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Como Nascem as Amizades?

domingo, 31 de julho de 2011.

“Este post é dedicado à minha querida amiga, menina baiana, Eninha Campos, que recebeu a mim e à minha família durante nossas férias em Salvador, com muito amor e carinho. Querida, muito obrigada pela calorosa acolhida e pelos maravilhosos momentos. Somente um coração nobre e generoso como o seu, seria capaz de nos oferecer esse grande mimo! Sentimo-nos verdadeiramente em casa! Ultrapassamos as barreiras virtuais!”.

Vou começar esse texto contradizendo o ditado popular “O que os olhos não vêem o coração não sente” e provar que nem tudo precisa estar ao alcance dos olhos, mas fundamentalmente muito próximo ao coração! Sim, o coração pode sentir o que os olhos não vêem!

Tenho comigo que é muito mais difícil enganar o coração do que aos olhos, porque nem sempre temos na imagem a verdade de quem a projeta, então quando fazemos o caminho inverso tornamos nossos olhos mais perceptíveis às verdades que nos cercam.

Quase sempre queremos dar formas e cores a tudo, principalmente às pessoas. Precisamos da comunicação visual para concretizar relações e até os nossos sonhos... Porém, nem sempre enxergamos o que é fundamental e acabamos, muitas vezes, nos iludindo pelas aparências... E é aí que podemos construir nossos castelos na areia. Então, para que servem nossos olhos senão para atestarem o que o coração nos passa? Não seria esse o caminho mais prudente a ser percorrido? Experimentemos, ao menos uma vez, fechar os olhos e deixar que os sentidos nos conduzam... A primeira porta que se abrirá será a do coração e é por ela que precisamos entrar! Quando conseguimos comprovar através dos olhos aquilo que o coração já sentia, percebemos o quão gratificante é fazer esse caminho...

Como nascem as grandes amizades? Essa pergunta recorrente me persegue há muito tempo e nunca soube respondê-la com exatidão. Bem, talvez porque ela não tenha respostas ou porque nem precise de uma. As verdadeiras amizades (e não precisam ser muitas!) nascem antes mesmo de terem forma física. Sabemos os ingredientes necessários para que elas temperem a nossa vida, independentes de cores ou formas... E as encontramos através das vias do coração!

Essa construção textual foi apenas para contar a todos que nestas férias conheci pessoalmente a minha querida amiga Eninha Campos! Uma amizade que começou em solo virtual, geograficamente distante (eu em Curitiba e ela em Salvador!), mas que foi mantida e fortalecida por um único motivo: abrimos as portas dos nossos corações e não nos limitamos ao visual ou físico. Conhecemos uma à outra pelas razões explicadas pelo coração e não pelos olhos!

Por isso, neste momento, se me perguntarem como nascem as amizades, direi que em algum lugar onde nossos olhos não vêem, mas que seguramente o coração é capaz de sentir!

Muito obrigada coração por manter suas portas abertas e permitir que meus olhos apenas comprovassem o que você já me dizia há muito tempo!

E, como sempre, você não me enganou!

Jackie Freitas

A gente não faz amigos, reconhece-os.”

(Vinícius de Moraes)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Lar Itinerante

domingo, 24 de julho de 2011.

Eu adoro a minha casa, as minhas coisas, o meu canto... Cada peça representa um pouco de mim ou alguma passagem de minha história! Sinto-me segura e confortável em meu lar!

Nesses dias, em férias, longe da minha casa e dormindo numa cama que não é minha, percebi que apesar da enorme saudade que sinto, encontro-me bem e em paz! E isso pode ser traduzido de um modo muito simples: não são as coisas ou pertences materiais que compõem um lar, mas sim a presença das pessoas que nos acompanham e tornam nossos dias melhores! Com certeza se eu estivesse longe daqueles que amo, meus passos estariam voltados para outra direção, indicando como rumo um lar onde eles estivessem.

Quando dizem que nossa casa é onde estamos, é preciso fazer um pequeno adendo nessa afirmação. Na verdade nossa casa é onde nos sentimos amados, seguros e em paz. E essas coisas não são obtidas apenas nas paredes que nos cercam... Elas precisam estar revestidas com o calor daqueles que aquecem nossa alma e coração, que dão sentido real e abrangente ao significado de um lar. Apesar de sermos constituídos de matéria, somos movidos e guiados pelo amor e pela força dos sentimentos. São eles que nos colocam firmes diante da luta da vida, então, nesse caso, nosso lar é onde encontramos o aconchego dos sentimentos e estamos cercados de amor.

O meu lar pode ser itinerante. Ele não está fixado num ponto único! O meu lar acompanha o meu coração e é nele que está tudo o que preciso para viver. É curioso como a idade (ou maturidade) pode abrandar nosso olhar e nos fazer valorizar as coisas mais simples da vida. Antigamente eu era incapaz de compreender o significado da expressão “amor e uma cabana” (rs). De um modo mais duro, tentando ser realista demais, achava que apesar disso ser poeticamente lindo, não era prático e nem compatível com as nossas reais necessidades. Imagine! Amor e cabana apenas, não pagam contas, não geram sustentos, não trazem conforto... Talvez eu ainda não tivesse a noção do verdadeiro significado de lar e estivesse muito presa às questões materiais. Não estou, com isso, desconsiderando a importância que o trabalho e seus resultados trazem para essa vida que, infelizmente, ainda encontra no dinheiro recursos que proporcionam o conforto. Mesmo que a visão ainda seja poética, quero apenas destacar o quanto podemos nos desprender de tudo que nos liga somente à matéria e encontrar nos sentimentos uma estabilidade capaz de ancorar o coração.

Minha casa e meu endereço fixo estão a quilômetros de distância, mas o meu verdadeiro lar está ao meu lado, movendo-se comigo, desfrutando das alegrias e prazeres, vivendo momentos que dinheiro algum seria capaz de comprar. E é nele que resido neste momento!

Eu poderia estar agora numa cabana e ela também não seria o meu lar! O meu lar estaria presente e representado no amor e em toda a sua extensão, pois é ele que transforma qualquer cabana em um grande palácio... É ele que torna qualquer cantinho desse mundo habitável.

O meu lar são as pessoas que amo... Minha família... São elas que me ajudam a escrever a minha história e me fazem viva!

Estou em casa...

Jackie Freitas

"O exterior do lar de um homem pode parecer o seu castelo; por dentro é sempre seu berçário."

(Clare Boothe Luce)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Coragem, amigos! Coragem!

quarta-feira, 20 de julho de 2011.

Estou desfrutando de merecidas férias com a minha família! Hora de recarregar as energias, rever rotas e metas e, quem sabe, traçar um novo curso para a vida. Li um excelente texto publicado em uma revista de bordo e gostaria de compartilhar-lo com vocês.

Tenho pensado muito sobre a coragem que precisamos ter para assumirmos quem somos de fato, sem termos que nos esconder atrás dos conceitos e opiniões alheias. Não é uma tarefa fácil, garanto, mas com determinação somos capazes de nos olhar diante do espelho e descobrir uma pessoa muito melhor do que esta que insistimos em acreditar que não existe! Neste texto, a autora diz que “a vida que sonhamos ter depende da determinação de ser quem somos!”. Acredito veemente nisso!

Espero que apreciem a leitura e, assim como eu, reflitam sobre o assunto. Coragem, amigos! Coragem!

Um grande beijo e até breve!

Jackie Freitas

Coragem, amigos!

Por Márcia de Luca*

Ao nascer, o ser humano recebe um presente: o livre arbítrio. Graças a ele temos o poder de traçar o nosso destino, criar a nossa realidade. Fazemos isso diariamente, através de cada pequena e grande escolha - para o bem ou para o mal. A grande sacada é aprender a viver de maneira sábia, o que significa não apenas o bem estar individual, mas também o de todos os envolvidos, em cada situação que experimentamos.
Viver dessa forma exige coragem - de ser quem a gente é, de assumir nossos pontos fortes e fracos, os nossos gostos... Somente a pessoa corajosa consegue ver a si mesma verdadeiramente, sem máscaras ou desculpas.
Ao assumirmos definitivamente a coragem, nossa vida se torna poderosa, grandiosa. E essa virtude passa a ser exercitada em todas as áreas de nossa vida: íntima, familiar, social, profissional e espiritual. E, quanto mais corajosos somos, mais adiante vamos - assumindo riscos, defendendo posições.
É o oposto que faz um cachorrinho domesticado, o oposto do que fazemos ao apenas seguir os conceitos estabelecidos pela sociedade. Quem apenas repete padrões de comportamento não tem coragem de ser diferente, de inovar, de se reinventar.
Este é o momento para você aprender a cantar a própria canção, desenvolver a coragem para decidir o que é melhor para si sem obedecer a normas e regras genéricas. É a hora certa para começar a ser autêntico, verdadeiro, único.
Para isso, é preciso quebrar o paradigma da segurança da forma míope como a entendemos no mundo ocidental - traduzindo-a em dinheiro e sucesso profissional. Para os mestres orientais, segurança é a sabedoria de apreciar a insegurança. E esse é o mecanismo que o universo usa para nos mostrar coisas novas, inusitadas, para nos surpreender.
Aprender a abraçar a insegurança significa manter acesa a chama da vida. O universo está sempre propondo surpresas. E o gosto de descobri-las pode ser imenso se nos abrirmos para a impermanência. A partir daí, nossa capacidade de apreciar a insegurança se torna paradoxalmente a maior de todas as seguranças. E é o que nos enche de coragem.
Ao trazer alegria, encantamento, romance, compaixão e coragem para sua vida, você estará afinando todos os instrumentos de sua orquestra interior para brilhar como uma estrela de primeira grandeza. Então, coragem, meu amigo!
*Márcia de Luca – fundadora do CIYMAM – Centro de Integração de Yoga, Meditação, Ayurveda (SP) 
Fonte: Revista de bordo da GOL

*Imagens retiradas do Google Imagens

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O que é Traição?

segunda-feira, 11 de julho de 2011.

Tenho lido ultimamente muitos textos sobre traição. Nada intencional ou proposital, garanto, mas vejo ótimas análises, sob diferentes pontos de vista a respeito de um tema polêmico e que assombra muitas pessoas. Resolvi, então, escrever a minha visão sobre o assunto.

Antes de qualquer coisa é preciso que saibamos separar o joio do trigo. O que é traição? Segundo o dicionário Aurélio, traição é ato ou efeito de trair, ou seja; enganar, ser infiel, desleal... E tem, também, “não cumprir”! OK, todos concordamos com os seus significados, mas eu quero me ater ao: não cumprir.

Normalmente, quando se pensa ou fala em traição, associa-se aos relacionamentos, principalmente nos que envolvem homens e mulheres. Namoro, noivado, casamento... O “não cumprir” representa o descumprimento de algum tipo de acordo que, no caso do casamento acaba sendo a violação dos “deveres” cíveis, morais e religiosos. Entretanto, há pontos aqui que gostaria de refletir.

Claro que não sou defensora da traição ou de traidores, mas acho que é preciso ter uma visão mais lúcida, menos hipócrita e menos possessiva sobre o assunto. A questão que desencadeia os fervorosos debates é que, ainda, a maioria não se conscientizou de que relacionamentos, independentes do nível, não caracterizam propriedade. O ato de relacionar-se com outrem não nos certificam posse ou uso! Essa é uma visão totalmente equivocada e egoísta que retarda a evolução da humanidade. Não quero dizer aqui que os relacionamentos devam se transformar na “Casa da mãe Joana” e que tudo deve ser aceitável. Claro que não! A análise que quero fazer envolve um estágio anterior a esse físico e tão materialista que cerca nossa sociedade. Pensemos como indivíduos, antes de tudo! Não da forma egoísta, onde o prazer ou desejo próprio estejam acima de qualquer coisa. Pensemos como seres que trabalham em prol de um crescimento e evolução individuais, independentes de qualquer ação ou vontade alheia, mas que contribuirão no coletivo!

A traição é um peso que deve ser carregado por quem traiu e nunca por quem foi traído! Há magoas? Sim, somos sensíveis, vulneráveis e quando nos entregamos num relacionamento queremos a fidelidade e segurança do compromisso firmado. Mas traição não pode simplesmente ser traduzida e limitada aos prazeres físicos ou ao sexo em si. Há diversos tipos de traição e que não estão apenas concentrados na relação homem e mulher. Quando alguém revela um segredo, por exemplo, que lhe foi confiado, cometeu uma traição! E por que isso seria menos condenável do que uma fraqueza sexual? A dor de ser traído deve consistir no fato do desrespeito ou na quebra da confiança depositada a uma aliança de sentimentos que consideramos puros e verdadeiros. Por isso é importante saber separar uma coisa da outra!

Quando olhamos ao outro como mera propriedade, estaremos fadados a cometer essa eterna distorção sobre o que seja traição e, pior, quando não temos claro dentro de nós o significado real da traição e o que ela envolve, nos tornamos vítimas de um sentimento que nos transforma em seres amargos e desconfiados para o resto da vida! Traição não está apenas associado ao sexo!

Outra questão para selar essa minha análise é: quem trai, sempre estará traindo a si mesmo e sendo desleal com as suas promessas, suas palavras e intenções... Mesmo que isso envolva os sentimentos ou sonhos de outras pessoas, o ato parte de um indivíduo que, como tal, tem poder sobre suas escolhas! Não nos cabe julgar ou querer castrar uma pessoa assim! Cabe-nos, também pelo poder de decisão e escolha, continuar ou não ao lado de alguém que nos foi desleal! Aceitar uma traição faz parte das muitas escolhas que fazemos na vida, então, é preciso estar preparado para as suas conseqüências. Muitos falarão sobre quando são traídos e não tomam conhecimento, ou seja, quando a mentira e omissão entram no jogo. Repito: quem deve conviver com o peso do ato traição é quem traiu e não quem foi traído!

Por mais que seja difícil sair desse cárcere de culpas e ressentimentos, recomendo que todos façam uma análise profunda sobre isso e que aprendam o que é de fato traição. Não se pode carregar por toda uma vida o medo de se investir num relacionamento pelo pavor da traição. Há pessoas e pessoas e nem todas agem da mesma forma! Somos seres individuais!!! Indivíduos! Temos nossas responsabilidades e é por nossos atos que respondemos, não pelos dos outros! Privar-se de uma vida que pode trazer inúmeras surpresas, por conceitos ou experiências negativas, retarda o processo de crescimento! Quando alguém “não cumpre” com o prometido, perdemos a confiança. E uma relação cujas bases não sejam a confiança, certamente estará comprometida. Por isso, avalie bem e decida o que é melhor para você: conviver com o peso da traição de alguém a quem você não tem o menor poder sobre seus atos ou conviver traindo e ferindo os seus próprios princípios? Como escrevi inicialmente, traição é um peso de quem trai a si mesmo. Se alguém opta em fazer parte desse tipo de traição, então estará sendo tão responsável e traidor quanto o outro!

Enquanto as pessoas não souberem separar o físico e material do espiritual, certamente viverão perambulando no limbo de suas fraquezas. O nível mais elevado da traição é aquele que nos obriga ir contra a saúde espiritual da vida. É quando optamos pela dor e pela cegueira de uma visão mais apurada sobre o nosso propósito de vida. Não se engane! Não se traia! Veja a vida num plano maior e não se limite aos atos alheios! Cada um é responsável por suas escolhas e é assim que nos tornamos donos de nosso destino!

Jackie Freitas

“As pessoas são responsáveis e inocentes em relação ao que acontece com elas, sendo autoras de boa parte de suas escolhas e omissões.”

(Lya Luft)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Amigo Blogueiro d@ Semana–Joel Loureiro

terça-feira, 5 de julho de 2011.

A partir desta semana teremos novidades no Fênix! Vimos textos incríveis das queridas e admiráveis Amig@s Bogueiras e agora contaremos, também, com a participação masculina. Entre os muitos estereótipos, costumamos ouvir que os homens não sabem se expressar e que “sentimentalismo” é departamento feminino. Então, para mostrar o quanto os estereótipos enganam e que os pré-conceitos são péssimos formadores de opiniões, publicarei textos de notáveis Amigos Blogueiros que gentilmente aceitaram ao convite do Fênix e provam que os homens também têm muito a dizer e mostrar. E o melhor; com muito conteúdo!

Joel - fotoPara a estréia, atravessei o Oceano Atlântico e atraquei em Portugal para convidar um querido e talentoso amigo, escritor e pensador: Joel Loureiro. Dono de uma escrita inconfundível, personalidade marcante e uma mente, sem dúvida alguma, brilhante; o meu Amigo Blogueiro mantém o blog No Meu Mundo... e é lá que conhecemos os seus pensamentos e sentimentos que, particularmente, admiro muito! Convido a todos a conhecerem esse fantástico escritor e um pouco do mundo que habita nele. No Meu Mundo... ou no de todos nós, com vocês Joel Loureiro em:

Construção da identidade

Ouvem-se passos...!

Era Joel Correia, um blogueiro de tempos livres que está a ir para a sala de espectáculos, para mais uma vez divagar as suas idéias diante de um público especial: A Sociedade. Convidado por Jackie Freitas, administradora e escritora do blog Fênix – Vidas Que Renascem, para inaugurar mais uma etapa de um projecto a qual daria o nome de "Amigos Blogueiros".

Chegou ao palco; sentou-se, retirou uma folha que trazia no bolso direito trazeiro, abriu-a calmamente e começou a ler:

“Somos apertados de todos os modos, mas não comprimidos sem nos podermos mover; estamos perplexos, mas não inteiramente sem saber o que fazer; somos perseguidos, mas não ficamos cambaleando; somos derrubados, mas não destruídos.” - Saulo de Tarso

"A caminhada pode durar longas décadas ou apenas poucos anos. Sento-me à beira de um regato e é hora de uma nova pedrada. É tempo de reflexão. Olho à minha volta e pergunto – Conheço-me? Era isto que queria ser? Trilhei o caminho certo? Minha gente, voltar para trás não é possível, mas rever o caminho que temos pela frente, esse sim.
Tudo o que somos hoje é o resultado do que fizemos ao longo dessa caminhada, todas as boas e más experiências contribuíram para a construção da nossa identidade, ou por sua vez, a falta dela.
O que somos? O que os outros quiseram que fôssemos? A resposta a essas perguntas é que vai ditar a continuidade da caminhada. Continuar na mesma direcção ou corrigi-la?

Digo sem medo: Muitos de vós sois o que na realidade não são, mas sempre é mais aceitável na sociedade onde estamos inseridos, serem o que os outros gostam que sejam. São capazes de se vergar perante vós para alcançarem a "falsa popularidade social". Sois fracos, cobardes e imorais para demonstrarem o "Eu" que de vós sai.
Somos únicos e como tal deveríamos querer imortalizar a nossa individualidade, por isso termos as mesmas idéias de outrem deverá ser coincidência e não imitação (mas tal não ocorre). Eu não sou igual a ninguém a não ser a mim próprio.

Quando a idade ainda me permitia ter tempo para brincar com legos, costumava encaixar as peças desordenadamente, até obter uma imagem - não me interessava o que os outros viam naquilo, mas sim, o prazer que tinha ao olhar e o significado que lhe dava. O que acontecia, vez após vez, era ver o trabalho não reconhecido, porque as peças não mostravam uma imagem legível aos olhos de quem as via.

A construção da identidade parece-me ser um espelho das minhas brincadeiras com os legos. Até que um dia percebi que a minha vida era toda assim. E, tal como teimosamente colocava peças de lego miraculosamente desordenadas, fiz o mesmo à vida.
Disseram-me, milhares de vezes até, que não era assim que deveria fazer as minhas construções, mas eu nunca quis reproduzir as imagens que vinham na embalagem. Optei sempre pela ilusão do instante, que valia pouco, mas era única e por isso grandiosa.
Assim, cada ser humano tem em mãos um grande projecto, a construção da sua identidade. Para a grande maioria passa-vos ao lado essa tarefa, e acabam por ser apenas mais um. Pelo contrário, eu sou o arquitecto da minha identidade e como tal valorizo aquilo que realmente é importante e rejeito o que é perda de tempo; afinal a vida é efêmera.
Dessa forma ao nos levantar para seguir caminhada devemos estar certos que caminho vamos tomar e que correcções temos que fazer. “Se alguém olhar para nós ou nos ouvir a falar, que fique perplexo: não pela nossa estupidez, mas pelo nosso intelecto.”

Pousou a folha nas suas pernas e finalizou:

– Não sejam complexados em ouvir tais palavras! Só vos torna mais ignorantes, não perante mim, mas perante vocês mesmo! Vós que me ouvem, que não me tomem como louco. Aquilo que falei foi propício no local onde estou e de quem me está a ouvir - E por isso, a perplexidade causada pelo vosso intelecto pode ser ilusória devido à incapacidade em me perceberem.

Enquanto vocês dançam, eu piso os vossos pés...

Enquanto vocês cantam, eu grito aos vossos ouvidos...

Enquanto vocês fingem, eu vos desmascaro gente cobarde

Joel Loureiro  – No Meu Mundo...

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