise do seu próprio tempo de aprendizado e discernimento para enxergar a grandeza que envolve a vida. Não será você, eu ou qualquer outra pessoa a forçá-la a enxergar, mas (quem sabe) mostrar-lhe que os dias são diferentes uns dos outros e nos trazem ensinamentos únicos.

Ainda ontem lembrava de dias que me pareceram infelizes. Fiquei fazendo um ranking dos meus melhores e piores dias... Sabe qual a conclusão que cheguei? Que a diferença não está nos dias, mas em nós e no nosso amadurecimento... Muitos dos dias que nos pareceram ruins estavam repletos de picuinhas... Apenas isso! Hoje, sinto saudades desses dias porque não consigo me lembrar das coisas pequenas, mas das grandes, que realmente tiveram significado e importância. Ontem eu me importava mais com as picuinhas e menos com as pessoas. Hoje me importo comigo e com a paz de espírito. Fácil? Não! É um exercício constante que ainda me faz esbarrar entre umas picuinhas e outras, mas tenho a certeza que se recuar um pouco, enxergarei o que e quem realmente são importantes... As coisas pequenas desaparecem...

Não precisamos encontrar o perdão em ninguém... Mostrar arrependimentos também não é essencial... O que precisamos é nos desfazer das picuinhas e tocar a vida com mais leveza e menos pressão. Esvaziar a mochila e levar nela aquilo que realmente importa. Não precisamos carregar o peso das culpas e remorsos, e nem sair em busca dos perdões da vida! Se a consciência soou o seu alarme e nos chamou para a revisão de alguns atos, então vamos a isso! Mas façamos por acreditar que é desta forma que novos rumos surgirão e que um pequeno ato poderá desenhar um futuro diferente.

Lembremos que as coisas pequenas, com o tempo, ficarão menores e invisíveis. Olhemos pelo retrovisor e as deixemos para trás, partindo! Há uma nova direção em nossa frente, com coisas grandiosas e que esperam atitudes e pensamentos igualmente grandiosos... É por aí que seguimos...

A qualquer momento outra picuinha pode surgir, mas é nesta hora que passamos por ela e continuamos no novo caminho! Não nos importamos mais com as coisas pequenas...

Jackie Freitas

Ofereço este texto ao meu querido leitor Davi Tavares do Blogando com Vigor.

É isso, Davi: “Por que ser outro se você pode ser você?”. Sendo você, acredite, está contribuindo incrivelmente com a grandiosidade da vida! Errando e acertando, imperfeito e humano, mas em busca de algo maior...

O meu carinho e agradecimento...

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Surpresas da Vida

domingo, 26 de fevereiro de 2012.

Olá a todos! Sei que ando ausente e peço desculpas por isso...

Talvez nem fosse necessário, afinal a vida é assim mesmo, feita de encontros, desencontros e reencontros...

Tenho pensado em compartilhar minhas experiências novas, falar sobre as minhas descobertas, mas, principalmente sobre as redescobertas... E quantas foram!

Curioso como a comodidade ou preguiça podem nos tornar pessoas reclusas, escondidas e refugiadas, perdidas em algum lugar dentro de nós mesmos... Temos receio de trilhar por caminhos desconhecidos, mas percebo que são as referências do que conhecemos que faz com que nos fechemos para o mundo e todas as experiências que ele pode nos proporcionar. Fechamos nossas portas e dizemos à vida: “Passe depois... Agora não estou preparado!”. Mas quando estaremos afinal?

Passei um bom tempo tentando me encontrar, fechada em meu casulo, quando na verdade o que eu fazia era me distanciar de quem sempre fui. Tornei-me uma estranha para mim mesma, envolta de certezas que nada mais eram do que medos mal resolvidos... Achei que estava segura escondida em mim... Mas não estava! Precisava enfrentar velhos fantasmas para entender, então, para onde os caminhos me levavam...

Decidi percorrer pelas trilhas antigas e foi em uma de suas encruzilhadas que me encontrei novamente! Confesso que estou surpresa com as descobertas que tenho feito, principalmente por constatar o quanto nos enganamos quando somos levados pelos julgamentos que fazemos sobre as pessoas. Hoje vejo que elas podem nos surpreender também de forma positiva e que o conceito que temos sobre a “bondade” de cada uma, tem muito mais a ver com a pureza ou impureza dos nossos sentimentos do que propriamente com os rótulos que criamos para algumas delas... Enxergamos inimigos e maldades por todos os lados e acabamos expulsando de nossas vidas pessoas que poderiam ter nos ensinado muito se as tivéssemos dado uma chance...

Bem, como a vida não é uma via de mão única (graças a Deus!), tive a oportunidade de rever alguns conceitos, derrubar algumas muralhas e restabelecer contato com o mundo que eu tentava negar, com as pessoas que eu jurava jamais querer reencontrar! E foi nesta via inversa que redescobri minhas forças, capacidade de luta e o delicioso sabor de utilidade. Resumindo: o resgate da vida... A saída do ócio e o salto para o frenesi das responsabilidades e desafios... Sentir-se ativa e útil novamente é um prazer que tem me revigorado a cada dia e despertado os meus sentidos para tudo o que me cerca, inclusive sobre os precipitados julgamentos que fazemos na vida e que podem nos condenar a um sono profundo onde a calmaria é apenas uma fachada que camufla a covardia e os medos.

Por isso é importante lembrarmos que a vida tem movimentos parecidos com as ondas do mar... Nunca podemos determinar como definitivo àquilo que desconhecemos e, também, não podemos dizer que conhecemos aquilo que comodamente rotulamos... As surpresas estão nas profundezas do conhecimento e não em sua superfície.

Aprendi que as pessoas merecem créditos, sim! Merecem segundas, terceiras e quantas chances pudermos dar a elas. Por quê? Porque, talvez, elas darão a nós mesmos a chance única de descobrir um pouco mais sobre muitas coisas... Não sobre elas apenas, mas principalmente sobre nós e da vida que tentamos nos esconder...

Jackie Freitas

“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.”

(Marcel Proust)

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Rezar, Agradecer e Amar-se

sábado, 14 de janeiro de 2012.

Quando eu era pequena, minha mãe me ensinou a rezar... Nunca se esqueça, dizia ela, de agradecer a Deus por tudo o que Ele te dá! Durante boa parte da minha infância acreditei que, independente do que acontecesse, errando ou acertando, sendo boa ou má, obediente ou não, tudo o que eu precisaria fazer era rezar, agradecer e dormir para que, no dia seguinte, pudesse recomeçar sem pesos ou culpas...

Aprendi o “Pai Nosso”, a “Ave Maria” e algumas outras orações (as quais já nem lembro mais) que, mesmo sem entender o significado de suas palavras, eram proferidas por mim através de um piloto-automático acionado para que elas me conduzissem à salvação dos meus atos e até mesmo dos meus pensamentos. Por muito tempo e por várias vezes deixei de agradecer e passei a lamentar e fazer pedidos! Lamentava pelas coisas que não haviam dado certo, pelas palavras ásperas e duras que escutava dos outros, pela incompreensão dos que me cercavam, pelas injustiças das quais eu julgava ser vítima... Pedia por dias melhores, mas quase sempre focada em conquistas materiais; pedia por sabedoria, mas não a que me fizesse encontrar o equilíbrio da vida, porque não sabia a diferença entre a nobreza de espírito e a manipulação alimentada pela vaidade e satisfação do ego. Pedia a absolvição dos meus pecados porque acreditava verdadeiramente que somente assim eu seria digna do olhar divino! Pedia, pedia e pedia... Uma lista interminável de pedidos que só revelava o meu egoísmo e ressaltava a minha vergonhosa mania de grandeza.

Mas o tempo (esse sim é sábio) me fez perceber, entre os muitos tropeços da vida, que não adiantava pedir nada que não ajudasse, de fato, em minha própria construção. Não adiantava rezar compulsivamente achando que todos os meus problemas estariam resolvidos! Havia algo neste processo que só fui me dar conta muitos anos depois... Não precisava pronunciar um amontoado de palavras que, para mim, não tinha sentido lógico. Não era necessário decorá-las e consagrá-las receitas mágicas!

Minhas fichas caíram no dia em que meu desespero e exaustão emocional me levaram às lagrimas e me fizeram conversar com um Deus que, até então, eu não conhecia! Desabafei, briguei, reclamei e pedi desculpas pelas minhas fraquezas, pela minha soberba, pelas injustiças que eu cometia não apenas com os outros, mas principalmente comigo mesma... Não pedi mais nada, porque tudo o que eu precisava havia conseguido naquele papo: um alívio por me despir das pesadas armaduras que eu mantinha para mostrar uma força que não era a minha. Consegui enxergar as minhas fragilidades! Compreendi, então, que não precisamos de orações prontas, pois a melhor de todas é aquela que sai espontaneamente do coração. Esse é o canal de diálogo verdadeiro que criamos com Aquele que acreditamos nos escutar. Voltei ao início de tudo e lembrei o que a minha mãe me dizia: “nunca se esqueça de agradecer”!

Não sou religiosa (nunca fui!), mas mantenho comigo esse ensinamento. Rezar deixou de ser um ritual e passei a conversar quando, como e onde sentia vontade, com o Deus que, pouco a pouco, construí dentro de mim. Algumas vezes pensei que esse Deus fosse fruto da minha imaginação ou uma espécie de amigo imaginário. Movida pela razão, pensava que falava com a única pessoa que dava sentido para tudo, ou seja, comigo mesma e que tudo pertencia à minha própria capacidade de realização e materialização dos meus desejos e pedidos. Visitei muitos templos, conheci muitas ideologias e cheguei à conclusão de que não importa o caminho que escolhemos, de algum modo, todos eles nos levam ao mesmo Deus! Se em algum momento somos nós que realizamos nossos milagres, valeu à pena acreditar na existência dessa força maior.

Hoje não me esqueço de agradecer! Minhas orações são conversas que na visão de um leigo podem parecer meros monólogos, porém contém o discernimento de que nada na vida acontece num passe de mágica. Tampouco através de milagres! A vida já é o próprio milagre e é por isso que antes de começarmos qualquer oração, precisamos agradecer! Estar vivo é a materialização de todos os milagres e bênçãos!

Passamos por muitas dificuldades na vida, mas são elas que nos levam de encontro a esse Deus. Infelizmente, são nos momentos mais difíceis que paramos para reavaliar nossos atos e perceber o valor das coisas simples. Nesses momentos é que nos desfazemos de nossas manias de grandezas e nos despimos das falsas armaduras para encontrarmos toda a fragilidade que há em nós! E é aí que nos enxergamos verdadeiramente humanos! As orações que não saem apenas da boca, mas que transcendem ao coração são os diálogos francos que mantemos conosco! Nós somos nossas orações!

Hoje agradeço por tudo o que tenho! A cada dia uma nova porta se abre diante de mim e um mundo repleto de possibilidades me convida para diferentes descobertas. Mesmo com medo, aceito o convite! A cada nova descoberta encontro minhas respostas... Em cada resposta me descubro um pouco mais... E quanto mais me descubro, melhor compreendo o significado dos milagres, das orações e até mesmo de Deus!

Continuo agradecendo!

Jackie Freitas

“Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.”

(Victor Hugo)

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Com Licença, Posso Ser Feliz?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012.

Quantas vezes você já teve vontade de fazer esta pergunta?

É tão comum ouvirmos as pessoas reclamando da vida, chorando suas dores e lamentando os seus sofrimentos que, em certos momentos, não nos parece justo manifestar nossas alegrias e realizações. É como se tivéssemos que pedir autorização até mesmo para esboçar um sorriso!

Vemos tanto caos e desgraças ao nosso redor que acabamos nos recolhendo e escondendo o nosso bem estar para que o mesmo não represente um desrespeito aos outros, às suas dores, tristezas, frustrações, irrealizações...

Será mesmo que é preciso ter o aval dos outros para poder desfrutar da felicidade?

Sabemos que a felicidade é efêmera e há, inclusive, diferentes  modos de compreendê-la. Você já deve ter escutado dizerem que ser feliz é diferente de estar feliz. Eu mesma divago sobre isso constantemente, mas não posso deixar de ver a relação íntima que existe nessas duas situações. O estar feliz, onde o próprio verbo indica, reflete um estado ou momento e nos comprova toda a efemeridade da felicidade; entretanto, não consigo deixar de ver o quanto isso interfere na condição do ser. Ser feliz, talvez, seja uma somatória ou acúmulo de todo o nosso estado; portanto, quanto mais felizes estivermos e quanto mais tempo pudermos desfrutar da felicidade, reconhecendo-a nos momentos em que aparecem, mais seremos capazes de irradiá-la em nosso ser. Por isso é fundamental que não tenhamos medo ou vergonha em demonstrar aos outros o quanto estamos ou somos felizes! Represar esse sentimento e não manifestá-lo significa concordar que a vida é feita apenas de dores e sofrimentos, que nossa missão é unicamente a de sermos mártires existenciais.

Felicidade é a colheita dos bons tempos e um merecimento, mas, acima de tudo, um reconhecimento que exige de nós toda a atenção necessária para que ela não passe despercebida. Se não notarmos esses momentos preciosos e não usufruí-los, deixamos de somá-los na condição do nosso ser.

Viva intensamente cada momento e comemore com entusiasmo todas as oportunidades de ser feliz. Não é preciso pedir licença, perdão ou permissão aos outros para ser feliz. Quando você escutar alguém dizer que a felicidade não existe, busque dentro de si, através de lembranças, e mostre que ela é possível, sim! Lembre das vezes em que sorriu despretensiosamente, em que riu sem ter escutado uma piada ou até mesmo quando escutou e não achou graça alguma, mas ainda assim riu alto. Faça uma varredura em sua memória e traga à tona todos os momentos em que esteve bem, mesmo quando os problemas pareciam barreiras intransponíveis.

A felicidade é uma de nossas maiores buscas e, talvez, nossa própria existência esteja baseada nela, então aceite o fato de que se somos capazes de chorar, também somos capazes de sorrir... Há sempre o reverso da moeda, mas a questão é qual o lado dela você prefere mostrar? Gandhi sabiamente escreveu que não existe um caminho para a felicidade, pois ela é o próprio caminho...

A vida é difícil, sabemos disso, mas ninguém pode viver eternamente condicionado ao sofrimento para justificar sua existência. Se o sofrimento traz aprendizado, a felicidade é o honorário que nos contempla com méritos e louvores. É o momento em que paramos para apreciar nossas conquistas, que nos permitimos uma trégua e nos refazemos para as próximas etapas da vida.

Você pode achar que a sua felicidade ou infelicidade dependem das outras pessoas, mas eu te digo que não! Tanto uma quanto a outra dependem apenas de sua aceitação. Se você aceitar a infelicidade como a sua principal condição de vida, ninguém será capaz de provar-lhe o contrário! Agora, se aceitar que a felicidade pode estar nas pequenas coisas e em momentos simples, você apura a sua visão e passa a enxergá-la independente dos outros!

Não tenha medo de ser feliz! Mesmo os que estão sofrendo precisam manter a fé e você, não negando e nem escondendo a sua felicidade, pode inspirá-los e ajudá-los. Portanto, quando pensar em pedir licença para ser feliz, reflita bem se estará pedindo para a pessoa certa... Talvez este pedido deva ser feito a você mesmo!

Jackie Freitas

“Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.”

(Johann Goethe)

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Começar de Novo…

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012.

Um novo ano começou...

Para mim, a sensação só reafirma uma certeza: hoje é apenas um dia posterior a outro! Claro que não vou tirar a poesia e o romantismo do clima que nos envolve, ainda embriagados pelas promessas e esperanças de que tudo pode e irá mudar... Entretanto continuo firme em meu pensamento de que o calendário não promoverá mudanças que não nasçam interiormente e não representem a nossa verdadeira vontade.

É evidente que será sempre uma motivação ou um ponto de partida termos esse marco para começarmos tais mudanças, mas não podemos nos esquecer de que há um longo caminho a ser trilhado nos próximos 364 dias, que exigirá força e determinação contínuas para que as promessas sejam cumpridas.

O que queremos, afinal? Ser pessoas melhores ou ter coisas melhores? Quais são nossas metas e até onde somos capazes de ir para alcançá-las? O tempo corre veloz diante de nossos olhos e, muitas vezes, nem o sentimos por causa da pressa em somar conquistas e aí está um dos fatores que pode nos levar às frustrações... Queremos correr mais velozes que o tempo, lutando contra ele e, algumas vezes, atropelando os nossos próprios passos... Acabamos perdendo o sentido original das nossas lutas e todo o foco; então, quando acordamos, estamos novamente olhando para um ano que passou e tudo o que não realizamos... Recomeçamos o ciclo do desejo/promessas/metas...

Sabemos onde queremos chegar, mas, em algum momento, esquecemo-nos das razões que nos impulsionam assim como das nossas metas e de como chegaremos até elas!

Algumas mudanças não ocorrem sozinhas! Independem de nosso controle ou vontade, pois fazem parte do meio em que vivemos ou da contribuição de outras pessoas e precisam que nos moldemos a elas; contudo, as grandes mudanças são feitas pelas pequenas que ocorrem interiormente, por nosso empenho.

Há uma sensível diferença entre começar um ano novo e contabilizar dias. Contabilizamos quando apenas substituímos um calendário por outro e concebemos isso como mudança! Passamos rapidamente os olhos pelos dias que virão, contando feriados, planejando as próximas festas ou férias, mas esquecendo da ação principal: viver! Como viveremos os dias que virão? O calendário é estático, mas a vida é dinâmica, composta de dias que pedem para serem vividos com atenção para que aprendamos as lições da vida...

Começar um ano novo significa recomeçar, sem reposições, mas aplicando as experiências adquiridas pelos anos passados. Não nos tornamos pessoas novas e diferentes do dia para a noite, tampouco na contagem regressiva para os fogos de artifício. Transformamo-nos gradualmente durante todos os outros dias, vivendo uma vida real, sem efeitos de champanhe ou do espetáculo das sedutoras luzes denominadamente artificiais... Movidos pelo espírito da renovação e pelo valor do aprendizado. Se nada aprendemos, não mudamos... Se não reconhecemos a importância do aprendizado, não evoluímos... E, se não evoluímos não realizamos quaisquer mudanças. Ficamos presos no vácuo do tempo, com olhos fixos no calendário, aguardando, ainda em contagem regressiva, a chegada do próximo marco para que as velhas promessas nos pareçam novas.

Simbolicamente começamos um novo ano, mas o que ficou pendente ontem, ainda pede por soluções! Nada foi apagado ou mudou! Talvez nós tenhamos mudado... Não pelo efeito de algum milagre, mas por termos, finalmente, adquirido a consciência de que as mudanças acontecem todos os dias através de ações efetivas e não de calendários que criam pó e aguardam reposições...

Bom início de ano e que o novo não se limite apenas nele...

Jackie Freitas

“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

(Carlos Drummond de Andrade)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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