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Rezar, Agradecer e Amar-se

sábado, 14 de janeiro de 2012.

Quando eu era pequena, minha mãe me ensinou a rezar... Nunca se esqueça, dizia ela, de agradecer a Deus por tudo o que Ele te dá! Durante boa parte da minha infância acreditei que, independente do que acontecesse, errando ou acertando, sendo boa ou má, obediente ou não, tudo o que eu precisaria fazer era rezar, agradecer e dormir para que, no dia seguinte, pudesse recomeçar sem pesos ou culpas...

Aprendi o “Pai Nosso”, a “Ave Maria” e algumas outras orações (as quais já nem lembro mais) que, mesmo sem entender o significado de suas palavras, eram proferidas por mim através de um piloto-automático acionado para que elas me conduzissem à salvação dos meus atos e até mesmo dos meus pensamentos. Por muito tempo e por várias vezes deixei de agradecer e passei a lamentar e fazer pedidos! Lamentava pelas coisas que não haviam dado certo, pelas palavras ásperas e duras que escutava dos outros, pela incompreensão dos que me cercavam, pelas injustiças das quais eu julgava ser vítima... Pedia por dias melhores, mas quase sempre focada em conquistas materiais; pedia por sabedoria, mas não a que me fizesse encontrar o equilíbrio da vida, porque não sabia a diferença entre a nobreza de espírito e a manipulação alimentada pela vaidade e satisfação do ego. Pedia a absolvição dos meus pecados porque acreditava verdadeiramente que somente assim eu seria digna do olhar divino! Pedia, pedia e pedia... Uma lista interminável de pedidos que só revelava o meu egoísmo e ressaltava a minha vergonhosa mania de grandeza.

Mas o tempo (esse sim é sábio) me fez perceber, entre os muitos tropeços da vida, que não adiantava pedir nada que não ajudasse, de fato, em minha própria construção. Não adiantava rezar compulsivamente achando que todos os meus problemas estariam resolvidos! Havia algo neste processo que só fui me dar conta muitos anos depois... Não precisava pronunciar um amontoado de palavras que, para mim, não tinha sentido lógico. Não era necessário decorá-las e consagrá-las receitas mágicas!

Minhas fichas caíram no dia em que meu desespero e exaustão emocional me levaram às lagrimas e me fizeram conversar com um Deus que, até então, eu não conhecia! Desabafei, briguei, reclamei e pedi desculpas pelas minhas fraquezas, pela minha soberba, pelas injustiças que eu cometia não apenas com os outros, mas principalmente comigo mesma... Não pedi mais nada, porque tudo o que eu precisava havia conseguido naquele papo: um alívio por me despir das pesadas armaduras que eu mantinha para mostrar uma força que não era a minha. Consegui enxergar as minhas fragilidades! Compreendi, então, que não precisamos de orações prontas, pois a melhor de todas é aquela que sai espontaneamente do coração. Esse é o canal de diálogo verdadeiro que criamos com Aquele que acreditamos nos escutar. Voltei ao início de tudo e lembrei o que a minha mãe me dizia: “nunca se esqueça de agradecer”!

Não sou religiosa (nunca fui!), mas mantenho comigo esse ensinamento. Rezar deixou de ser um ritual e passei a conversar quando, como e onde sentia vontade, com o Deus que, pouco a pouco, construí dentro de mim. Algumas vezes pensei que esse Deus fosse fruto da minha imaginação ou uma espécie de amigo imaginário. Movida pela razão, pensava que falava com a única pessoa que dava sentido para tudo, ou seja, comigo mesma e que tudo pertencia à minha própria capacidade de realização e materialização dos meus desejos e pedidos. Visitei muitos templos, conheci muitas ideologias e cheguei à conclusão de que não importa o caminho que escolhemos, de algum modo, todos eles nos levam ao mesmo Deus! Se em algum momento somos nós que realizamos nossos milagres, valeu à pena acreditar na existência dessa força maior.

Hoje não me esqueço de agradecer! Minhas orações são conversas que na visão de um leigo podem parecer meros monólogos, porém contém o discernimento de que nada na vida acontece num passe de mágica. Tampouco através de milagres! A vida já é o próprio milagre e é por isso que antes de começarmos qualquer oração, precisamos agradecer! Estar vivo é a materialização de todos os milagres e bênçãos!

Passamos por muitas dificuldades na vida, mas são elas que nos levam de encontro a esse Deus. Infelizmente, são nos momentos mais difíceis que paramos para reavaliar nossos atos e perceber o valor das coisas simples. Nesses momentos é que nos desfazemos de nossas manias de grandezas e nos despimos das falsas armaduras para encontrarmos toda a fragilidade que há em nós! E é aí que nos enxergamos verdadeiramente humanos! As orações que não saem apenas da boca, mas que transcendem ao coração são os diálogos francos que mantemos conosco! Nós somos nossas orações!

Hoje agradeço por tudo o que tenho! A cada dia uma nova porta se abre diante de mim e um mundo repleto de possibilidades me convida para diferentes descobertas. Mesmo com medo, aceito o convite! A cada nova descoberta encontro minhas respostas... Em cada resposta me descubro um pouco mais... E quanto mais me descubro, melhor compreendo o significado dos milagres, das orações e até mesmo de Deus!

Continuo agradecendo!

Jackie Freitas

“Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.”

(Victor Hugo)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Com Licença, Posso Ser Feliz?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012.

Quantas vezes você já teve vontade de fazer esta pergunta?

É tão comum ouvirmos as pessoas reclamando da vida, chorando suas dores e lamentando os seus sofrimentos que, em certos momentos, não nos parece justo manifestar nossas alegrias e realizações. É como se tivéssemos que pedir autorização até mesmo para esboçar um sorriso!

Vemos tanto caos e desgraças ao nosso redor que acabamos nos recolhendo e escondendo o nosso bem estar para que o mesmo não represente um desrespeito aos outros, às suas dores, tristezas, frustrações, irrealizações...

Será mesmo que é preciso ter o aval dos outros para poder desfrutar da felicidade?

Sabemos que a felicidade é efêmera e há, inclusive, diferentes  modos de compreendê-la. Você já deve ter escutado dizerem que ser feliz é diferente de estar feliz. Eu mesma divago sobre isso constantemente, mas não posso deixar de ver a relação íntima que existe nessas duas situações. O estar feliz, onde o próprio verbo indica, reflete um estado ou momento e nos comprova toda a efemeridade da felicidade; entretanto, não consigo deixar de ver o quanto isso interfere na condição do ser. Ser feliz, talvez, seja uma somatória ou acúmulo de todo o nosso estado; portanto, quanto mais felizes estivermos e quanto mais tempo pudermos desfrutar da felicidade, reconhecendo-a nos momentos em que aparecem, mais seremos capazes de irradiá-la em nosso ser. Por isso é fundamental que não tenhamos medo ou vergonha em demonstrar aos outros o quanto estamos ou somos felizes! Represar esse sentimento e não manifestá-lo significa concordar que a vida é feita apenas de dores e sofrimentos, que nossa missão é unicamente a de sermos mártires existenciais.

Felicidade é a colheita dos bons tempos e um merecimento, mas, acima de tudo, um reconhecimento que exige de nós toda a atenção necessária para que ela não passe despercebida. Se não notarmos esses momentos preciosos e não usufruí-los, deixamos de somá-los na condição do nosso ser.

Viva intensamente cada momento e comemore com entusiasmo todas as oportunidades de ser feliz. Não é preciso pedir licença, perdão ou permissão aos outros para ser feliz. Quando você escutar alguém dizer que a felicidade não existe, busque dentro de si, através de lembranças, e mostre que ela é possível, sim! Lembre das vezes em que sorriu despretensiosamente, em que riu sem ter escutado uma piada ou até mesmo quando escutou e não achou graça alguma, mas ainda assim riu alto. Faça uma varredura em sua memória e traga à tona todos os momentos em que esteve bem, mesmo quando os problemas pareciam barreiras intransponíveis.

A felicidade é uma de nossas maiores buscas e, talvez, nossa própria existência esteja baseada nela, então aceite o fato de que se somos capazes de chorar, também somos capazes de sorrir... Há sempre o reverso da moeda, mas a questão é qual o lado dela você prefere mostrar? Gandhi sabiamente escreveu que não existe um caminho para a felicidade, pois ela é o próprio caminho...

A vida é difícil, sabemos disso, mas ninguém pode viver eternamente condicionado ao sofrimento para justificar sua existência. Se o sofrimento traz aprendizado, a felicidade é o honorário que nos contempla com méritos e louvores. É o momento em que paramos para apreciar nossas conquistas, que nos permitimos uma trégua e nos refazemos para as próximas etapas da vida.

Você pode achar que a sua felicidade ou infelicidade dependem das outras pessoas, mas eu te digo que não! Tanto uma quanto a outra dependem apenas de sua aceitação. Se você aceitar a infelicidade como a sua principal condição de vida, ninguém será capaz de provar-lhe o contrário! Agora, se aceitar que a felicidade pode estar nas pequenas coisas e em momentos simples, você apura a sua visão e passa a enxergá-la independente dos outros!

Não tenha medo de ser feliz! Mesmo os que estão sofrendo precisam manter a fé e você, não negando e nem escondendo a sua felicidade, pode inspirá-los e ajudá-los. Portanto, quando pensar em pedir licença para ser feliz, reflita bem se estará pedindo para a pessoa certa... Talvez este pedido deva ser feito a você mesmo!

Jackie Freitas

“Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.”

(Johann Goethe)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Começar de Novo…

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012.

Um novo ano começou...

Para mim, a sensação só reafirma uma certeza: hoje é apenas um dia posterior a outro! Claro que não vou tirar a poesia e o romantismo do clima que nos envolve, ainda embriagados pelas promessas e esperanças de que tudo pode e irá mudar... Entretanto continuo firme em meu pensamento de que o calendário não promoverá mudanças que não nasçam interiormente e não representem a nossa verdadeira vontade.

É evidente que será sempre uma motivação ou um ponto de partida termos esse marco para começarmos tais mudanças, mas não podemos nos esquecer de que há um longo caminho a ser trilhado nos próximos 364 dias, que exigirá força e determinação contínuas para que as promessas sejam cumpridas.

O que queremos, afinal? Ser pessoas melhores ou ter coisas melhores? Quais são nossas metas e até onde somos capazes de ir para alcançá-las? O tempo corre veloz diante de nossos olhos e, muitas vezes, nem o sentimos por causa da pressa em somar conquistas e aí está um dos fatores que pode nos levar às frustrações... Queremos correr mais velozes que o tempo, lutando contra ele e, algumas vezes, atropelando os nossos próprios passos... Acabamos perdendo o sentido original das nossas lutas e todo o foco; então, quando acordamos, estamos novamente olhando para um ano que passou e tudo o que não realizamos... Recomeçamos o ciclo do desejo/promessas/metas...

Sabemos onde queremos chegar, mas, em algum momento, esquecemo-nos das razões que nos impulsionam assim como das nossas metas e de como chegaremos até elas!

Algumas mudanças não ocorrem sozinhas! Independem de nosso controle ou vontade, pois fazem parte do meio em que vivemos ou da contribuição de outras pessoas e precisam que nos moldemos a elas; contudo, as grandes mudanças são feitas pelas pequenas que ocorrem interiormente, por nosso empenho.

Há uma sensível diferença entre começar um ano novo e contabilizar dias. Contabilizamos quando apenas substituímos um calendário por outro e concebemos isso como mudança! Passamos rapidamente os olhos pelos dias que virão, contando feriados, planejando as próximas festas ou férias, mas esquecendo da ação principal: viver! Como viveremos os dias que virão? O calendário é estático, mas a vida é dinâmica, composta de dias que pedem para serem vividos com atenção para que aprendamos as lições da vida...

Começar um ano novo significa recomeçar, sem reposições, mas aplicando as experiências adquiridas pelos anos passados. Não nos tornamos pessoas novas e diferentes do dia para a noite, tampouco na contagem regressiva para os fogos de artifício. Transformamo-nos gradualmente durante todos os outros dias, vivendo uma vida real, sem efeitos de champanhe ou do espetáculo das sedutoras luzes denominadamente artificiais... Movidos pelo espírito da renovação e pelo valor do aprendizado. Se nada aprendemos, não mudamos... Se não reconhecemos a importância do aprendizado, não evoluímos... E, se não evoluímos não realizamos quaisquer mudanças. Ficamos presos no vácuo do tempo, com olhos fixos no calendário, aguardando, ainda em contagem regressiva, a chegada do próximo marco para que as velhas promessas nos pareçam novas.

Simbolicamente começamos um novo ano, mas o que ficou pendente ontem, ainda pede por soluções! Nada foi apagado ou mudou! Talvez nós tenhamos mudado... Não pelo efeito de algum milagre, mas por termos, finalmente, adquirido a consciência de que as mudanças acontecem todos os dias através de ações efetivas e não de calendários que criam pó e aguardam reposições...

Bom início de ano e que o novo não se limite apenas nele...

Jackie Freitas

“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

(Carlos Drummond de Andrade)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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