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Rezar, Agradecer e Amar-se

sábado, 14 de janeiro de 2012.

Quando eu era pequena, minha mãe me ensinou a rezar... Nunca se esqueça, dizia ela, de agradecer a Deus por tudo o que Ele te dá! Durante boa parte da minha infância acreditei que, independente do que acontecesse, errando ou acertando, sendo boa ou má, obediente ou não, tudo o que eu precisaria fazer era rezar, agradecer e dormir para que, no dia seguinte, pudesse recomeçar sem pesos ou culpas...

Aprendi o “Pai Nosso”, a “Ave Maria” e algumas outras orações (as quais já nem lembro mais) que, mesmo sem entender o significado de suas palavras, eram proferidas por mim através de um piloto-automático acionado para que elas me conduzissem à salvação dos meus atos e até mesmo dos meus pensamentos. Por muito tempo e por várias vezes deixei de agradecer e passei a lamentar e fazer pedidos! Lamentava pelas coisas que não haviam dado certo, pelas palavras ásperas e duras que escutava dos outros, pela incompreensão dos que me cercavam, pelas injustiças das quais eu julgava ser vítima... Pedia por dias melhores, mas quase sempre focada em conquistas materiais; pedia por sabedoria, mas não a que me fizesse encontrar o equilíbrio da vida, porque não sabia a diferença entre a nobreza de espírito e a manipulação alimentada pela vaidade e satisfação do ego. Pedia a absolvição dos meus pecados porque acreditava verdadeiramente que somente assim eu seria digna do olhar divino! Pedia, pedia e pedia... Uma lista interminável de pedidos que só revelava o meu egoísmo e ressaltava a minha vergonhosa mania de grandeza.

Mas o tempo (esse sim é sábio) me fez perceber, entre os muitos tropeços da vida, que não adiantava pedir nada que não ajudasse, de fato, em minha própria construção. Não adiantava rezar compulsivamente achando que todos os meus problemas estariam resolvidos! Havia algo neste processo que só fui me dar conta muitos anos depois... Não precisava pronunciar um amontoado de palavras que, para mim, não tinha sentido lógico. Não era necessário decorá-las e consagrá-las receitas mágicas!

Minhas fichas caíram no dia em que meu desespero e exaustão emocional me levaram às lagrimas e me fizeram conversar com um Deus que, até então, eu não conhecia! Desabafei, briguei, reclamei e pedi desculpas pelas minhas fraquezas, pela minha soberba, pelas injustiças que eu cometia não apenas com os outros, mas principalmente comigo mesma... Não pedi mais nada, porque tudo o que eu precisava havia conseguido naquele papo: um alívio por me despir das pesadas armaduras que eu mantinha para mostrar uma força que não era a minha. Consegui enxergar as minhas fragilidades! Compreendi, então, que não precisamos de orações prontas, pois a melhor de todas é aquela que sai espontaneamente do coração. Esse é o canal de diálogo verdadeiro que criamos com Aquele que acreditamos nos escutar. Voltei ao início de tudo e lembrei o que a minha mãe me dizia: “nunca se esqueça de agradecer”!

Não sou religiosa (nunca fui!), mas mantenho comigo esse ensinamento. Rezar deixou de ser um ritual e passei a conversar quando, como e onde sentia vontade, com o Deus que, pouco a pouco, construí dentro de mim. Algumas vezes pensei que esse Deus fosse fruto da minha imaginação ou uma espécie de amigo imaginário. Movida pela razão, pensava que falava com a única pessoa que dava sentido para tudo, ou seja, comigo mesma e que tudo pertencia à minha própria capacidade de realização e materialização dos meus desejos e pedidos. Visitei muitos templos, conheci muitas ideologias e cheguei à conclusão de que não importa o caminho que escolhemos, de algum modo, todos eles nos levam ao mesmo Deus! Se em algum momento somos nós que realizamos nossos milagres, valeu à pena acreditar na existência dessa força maior.

Hoje não me esqueço de agradecer! Minhas orações são conversas que na visão de um leigo podem parecer meros monólogos, porém contém o discernimento de que nada na vida acontece num passe de mágica. Tampouco através de milagres! A vida já é o próprio milagre e é por isso que antes de começarmos qualquer oração, precisamos agradecer! Estar vivo é a materialização de todos os milagres e bênçãos!

Passamos por muitas dificuldades na vida, mas são elas que nos levam de encontro a esse Deus. Infelizmente, são nos momentos mais difíceis que paramos para reavaliar nossos atos e perceber o valor das coisas simples. Nesses momentos é que nos desfazemos de nossas manias de grandezas e nos despimos das falsas armaduras para encontrarmos toda a fragilidade que há em nós! E é aí que nos enxergamos verdadeiramente humanos! As orações que não saem apenas da boca, mas que transcendem ao coração são os diálogos francos que mantemos conosco! Nós somos nossas orações!

Hoje agradeço por tudo o que tenho! A cada dia uma nova porta se abre diante de mim e um mundo repleto de possibilidades me convida para diferentes descobertas. Mesmo com medo, aceito o convite! A cada nova descoberta encontro minhas respostas... Em cada resposta me descubro um pouco mais... E quanto mais me descubro, melhor compreendo o significado dos milagres, das orações e até mesmo de Deus!

Continuo agradecendo!

Jackie Freitas

“Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.”

(Victor Hugo)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Com Licença, Posso Ser Feliz?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012.

Quantas vezes você já teve vontade de fazer esta pergunta?

É tão comum ouvirmos as pessoas reclamando da vida, chorando suas dores e lamentando os seus sofrimentos que, em certos momentos, não nos parece justo manifestar nossas alegrias e realizações. É como se tivéssemos que pedir autorização até mesmo para esboçar um sorriso!

Vemos tanto caos e desgraças ao nosso redor que acabamos nos recolhendo e escondendo o nosso bem estar para que o mesmo não represente um desrespeito aos outros, às suas dores, tristezas, frustrações, irrealizações...

Será mesmo que é preciso ter o aval dos outros para poder desfrutar da felicidade?

Sabemos que a felicidade é efêmera e há, inclusive, diferentes  modos de compreendê-la. Você já deve ter escutado dizerem que ser feliz é diferente de estar feliz. Eu mesma divago sobre isso constantemente, mas não posso deixar de ver a relação íntima que existe nessas duas situações. O estar feliz, onde o próprio verbo indica, reflete um estado ou momento e nos comprova toda a efemeridade da felicidade; entretanto, não consigo deixar de ver o quanto isso interfere na condição do ser. Ser feliz, talvez, seja uma somatória ou acúmulo de todo o nosso estado; portanto, quanto mais felizes estivermos e quanto mais tempo pudermos desfrutar da felicidade, reconhecendo-a nos momentos em que aparecem, mais seremos capazes de irradiá-la em nosso ser. Por isso é fundamental que não tenhamos medo ou vergonha em demonstrar aos outros o quanto estamos ou somos felizes! Represar esse sentimento e não manifestá-lo significa concordar que a vida é feita apenas de dores e sofrimentos, que nossa missão é unicamente a de sermos mártires existenciais.

Felicidade é a colheita dos bons tempos e um merecimento, mas, acima de tudo, um reconhecimento que exige de nós toda a atenção necessária para que ela não passe despercebida. Se não notarmos esses momentos preciosos e não usufruí-los, deixamos de somá-los na condição do nosso ser.

Viva intensamente cada momento e comemore com entusiasmo todas as oportunidades de ser feliz. Não é preciso pedir licença, perdão ou permissão aos outros para ser feliz. Quando você escutar alguém dizer que a felicidade não existe, busque dentro de si, através de lembranças, e mostre que ela é possível, sim! Lembre das vezes em que sorriu despretensiosamente, em que riu sem ter escutado uma piada ou até mesmo quando escutou e não achou graça alguma, mas ainda assim riu alto. Faça uma varredura em sua memória e traga à tona todos os momentos em que esteve bem, mesmo quando os problemas pareciam barreiras intransponíveis.

A felicidade é uma de nossas maiores buscas e, talvez, nossa própria existência esteja baseada nela, então aceite o fato de que se somos capazes de chorar, também somos capazes de sorrir... Há sempre o reverso da moeda, mas a questão é qual o lado dela você prefere mostrar? Gandhi sabiamente escreveu que não existe um caminho para a felicidade, pois ela é o próprio caminho...

A vida é difícil, sabemos disso, mas ninguém pode viver eternamente condicionado ao sofrimento para justificar sua existência. Se o sofrimento traz aprendizado, a felicidade é o honorário que nos contempla com méritos e louvores. É o momento em que paramos para apreciar nossas conquistas, que nos permitimos uma trégua e nos refazemos para as próximas etapas da vida.

Você pode achar que a sua felicidade ou infelicidade dependem das outras pessoas, mas eu te digo que não! Tanto uma quanto a outra dependem apenas de sua aceitação. Se você aceitar a infelicidade como a sua principal condição de vida, ninguém será capaz de provar-lhe o contrário! Agora, se aceitar que a felicidade pode estar nas pequenas coisas e em momentos simples, você apura a sua visão e passa a enxergá-la independente dos outros!

Não tenha medo de ser feliz! Mesmo os que estão sofrendo precisam manter a fé e você, não negando e nem escondendo a sua felicidade, pode inspirá-los e ajudá-los. Portanto, quando pensar em pedir licença para ser feliz, reflita bem se estará pedindo para a pessoa certa... Talvez este pedido deva ser feito a você mesmo!

Jackie Freitas

“Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.”

(Johann Goethe)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Começar de Novo…

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012.

Um novo ano começou...

Para mim, a sensação só reafirma uma certeza: hoje é apenas um dia posterior a outro! Claro que não vou tirar a poesia e o romantismo do clima que nos envolve, ainda embriagados pelas promessas e esperanças de que tudo pode e irá mudar... Entretanto continuo firme em meu pensamento de que o calendário não promoverá mudanças que não nasçam interiormente e não representem a nossa verdadeira vontade.

É evidente que será sempre uma motivação ou um ponto de partida termos esse marco para começarmos tais mudanças, mas não podemos nos esquecer de que há um longo caminho a ser trilhado nos próximos 364 dias, que exigirá força e determinação contínuas para que as promessas sejam cumpridas.

O que queremos, afinal? Ser pessoas melhores ou ter coisas melhores? Quais são nossas metas e até onde somos capazes de ir para alcançá-las? O tempo corre veloz diante de nossos olhos e, muitas vezes, nem o sentimos por causa da pressa em somar conquistas e aí está um dos fatores que pode nos levar às frustrações... Queremos correr mais velozes que o tempo, lutando contra ele e, algumas vezes, atropelando os nossos próprios passos... Acabamos perdendo o sentido original das nossas lutas e todo o foco; então, quando acordamos, estamos novamente olhando para um ano que passou e tudo o que não realizamos... Recomeçamos o ciclo do desejo/promessas/metas...

Sabemos onde queremos chegar, mas, em algum momento, esquecemo-nos das razões que nos impulsionam assim como das nossas metas e de como chegaremos até elas!

Algumas mudanças não ocorrem sozinhas! Independem de nosso controle ou vontade, pois fazem parte do meio em que vivemos ou da contribuição de outras pessoas e precisam que nos moldemos a elas; contudo, as grandes mudanças são feitas pelas pequenas que ocorrem interiormente, por nosso empenho.

Há uma sensível diferença entre começar um ano novo e contabilizar dias. Contabilizamos quando apenas substituímos um calendário por outro e concebemos isso como mudança! Passamos rapidamente os olhos pelos dias que virão, contando feriados, planejando as próximas festas ou férias, mas esquecendo da ação principal: viver! Como viveremos os dias que virão? O calendário é estático, mas a vida é dinâmica, composta de dias que pedem para serem vividos com atenção para que aprendamos as lições da vida...

Começar um ano novo significa recomeçar, sem reposições, mas aplicando as experiências adquiridas pelos anos passados. Não nos tornamos pessoas novas e diferentes do dia para a noite, tampouco na contagem regressiva para os fogos de artifício. Transformamo-nos gradualmente durante todos os outros dias, vivendo uma vida real, sem efeitos de champanhe ou do espetáculo das sedutoras luzes denominadamente artificiais... Movidos pelo espírito da renovação e pelo valor do aprendizado. Se nada aprendemos, não mudamos... Se não reconhecemos a importância do aprendizado, não evoluímos... E, se não evoluímos não realizamos quaisquer mudanças. Ficamos presos no vácuo do tempo, com olhos fixos no calendário, aguardando, ainda em contagem regressiva, a chegada do próximo marco para que as velhas promessas nos pareçam novas.

Simbolicamente começamos um novo ano, mas o que ficou pendente ontem, ainda pede por soluções! Nada foi apagado ou mudou! Talvez nós tenhamos mudado... Não pelo efeito de algum milagre, mas por termos, finalmente, adquirido a consciência de que as mudanças acontecem todos os dias através de ações efetivas e não de calendários que criam pó e aguardam reposições...

Bom início de ano e que o novo não se limite apenas nele...

Jackie Freitas

“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

(Carlos Drummond de Andrade)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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O Ano Novo Somos Nós… Renovados!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011.

Quando perguntada sobre os maiores obstáculos que tivera que superar na vida, uma famosa atriz respondeu que preferia manter em sua lembrança não os obstáculos em si, mas os seus frutos: aprendizado, superação, vitórias e conquistas...

Não tinha ainda em minha mente uma mensagem de final de ano formatada, mas após assistir a essa entrevista, enchi-me de coragem e inspiração para fazer um pedido e, espero que ele sirva como reflexão e estímulo para todos.

Ao longo de nossas vidas vamos somando fracassos e erros, fazendo, muitas vezes, com que eles se tornem orientadores de nossos passos inversos e até mesmo que sejam porta-vozes de quem somos. Por que digo passos inversos? Porque é assim que passamos a caminhar (para trás) quando permitimos que nosso espírito se alimente das derrotas. Esquecemo-nos de que as guerras são compostas por inúmeras batalhas, onde algumas vencemos e outras perdemos, mas que as perdas, de modo algum, devem determinar fracasso, incompetência ou muito menos dizerem quem e como somos.

Já refletimos muito sobre esse assunto e chegamos juntos à conclusão de que perder, em certos momentos, representa algum tipo de ganho e é essa a maior lição que devemos tirar de nossas batalhas. As perdas sinalizam o nosso despreparo para algumas ações e a falta de uma visão estratégica para enfrentarmos às adversidades, contudo aprendemos que é através delas e também do inimigo, que nos fortalecemos e superamos nossas próprias batalhas. Muitas vezes o maior inimigo e sabotador mora dentro de nós, principalmente quando a sua voz ressoa tão forte que faz com que deixemos de acreditar em nossa capacidade e força para enfrentar qualquer obstáculo. As pessoas podem até dizer que somos fracos ou incapazes, mas cabe a nós acreditar ou não e, melhor ainda, provar, não a elas, mas a nós mesmos que somos vencedores porque não esmorecemos diante de nenhuma batalha, tampouco da vida!

Portanto, querido leitor, o meu desejo, pedido e mensagem de final de ano é para que você se veja forte, mesmo que a vida o enfraqueça em alguns momentos. Se cair, levante-se de cabeça erguida e tenha consigo mais um aprendizado e não uma derrota! Extraia de cada experiência, sendo ela boa ou ruim, todo o aprendizado que puder para que nas próximas batalhas você esteja mais forte e corajoso. Não tema o inimigo, enfrente as suas fraquezas e supere-se sempre! Lembre-se de que os fortes são capazes de renascer e os fracos entregam-se para a morte! E a pior morte (também já refletimos sobre isso) é aquela que acontece dentro de nós, que nos paralisa e impede de olharmos o que há adiante...

Mais um ano está acabando... Muitas lutas foram travadas sob o banho de lágrimas e a dor nos paralisou algumas vezes. As perdas (se assim podemos chamá-las) ficaram para trás, porque tudo que já passou faz parte do passado e deve apenas servir-nos como lição para que tenhamos um presente e futuro renovados de confiança e fé... Fé em nós, acima de tudo, porque temos a capacidade de transformar o que quisermos!

Quando perguntar a si mesmo sobre seus obstáculos na vida, não se remoa em dores e lástimas. Lembre-se que se estamos aqui e agora é porque de um modo ou outro os superamos e é este o nosso presente (literalmente)! Entregue ao passado todas as derrotas... Ele saberá o que fazer e onde guardá-las, mas não se esqueça das suas vitórias! Faça delas, sempre e cada vez mais, motivos de orgulho e inspiração para a continuidade dessa história, da SUA história! Jamais se desmereça e nem permita que os outros contem com inverdades uma história que não seja a sua! Conte-a você mesmo, cheio de orgulho e com algo a ensinar, mas sem perder a humildade do aprendizado, porque as outras pessoas também nos ensinam com suas histórias e exemplos! E, muito importante, não se esqueça que em qualquer batalha, principalmente nas nossas, nosso maior aliado é aquele que mora dentro de nós! A vida, com todas as suas adversidades, é uma grande escola; então, aprenda com ela. Olhe-a com gratidão e respeito, olhe-se com carinho e exercite sempre o perdão, principalmente para consigo mesmo! Não exija dos outros o perdão que você é incapaz de conceder-se... E com a alma renovada e o espírito leve, caminhe olhando para frente, apreciando otimista um grande horizonte que desponta todos os dias diante dos seus olhos, almejando conquistas e ciente de que não serão as quedas ou as falhas que dirão quem você é! Alimente a sua capacidade de superação, porque é ela que te dará vida e dirá de verdade o quão extraordinário você é!

Nenhum ano será realmente novo se não pudermos enxergar o novo... Nenhuma promessa será cumprida se não houver a certeza de que toda a diferença nesta vida é feita única e exclusivamente por nós!

Carpe Diem! Que nossos dias sejam abençoados, iluminados e nos levem a um futuro de boas colheitas...

E Boas Festas!!!

Jackie Freitas

“Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida;
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.”

(Machado de Assis)

Este texto é dedicado à minha filha Carolina, para que ela JAMAIS se esqueça de sua grandeza e não tema o seu futuro!

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Nunca Diga Nunca!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011.

Quando se atravessa os portais da pretensa invencibilidade, deixamos para trás nossas fragilidades e passamos a crer que possuímos todo o poder da sabedoria inabalável, que jamais precisará ser revista ou aprimorada. Mesmo que iludidos pelo próprio ego, sentimo-nos semideuses brincando com os comandos de uma vida que é nossa, mas cujo “destino” independe apenas de nossa vontade.

Um dos perigos de se cruzar tais portais é o de trancá-los com as chaves definitivas e conclusivas do “nunca” ou “para sempre”!

Ao longo de nossas vidas aprendemos, mesmo que através da dor, que o nunca mais e o para sempre são meras expressões de efeito e que nem sempre simbolizam a idealização de poder ou comando. São pequenos botões compondo um enorme painel que mais servem para nos distrair e iludir, mas que não detém o verdadeiro poder que nós, pretensos semideuses, julgamos possuir.

É preciso tomar cuidado ao sair e fechar uma porta atrás de si, pois a mesma poderá, um dia, servir como caminho de volta nas muitas voltas que a vida dá... Neste caso, o nunca perde o seu sentido original de comando, decisão e poder... Derruba a certeza de que a invencibilidade não nos levará de volta por caminhos já percorridos. Remove a ilusão de que o para sempre determina a eternidade de atos certos ou incertos, compactuando com o nunca para que pensemos numa onipotência arrogante e nos impeça a humildade de reconhecer quando é preciso se desfazer de conceitos firmados para recuar e voltar, se preciso for, ou até mesmo perdoar a si e aos outros...

Encerrar ciclos é o chamado para a renovação nossa e da vida. Isso não significa que precisamos fechar e trancar todas as portas pelas quais passamos! Quando deixamos para trás nossas portas, não podemos ser orientados pelo relógio do nunca ou do para sempre. Talvez seja esse o relógio do Olímpio, mas não o nosso, meros mortais e aprendizes de uma vida efêmera e que exige de nós um misto de todos os sentimentos humanos... É preciso coragem, mas sem esquecer que a sensibilidade também nos guia por estes campos minados ou floridos. É preciso paciência para deixar que o nosso tempo faça todos os contornos da vida... E é este tempo que nos rege! É ele que nos permite seguir por novos caminhos ou retornar por velhas passagens... É ele que nos ensina, quando nos dispomos a aprender, a humildade que nos cabe em todas as passagens da vida. É este tempo que nos ensina um modo diferente de conceber o poder...

Podemos, sim, acreditar no nunca e no para sempre, mas sem esquecer-nos de que nada é definitivo ou imutável...

Se você estiver atravessando algum portal ou encerrando um ciclo, não se esqueça disso: o nunca e para sempre são tempos longos demais e não nos pertencem!

A vida nos prega muitas peças e é por isso que não podemos ter esses “tempos” nos limitando e impedindo, muitas vezes, uma nova chance de olharmos de outra forma... E uma releitura pode nos mostrar algo que esteve sempre diante de nós, mas que fora ofuscado ou negligenciado pela soberba da onipotência!

Quando Alice estava no País das Maravilhas, ela perguntou ao Coelho: “Quanto tempo dura o eterno?” E ele respondeu: “Às vezes apenas um segundo!”.

Nunca diga nunca! Mantenha os canais abertos (e as portas também) e que sejam eternos enquanto durarem...

Compreender o significado disso é um passo para mensurar o tipo de poder que temos!

Pense nisso!

Jackie Freitas

*Imagens retiradas do Google Imagens

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Agradecimentos Fraternos

terça-feira, 6 de dezembro de 2011.

A todos que fazem parte da minha vida ou que apenas passaram por ela; a todos que mantiveram os seus pensamentos elevados e preservaram a fé, a todos que não desistiram de suas lutas, que atravessaram desertos, venceram tormentas, curaram feridas profundas... A todos que enxergaram luz através de uma pequena fresta, que encontraram fôlego quando pareciam sufocar... Aos que prosseguiram na longa estrada, mesmo quando os passos se enfraqueciam; que morreram e renasceram...

A todos vocês, minha reverência e agradecimento!

Pessoas me inspiram e suas histórias são verdadeiras lições! Muitas vezes somos tomados pelo egocentrismo, acreditando sermos os maiores e únicos sofredores, quando na verdade somos iguais a todos! Todos passam por suas provações e cabe a cada um encontrar diferentes maneiras de superá-las.

Lembro que quando comecei a escrever, o que me movia era a crença de que o compartilhamento de experiências seria o grande elo que fortaleceria a todos, principalmente a mim mesma. Era uma forma de me enxergar caminhando em areias movediças, porém não sozinha!

Aprendemos muito com os outros quando saímos do nosso pequeno casulo e deixamos de ser o centro de nosso universo. Crescemos e incluímos ingredientes importantes que nos ajudam a superar nossos maiores medos e nos fazem perceber que somos parte de algo maior que, talvez, esteja muito além de nossa compreensão.

Os exemplos estão por todas as partes e são eles que nos mostram o quanto temos de riqueza e valor a contribuir uns com os outros e é por isso que agradeço a todos aqueles que de uma forma ou outra estiveram em minha vida. Agradecer é um ato supremo que representa humildade espiritual. É o momento em que vemos que não estamos sós neste mundo e que cada vida tem importante significado na construção de histórias que se entrelaçam e se encontram em determinados pontos...

Caminhamos ora calados, ora gritando, ora sofrendo, ora sorrindo... Mas caminhamos! E isso já justifica nosso agradecimento, pois não paramos um momento sequer nesse processo evolutivo (mesmo quando achamos que paramos). Estamos sempre em movimento e em busca de todas as verdades possíveis que nos levem a um lugar distante e mais próximo de nós mesmos! E são as pessoas que nos cercam, através de suas experiências e exemplos, que nos permitem enxergar quão grandiosos e ilimitados em força e coragem podemos ser. Obrigada a todos!

Sei que de alguma forma faço parte disso e, do meu modo, também contribuo, mas não quero perder em minha memória e nem deixar que o meu ego esqueça a bênção do agradecimento. Pelas coisas excepcionais ou pelas mais simples, agradeço! Por cada peça pacientemente integrada neste quebra-cabeça humano. Talvez estejamos tomando formas e conseguindo nos distinguir, mas ainda preservando nossas igualdades!

Quando comecei com este blog, minha frase motivadora e lema eram: “O importante não é a queda, mas como nos levantamos dela!”. Hoje, quero deixar aqui registrado a todos, juntamente com os meus agradecimentos, que não importa quantas vezes caímos nesta vida, sempre poderemos olhar para os lados (sem orgulho, arrogância ou vergonha) e encontrar mãos que nos levantarão. Mãos amigas, cujo interesse maior é ver-nos firmes e dispostos nos caminhos da vida. Mãos que um dia também espalmaram o chão em suas quedas e por isso sabem o valor da solidariedade, do levantar e prosseguir. Mãos como as minhas ou as suas... Mãos que constroem e representam o elo de irmãos... Símbolo maior de fraternidade e humanidade, que representa, entre tantas outras coisas, a nossa igualdade!

Jackie Freitas

Dedico este texto a todos que me acompanham, mas excepcionalmente a três pessoas queridas, que ultrapassaram as barreiras da amizade e moram eternamente em meu coração: Samanta Modesto, Eninha Campos e Herval Filho. Muito obrigada por estarem sempre ao meu lado e me mostrarem o verdadeiro valor e significado da palavra AMIZADE! Amo vocês!

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Adeus Morte!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011.

Despedidas são sempre complicadas, principalmente quando se trata de morte... Mas não para mim... Não neste caso...

Ontem eu fui a um velório. Não havia uma lágrima sequer contrastando o sorrateiro sorriso que o meu rosto exibia. Aliás, lágrimas não cabiam naquele momento... O que pude sentir foi um alívio, um sabor indescritível obtido através de uma espécie de libertação. Aquela vida que partia dava lugar à outra, cheia de esperanças e expectativas, ansiosa por descobrir o que há por detrás da grande cortina com infinitas possibilidades diante de si.

Hoje fui ao seu enterro... A marcha fúnebre pedia passos lentos, entretanto os meus aceleravam na medida em que o tempo me aproximava da promessa de uma nova fase. Levei flores para que o frescor da vida substituísse o cheiro da morte. Foi um gesto de agradecimento!

Hoje sepultei a mim mesma! Despedi-me daquela pessoa que estava doente, enfraquecida e prestes a morrer... Talvez eu seja uma assassina, mas precisei matar quem estava, lentamente, me matando! Era aquela pessoa ou eu! Na luta pela sobrevivência não nos resta muitas opções, principalmente quando desejamos a vida e não a morte, quando acordamos do coma que nos colocamos e percebemos o valor insubstituível da vida e daqueles que amamos.

Tomei todos os cuidados para que a despedida fosse digna, afinal, aquela pessoa que partia também havia me ensinado algo valioso, mesmo em seu leito de morte.

Isso se chama renascimento, queridos leitores, e se pararmos para pensar acontece conosco a todo o momento, em várias fases da vida. Por isso quis escrever e relatar o meu sepultamento, para que todos possam compreender que podemos dar vida à nossa própria vida, escutar aquela voz tímida ou distante que há em nós, pedindo atenção, cuidado, carinho... Pedindo que a deixemos ecoar para que acordemos do sono profundo, da letargia, da fraqueza e da doença da alma...

Muitas vezes acreditamos que são as outras pessoas ou a própria vida que tramam contra nós, desejando nossa morte; mas somos nós mesmos que empunhamos a arma letal e decretamos nossa sentença... Se não reagimos, padecemos e aí serão os outros que estarão em nosso velório e enterro... Não estaremos mais aqui para mostrar-lhes o quão bela é a nossa história e o quão exemplar e inspiradora ela pode ser...

Renasçamos quantas vezes forem necessárias! Expurguemos todo o desânimo e falta de fé que queiram se instalar em nós... Eles são corrosivos e com o tempo se transformarão numa doença que nos levará à falência. E a pior morte, acreditem, é aquela que começa em nossa alma e contamina nosso corpo. Tornamo-nos moribundos, vagando pela vida apenas a espera do momento derradeiro... Encostamos-nos a qualquer lugar, agonizando em dores e sofrimentos e começamos a desenhar nossa própria lápide.

Hoje foi a despedida daquela morte disfarçada de vida... Hoje dei adeus para alguém que tentava ser eu, mas que estava bem distante de ser quem eu realmente sou. Milagres, neste caso, não acontecem porque só depende de nós acordarmos a tempo...

Sobrevivi... Ou melhor, renasci! Mais uma vez e assim será quantas vezes forem necessárias para que a vida cumpra com o seu propósito. Claro que a morte chegará, mas será no momento certo... E ainda assim, tenho certeza, haverá muitas batalhas entre nós!

Antes de partir, dei uma rápida olhada na lápide que aquela “ex-vida” desenhava e pude ler apenas: “Aqui jaz...”. Completei:

Aqui jaz quem desistiu da vida.”

Essa pessoa não sou eu!

Jackie Freitas

“A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nos enquanto vivemos.”

(Pablo Picasso)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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